Telas para crianças: o papel da escola nessa dosagem

A exposição dos filhos a aparelhos eletrônicos aumentou e se tornou grande dor de cabeça para os pais; como as escolas podem auxiliar?

O uso de telas para crianças tem aumentado desde o início da pandemia, seja por ficarem mais tempo em casa, seja por assistirem aulas através delas. Porém, sem a supervisão constante de um adulto, os alunos podem ter dificuldades em lidar com o uso de telas.

A criança pode apresentar déficit de outras habilidades, como coordenação motora e ação e reação. Todo seu desenvolvimento acaba sendo restringido e ela passa a ser controlada por uma necessidade de ficar nas telas, como um vício. Quando não está, fica muito ansiosa

Possíveis efeitos colaterais

Há crianças que só comem com a tela à sua frente, não distinguindo o sabor dos alimentos e o próprio ato, o que leva a um comportamento que pode causar obesidade.

Outro problema de saúde que aumentou por aumento do uso de telas foi a miopia. Um estudo publicado na revista Nature revelou que o ensino em casa durante a pandemia aumentou a taxa de progressão da miopia em crianças, em comparação com os anos anteriores. 

Uma pesquisa similar publicada no periódico científico Lancet mostrou que, entre 2019 e 2020, a progressão da miopia cresceu 40% entre os jovens de 5 a 18 anos, principalmente devido às restrições de circulação impostas pela pandemia.

Diante de tudo isso, como as escolas e as famílias podem contribuir para amenizar os efeitos nocivos da alta exposição de crianças a celular, tablets e computadores?

Algumas orientações dos especialistas:

  • Evite a exposição às telas para crianças até os 2 anos de idade. Depois, no máximo 1 hora e meia. 
  • Sempre que for possível, os pais devem colocar o conteúdo na televisão. Como ela fica mais distante dos olhos, é melhor. 
  • Durante as atividades escolares, o professor precisa dar intervalos para as crianças irem a lugares bem iluminados pelo sol. 
  • Ficar próximo de janelas é bom porque a criança pode olhar para longe e descansar os olhos.
  • Celulares, tablets e computadores podem dificultar o sono das crianças, uma vez que têm um brilho mais azulado, que leva para o cérebro uma mensagem de que é dia. 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

O uso de telas para crianças

As telas educacionais controladas pelo professor podem ser benéficas na sala de aula, mas quando tablets e celulares pessoais são adicionados à rotina escolar, as chances de um aprendizado ideal diminuem substancialmente.

Imagine um aluno tentar se concentrar em um conceito difícil que o professor está explicando em sala de aula e, em seguida, olhar para seu celular e ler a notificação de mensagem de um amigo. Essa é a natureza das telas pessoais e suas distrações são prejudiciais ao aprendizado.

Isso significa que as escolas e as famílias devem manter os benefícios da tecnologia, mas evitar os danos. Em um ambiente escolar, os adultos devem prestar muita atenção, assumir a liderança e planejar apenas o tempo intencional em frente às telas.

6 dicas para diminuir a exposição dos alunos às telas

1 – Incentive o professor a passar o aprendizado em uma tela maior na frente da sala. Essa decisão pode reduzir a necessidade de telas individuais.

2 – Use tablets e celulares para visitas rápidas apenas quando necessário e apenas para atividades intencionais. Isso significa retirá-los das mochilas apenas quando necessário e, em seguida, guardá-los.

3 – Monitore os minutos gerais que uma criança gasta na frente de uma tela. Por exemplo: se eles ficam na tela por seis horas na escola todos os dias, os pais precisam definir limites de tempo mais rígidos em casa. Vale lembrar que seis horas é muito tempo e não é equilibrado para um cérebro em desenvolvimento.

4 – Fique de olho no conteúdo. Os professores devem estar no fundo da sala de aula com uma visão fácil da atividade da tela do aluno. Em casa, os pais podem pedir a seu filho que faça a lição de casa na mesa da cozinha (não no quarto dele), onde podem supervisionar a atividade para maximizar o foco na tarefa.

5 – Sempre que possível, utilize livros e cadernos para aumentar a compreensão e diminuir a carga cognitiva (a energia necessária para processar a aprendizagem). 

6 – Dose o uso dos celulares na escola ou estimule que ele seja usado em sala de aula de maneira mais criativa possível. Benefício adicional: aprimorar as habilidades sociais pessoais.

Tecnologia a favor

Segundo o relatório “O que sabemos sobre criança e tecnologia”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o impacto da tecnologia depende de como e por que ela é usada, além da variedade de dispositivos que as crianças escolhem.

Escolas e sistemas de educação desempenham um papel fundamental no apoio do uso seguro e responsável da Internet. O desafio para as escolas está na capacidade de reduzir os usos negativos da Internet e dispositivos digitais, mantendo suas contribuições para ensino, aprendizagem e conexão social

Comunicação é importante

Adote uma abordagem de envolver toda a escola para resolver questões tecnológicas. Funcionários e professores precisam de treinamento regular em educação a distância e suas implicações. Pais e alunos podem se envolver para fortalecer suas capacidades de lidar com questões online. E, não se esqueça da conexão com o mundo real. 

Boas políticas irão apoiar a aprendizagem online dos alunos, sem impedir ou limitar excessivamente o acesso às telas, e devem ser integradas com políticas de proteção, como as de cyberbullying e comportamento on-line. A escola deve se aproximar das famílias e das crianças, conversar com elas sobre suas experiências e envolvê-las no debate saudável sobre o uso de telas. 

E a sua escola, o que tem feito para amenizar os efeitos nocivos da exposição das crianças ao uso de telas? Deixe nos comentários!

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