O futuro é agora: Os conceitos de arquitetura escolar e a necessidade de adaptação dos espaços físicos tradicionais

A nova forma de educar traz consigo a urgência de transformar a antiga sala de aula em espaços interativos e confortáveis; conheça as tendências em arquitetura que já são realidade e necessidade no cenário da educação e saiba como realizar essas mudanças no seu colégio em 2018

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Paredes de vidro, cadeiras que dão lugar a bolas de pilates, computadores substituindo os cadernos, realidade virtual para ilustrar uma aula de história, atividade conjunta para alunos de diferentes idades no pátio… o cenário retratado em livros e filmes futuristas já é uma realidade, não só na Finlândia, mas no Brasil, e em colégios reais. A arquitetura escolar ganha cada vez mais espaço e se torna parte integrante do planejamento de gestores e mantenedores de colégios em 2018.

Na segunda matéria da série sobre as tendências na área da educação para este ano que se inicia, fomos buscar a opinião de especialistas de peso da arquitetura escolar para falar sobre a pertinência e importância do tema e a contribuição dos novos estudos da área. Trazemos, ainda, dicas para auxiliar diretores e mantenedores a traçar planos de reforma e adequação do espaço para acolher uma nova geração de alunos e pais.

 

A palavra de ordem é estimular

Imagine um ambiente escuro, sujo, desorganizado, com móveis e equipamentos quebrados. Impossível se sentir plenamente bem em um local assim, certo? Quanto mais aprender, trabalhar ou frequentar esse espaço ao longo de uma no letivo inteiro. Negativa ou positivamente, a arquitetura tem grande influência na escola e no projeto de aprendizagem de seus alunos.

Ambientes bem cuidados, limpos, claros, bem equipados demonstram a valorização da educação e os usuários respondem com atitudes de respeito, cuidado e colaboração para a manutenção”, reflete Doris Kowaltowski, professora titular pela Unicamp, PHD em Arquitetura pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e com ampla pesquisa sobre edificações escolares.

 

O espaço físico também ensina

Autora do livro “Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino”, Doris vai além e defende a ideia de que a própria arquitetura ensina. Para ela, os elementos do projeto podem ser o suporte para apresentações de informações, exposições de trabalhos dos alunos e até ponto de partida para estudos e pesquisas escolares.

A mesma opinião é compartilhada por Claudia Mota, arquiteta e sócia no escritório Ateliê Urbano, especializado em projetos de arquitetura escolar. “Hoje, qualquer espaço deve estimular a experimentação. Os gestores têm que dar importância igual a todos os locais, ou seja, não adianta ter uma sala de aula incrível enquanto o pátio externo tem brinquedos velhos e um piso quebrado. Todos os ambientes são espaços de aprender”.

 

Arquitetura e pedagogia, uma dupla inseparável e desafiadora

Muito se fala sobre novos sistemas de aprendizagem, mas nem todos se atentam (ou simplesmente ignoram) ao fato de que eles vêm acompanhados de mudanças estruturais. Em 2018, o desafio é tornar mais clara a relação entre o seu modelo pedagógico e o ambiente físico existente.

“As oportunidades de projetar uma nova escola deveriam ser potencializadas com uma discussão aprofundada sobre as novas pesquisas em aprendizado e cognição. Isso significa que os agrupamentos, por exemplo, os tamanhos, devem ser repensados”, afirma Doris, que defende a necessidade de as escolas trazerem novas tecnologias para a sala, porém, não acredita no sucesso de um projeto pedagógico sem a figura de bons professores.

Resgatando a primeira matéria da série sobre tendências da educação em 2018, em que foram abordados os novos conceitos de cultura colaborativa, fica clara a necessidade de trabalhar a arquitetura em conjunto com a pedagogia e a administração no atual cenário escolar

 

Os principais elementos de um bom projeto de arquitetura escolar

Independente das novas tecnologias, alguns conceitos são imprescindíveis no projeto de reforma no seu colégio em 2018, já que o foco está no bem-estar e conforto proporcionado pelo edifício. Entre os itens aos quais o gestor deve se atentar, estão:

  • Criação de espaços práticos;
  • Proporcionalidade nas configurações;
  • Controle dos níveis de ruído;
  • Controle de níveis de calor;
  • Espaços integrados e híbridos;
  • Inclusão de elementos da natureza;
  • Dose extra de segurança nas instalações.

 

Acompanhamento de perto

Uma boa assessoria de obra deve tirar do papel um projeto adequado à Norma de Desempenho de Edificações (NBR 15575). Sem contar a atenção a premissas básicas como um bom planejamento, qualidade na compra de materiais e rigor quanto à escolha da mão-de-obra e administração do projeto.

 

Faça hoje pensando no amanhã

A edificação institucional tem longa duração e, por isso, seus ambientes devem permitir adequações futuras, que acompanhem facilmente as constantes evoluções da sociedade: “Conceitos como humanização, generosidade, flexibilidade, qualidade construtiva e sustentabilidade devem ser as premissas desses projetos”, lembra Doris.

 

Crescimento sustentável

Por fim, o projeto deverá se adaptar ao atual momento da instituição e, principalmente, a um orçamento saudável. “Acredito que a união de metodologias inovadoras e espaços criativos e bonitos seja a receita de uma escola de sucesso”, respalda Cláudia, que também acredita no engajamento e cooperação de todos os stakeholders em prol de um projeto de crescimento de sucesso.

 

Planejamento: por onde começar a transformação estrutural do meu colégio?

O gestor escolar deve ter uma lista atualizada dos itens estruturais que mais geram desconfortos no dia a dia da instituição, além dos pontos de alerta em relação, por exemplo, a motivações que levem os pais a optarem por outro colégio.

Uma dica é a realização de uma pesquisa de satisfação com toda a comunidade escolar. O resultado deve ajudar a traçar um plano de ação e saber exatamente por onde começar. Com as necessidades, orçamento e prazo organizados de maneira clara, seu projeto terá sucesso.

“Se as obras forem maiores, elas devem ser planejadas com antecedência. Sempre colocamos que um prazo mínimo para a criação deste cronograma é de pelo menos seis meses. Além do mais, um bom projeto e um bom planejamento podem garantir uma economia de até 30% na execução da obra”, indica a arquiteta Claudia.

 

Manutenção também é um compromisso sério

A manutenção do edifício deve ser constante e, aqui, os detalhes fazem toda a diferença, como indica a profissional do Ateliê Urbano: “Não deixe que pequenos consertos se acumulem. Lâmpadas queimadas, fechaduras que não funcionam, sanitários com instalações vazando ou entupidas, tudo isso deve ter conserto imediato. O ideal é que a pintura da escola aconteça pelo menos uma vez ao ano ou sempre que houver necessidade, finaliza a arquiteta.

 

Quando só adaptar não é suficiente

Muitas escolas conseguem adaptar com maestria os seus espaços e estruturas à evolução do processo pedagógico, porém, há casos em que a solução é a construção de um novo espaço.

Com um projeto de três anos de duração, o Colégio Renascença, de São Paulo, optou pela construção de um novo prédio, em novo terreno e sob um novo conceito. “A educação colaborativa requer investigação e espaços agregadores, que favoreçam a troca de ideias”, explica professor e Dr. João Carlos Martins, gestor executivo da instituição.
No novo prédio, que visa construir aprendizagens e conhecimentos comuns, as paredes são de vidro e os espaços, em sua maioria, são abertos, facilitando a troca de ideias.

Gestão participativa e o desafio da formação de excelentes pedagogos

A primeira matéria da série sobre as tendências na área da educação fala diretamente com o gestor e líder, que tem nas mãos a missão de engajar os colaboradores e transformar a educação dentro do seu próprio espaço

Gestão Escolar Participativa_ tendências educação 2018

Fazer acontecer, é essa a descrição principal do papel protagonizado pelo gestor de uma instituição de ensino. Com um olhar macro, ele identifica onde cada engrenagem deve estar para que a máquina funcione de maneira eficaz. Uma tarefa que nunca foi fácil, mas que tem se tornado cada vez mais desafiadora pela avalanche de novas demandas nas mais diferentes frentes.

A primeira matéria da série sobre as tendências na área da educação em 2018 aborda justamente alguns conceitos estratégicos da área administrativa, ajudando a resolver dilemas comuns da rotina do gestor, como: afinal, como obter crescimento de maneira sustentável? Como priorizar os investimentos? Como manter a qualidade do ensino mediante escassez de mão de obra qualificada? Como atrair mais alunos?

O gestor escolar contemporâneo sabe que sozinho não consegue obter resposta para essas perguntas e que o caminho para equilibrar todos os pontos questionados se concentra em uma gestão participativa, termo que vem ganhando forças e deve se consolidar no cenário educacional dos próximos anos. Casos de sucesso trazem equipes multidisciplinares criando e executando projetos para as mais variadas demandas educacionais, ou seja, pedagógico, marketing, financeiro e administrativo andam todos juntos em prol do sucesso do colégio.

A escola não deixa de ser uma empresa. Os bastidores, como os setores financeiro, compras, contas a pagar e RH, precisam estar bem organizados. Os colaboradores precisam ter reciprocidade com orçamento e planejamento para uma saúde orçamentária”, analisa o professor e Dr. João Carlos Martins, diretor da HUMUS Consultoria Educacional e consultor nas áreas pedagógica e de gestão.

 

Mas o que é gestão colaborativa na prática?

Como o próprio nome já diz, a gestão escolar colaborativa promove a interdisciplinaridade dentro da instituição. O gestor educacional coordena as ações com sua visão macro, mas as decisões não são tomadas de cima para baixo, e, sim, em conjunto, dando voz a toda uma equipe. A ideia é de que, tornando os colaboradores parte do processo, eles também saibam do seu grau de responsabilidade e importância. “A parte pedagógica acompanha o administrativo, todos têm que saber fazer orçamento e planejamento. As pessoas precisam ser envolvidas para se tornarem corresponsáveis”, exemplifica Martins, que também é diretor do Colégio Renascença, de São Paulo/SP.

Criar diferentes frentes e comissões entre os colaboradores é outra dica imprescindível para a gestão escolar em 2018. A partir daí será possível, também, estender essa coparticipação entre os principais interessados nos resultados a serem obtidos: os alunos e pais, que se sentirão mais seguros e satisfeitos em serem ouvidos.

 

Segredo está na comunicação transparente

A prática da gestão colaborativa está baseada, ainda, no oferecimento de ferramentas adequadas para participação efetiva dos colaboradores. Uma delas é o estímulo quanto ao conteúdo de aprendizado. Por exemplo, quais as oficinas e treinamentos voltados para a gestão administrativa já estão no calendário de cursos dos seus colaboradores deste ano? A quais eventos de atualização eles irão participar?

Outro ponto fundamental é o oferecimento de uma política de comunicação clara e efetiva. Para estimular a participação dos colaboradores, o gestor precisa se atentar a organizar com maestria todas ideias e opiniões e dar voz às pessoas. Reuniões, eventos internos e uma gestão humanizada são ferramentas que devem ser utilizadas em demasia pelos líderes, já que a intenção é criar sintonia e evitar ruídos para o alcance de um único objetivo.

 

Modelo de gestão segue tendência pedagógica

A gestão colaborativa parte de um ambiente onde também a educação é colaborativa, uma tendência pedagógica que vem se firmando nos últimos anos e chega em 2018 com força total. Bastante difundida pela cultura maker, a didática colaborativa vem transformando a sala de aula em um ambiente de aprendizado prático: aqui, os alunos também ensinam uns aos outros e o professor é um importante mediador.

Quando a criança já chega praticamente alfabetizada e com um alto conhecimento em tecnologias atuais, as escolas precisam se tornar espaços agregadores, propícios para a troca de ideias, os trabalhos em grupo e construção de aprendizado além dos livros didáticos. O papel do professor é instigar os alunos e criar neles o olhar crítico voltado à resolução de problemas das mais diferentes origens.

“O grande desafio é formar professores com essa competência. O professor, hoje, vem com conteúdo, mas não consegue fazer essa conexão. Ele precisa sair do papel de só dar aula, para ser investigador. A sala de aula sai totalmente do seu desenho”, explica Martins sobre a importância da transformação do papel do professor.

 

O desafio da capacitação dos professores

Todos os anos, milhares de novos educadores entram para mercado de trabalho, porém, o diploma universitário nem sempre capacita esses professores a um trabalho eficiente em sala de aula. O novo papel do professor encontra resistência, inclusive, para toda uma geração de profissionais com anos de experiência no mercado. O resultado é a escassez de mão de obra preparada.

Entretanto, ao invés de lamentar, os gestores precisam saber que é papel da escola, também, o de capacitar seus professores para uma didática de excelência dentro das classes, como reforça Martins: “A escola tem que ter competência para formar o professor e fazer com que ele saiba dar uma aula de qualidade. É preciso contar com tecnologia, livro didático e apostilas, mas esses suportes são somente o meio e não o fim. A escola tem que ter excelentes pedagogos”.

Para o professor-investigador em formação, aprofundamento é a palavra-chave. O apoio dos colégios para formação extra em áreas como a matemática, para estimular o raciocínio lógico, e literatura, que desperta a opinião crítica, são pontos de partida para um redesenho do corpo pedagógico e busca pela qualidade. Aqui, não se pode perder o foco em congressos, publicações e o estímulo à constante formação.

 

Ambiente colaborativo: qual seu plano?

Da gestão à sala de aula, o termo que rege o cenário da educação em 2018 é “ambiente colaborativo”. Papel e caneta nas mãos, é hora de listar o que seu colégio já tem feito para criar uma atmosfera colaborativa e o que poderá ser posto em prática nesse sentido para o novo ano letivo.

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