GUIA DA EDUCAÇÃO 5.0: novas tecnologias e metodologias

Confira o que é e quais os benefícios do ensino que prepara para além do mercado de trabalho, ressaltando as habilidades socioemocionais e a valorização do bem-estar

Cada vez mais, os conhecimentos digitais se tornam imprescindíveis, mas eles devem ir além.  Esse é o fator-chave para os benefícios trazidos pela chamada Educação 5.0, assunto do momento no meio. Baseada em soft skills, ou seja, conjunto de habilidades e competências relacionadas ao comportamento humano, essa nova educação deve capacitar o indivíduo para utilizar a tecnologia de forma saudável e produtiva.

O objetivo é criar soluções relevantes para a comunidade e transformar realidades. Ela também busca entender o impacto da tecnologia no cérebro humano e como aprendemos nos dias de hoje.

Segundo o professor e pesquisador, José Motta Filho, as instituições de ensino deverão preparar os seus alunos para esse mundo incrivelmente diferente. “Isso só será possível quando a educação ‘virar a chave’ a fim de atender às demandas do século 21 e, então, aproveitar o melhor dos dois mundos para uma educação de vanguarda: seres humanos ativos e inspiradores e tecnologias educacionais emergentes”.

Afinal, o que é Educação 5.0?

A Educação 5.0 é uma nova proposta educacional que tem como principal objetivo, unir, não somente a aplicabilidade das tecnologias na sala de aula como preparação para o mercado de trabalho, mas também valorizar o bem-estar do indivíduo, ressaltando suas habilidades cognitivas e contribuindo para sua consciência socioambiental.

Para Motta, a revolução tecnológica, que mudou a forma de comunicação e relação entre os seres humanos, criou um ambiente que é bastante natural e favorável às crianças e adolescentes de hoje.

“Essa revolução não trouxe apenas novos equipamentos para as salas de aula físicas ou virtuais, ela trouxe também um enorme acesso à abundância de informações que estão disponíveis nas mais variadas mídias e canais, favorecendo a curiosidade, despertando a exploração e a pesquisa, bem como, a autonomia digital dessas gerações”.

Segundo ele, na Educação 5.0 a tecnologia ganha espaço com “a inteligência artificial, a linguagem computacional, a realidade virtual e aumentada, o big data analytics para a criação de ensino personalizado, a criação de makerspaces como laboratórios de experimentação, as soluções de ensino inovadoras que privilegiem as metodologias ativas de aprendizagem e o processo de learning by doing – o aprender fazendo”.

O professor, que também é co-fundador da MoonShot Educação, conta que “tudo isso é totalmente convergente ao pensamento dos screenagers, termo usado para descrever o ato de preferir ler, interagir com pessoas e com o mundo, utilizando-se de muitos aparatos tecnológicos, o qual é completamente diferente de paradigmas de gerações anteriores”.

Quais são os pilares da Educação 5.0?

Baseado na descrição do executivo de relações governamentais da IBM América Latina, Fábio Rua, existem alguns pontos essenciais para a funcionalidade da Educação 5.0, tornando-a moderna, inclusiva, humana e digital. Aqui, vamos dividir em pilares, tais como:

  • Metodologias ativas;
  • Ensino híbrido;
  • Educação individualizada;
  • Intercâmbio educacional.

“A gente não pode deixar de incentivar o intercâmbio de professores e alunos do mundo todo. A multiculturalidade é a melhor maneira de formar cidadãos abertos, tolerantes, criativos, bem resolvidos e, sim, geniais, extremamente inteligentes e prontos para competir nesse mundo desigual e injusto que a gente vive hoje”, diz ele em seu canal no Youtube. Ainda podemos acrescentar a esses pilares, as competências socioemocionais, ou soft skills, que falamos anteriormente e que são necessárias para ser relevante no século 21.

De acordo com o professor José Motta, sabe-se que essas competências não são novidades. “Elas fazem parte de características já valorizadas em muitas décadas anteriores ao terceiro milênio. A grande questão reside no fato de que, atualmente, a habilidade de se pensar antes de agir, de considerar diversas perspectivas ao analisar novos problemas, e até de relacionar-se de maneira adequada e eficaz com os outros, são bem mais que especificidades de pessoas acima da média, são competências e atitudes necessárias para todos os seres humanos. Disso depende o nosso sucesso, a nossa felicidade e futuro da nossa sociedade”.

A origem do termo

Antes de falarmos sobre a Educação 5.0, precisamos entender a Sociedade 5.0, também chamada de Super Smart Society ou Sociedade Criativa, a qual substituirá a Sociedade 4,0 ou Sociedade da Informação.

José Motta explica que a Sociedade 5.0 propõe um sistema socioeconômico sustentável e altamente inclusivo, movido por tecnologias digitais disruptivas, tais como: Inteligência Artificial, Big Data Analytics, IoT (Internet das Coisas) e Robótica Aplicada. “Essa ‘nova sociedade’, defendida como já existente desde 2010 por especialistas do Tokyo University Lab, procura integrar o melhor de dois mundos: o humano e o digital”.

O professor e pesquisador prevê que a transição da Sociedade 4.0 para a 5.0 será uma transformação completa em nosso estilo de vida. “Nesse novo paradigma, incontáveis produtos e serviços serão disponibilizados às pessoas de maneira adaptada e personalizada às suas preferências e necessidades. Veículos autônomos e drones entregarão bens e serviços para populações que vivem em áreas remotas”.

“As pessoas poderão facilmente escolher a cor, o tamanho, o tipo de tecido das suas roupas, calçados e acessórios, talvez fabricadas em impressoras 3D, com entregas saindo direto do local de fabricação para a casa do consumidor final, utilizando-se de um sistema de logística amplamente automatizada e transporte ágil”, exemplifica.

E completa: “Médicos de várias especialidades poderão atender aos seus pacientes, a partir de qualquer lugar por meio dos seus tablets ou smartphones, enquanto um pequeno robô limpa o piso ou aspira o pó do chão da casa ou do consultório, no instante em que a geladeira envia os dados sobre o ‘estoque de alimentos’ em seu interior. Nas fazendas afastadas dos grandes centros, os tratores autônomos trabalharão nos campos enquanto os fazendeiros participam de uma videoconferência com outros profissionais de uma equipe multidisciplinar de especialistas no mesmo tipo de plantio para que possam aprender e fazer mais”.

O Brasil está acompanhando essa evolução?

Como vimos, na Sociedade 5.0 teremos serviços médicos remotos, tradução automática que remove barreiras linguísticas, Inteligência Artificial e robôs de apoio a idosos ou pessoas com deficiência. A tecnologia de condução autônoma que auxilia motoristas idosos e acesso em tempo real às informações necessárias devem eliminar problemas decorrentes de disparidades sociais.

Hoje, nos Estados Unidos, estudantes universitários selecionam livremente matérias que querem estudar em seus anos de calouro e segundo ano. Até o primeiro semestre do primeiro ano, eles decidem sobre seus assuntos de maior e menor interesse, e restringem as matérias para estudo básico em áreas especializadas de acordo com suas futuras aspirações profissionais, aptidão e competência.

A sociedade 5.0 é uma sociedade super inteligente, onde tecnologias como big data, Internet das Coisas, inteligência artificial e robôs se fundem em todas as indústrias e em todos os segmentos sociais. A esperança é que essa revolução da informação seja capaz de resolver problemas atualmente impossíveis, tornando a vida cotidiana mais confortável e sustentável.

Atualmente no Brasil, como em muitos países do mundo, os estudantes que fazem vestibulares são divididos em dois grupos: aqueles que estudam ciências humanas e sociais, e aqueles que estudam ciências e matemática. A escolha é um ou outro. No entanto, em um mundo onde a tecnologia está integrada em quase todas as partes da sociedade, essa abordagem logo não será mais prática.

No futuro, devemos ver um sistema educacional no qual assuntos como matemática, ciência de dados e programação são requisitos básicos, assim como assuntos como filosofia e linguagens.

Quem são os alunos 5.0?

Segundo Motta, é possível encontrar em muitos artigos e outras referências que há dez anos começaram a nascer os indivíduos da Geração Alpha e que fazem parte dessa Super Smart Society.

Os primeiros ‘Geração Alpha’ já estão no 3º Ano do Ensino Fundamental I e possuem um perfil muito diferente e curioso de lidar com as coisas do mundo. Pertencem a um mundo extremamente conectado e tecnológico desde os primeiros meses de vida”, cita ele.

De acordo com o professor e pesquisador, diante desse cenário e com um olhar atento para o mundo escolar, é preciso entender o que nos traz a Educação 5.0. “O termo pode parecer estranho, mas o fato é que ele apresenta uma realidade que, a cada dia, será cada vez mais comum em sala de aula”, ressalta.

“Eles são multitarefas, gostam de experiências personalizadas, leituras não lineares e preferem imagens sobre palavras. Memória é coisa para disco rígido de um computador. Se precisam de informações, vão ao Google”, afirma.

Na observação de Motta, essa geração digital possui grande afinidade com ambientes repletos de sensores, plataformas e aplicativos que permitam respostas rápidas, elogios e recompensas frequentes. “Frequentemente, usam dispositivos digitais para evitar dissabores ou comprometimentos. Vivem no agora e tudo deve acontecer de maneira instantânea. Seus cérebros estão no modo ‘sempre alerta’ para múltiplos canais de informação, embora a atenção e a compreensão possam ser consideradas superficiais”, diz.

O professor cita que eles também querem velocidade e esperam que as coisas aconteçam rapidamente e, como resultado, quase não têm paciência. “Falar dessa geração é reforçar as características de pessoas que nasceram e estão crescendo em uma cultura de internet, em um ambiente orientado para a multimídia e suas infinitas possibilidades”.

“Além disso, essa nova sociedade criativa que busca transformar informação em conhecimento, conectada 24 horas por dia, dá voz e permite a qualquer indivíduo com um smartphone na mão, opinar e manifestar suas ideias sobre os mais variados assuntos e conteúdos”, conclui.

Conhece algum aluno assim na sua escola? Falando nela, sua instituição está preparada para a Educação 5.0?

Leia também:

Guia da Educação 4.0: O que é e o que esperar dela?

Guia da Educação 4.0: Quem são os alunos 4.0?

GEduc 2019 e os desafios da educação 4.0

O maior evento de gestão educacional do Brasil reuniu mais de 700 pessoas e contou com patrocínio do IsCool App; confira detalhes do encontro e um pouco do debate em torno da educação do futuro

O Brasil vive a chamada educação 4.0, com alunos que já nasceram na era digital e um mar de mudanças a serem feitas pelos gestores educacionais nas escolas, sejam elas relacionadas ao comportamento de professores, pais e alunos, sejam elas referentes a adequações físicas e ressignificação dos espaços dos colégios. Pertinente, o tema foi o escolhido para embasar os três dias de palestras e debates do GEduc 2019, o maior evento de gestão escolar do Brasil.

A educação do futuro que já acontece no agora foi abordada em cada uma das esferas que envolvem a gestão escolar: administração, gestão de pessoas, inovação acadêmica, liderança e marketing. Os responsáveis pelo debate foram nomes já conhecidos do cenário educacional, escolas que apresentaram seus projetos de sucesso como bons exemplos a serem seguidos e empresas prestadoras de serviços escolares, como o IsCool App, que pelo terceiro ano consecutivo apresentou suas soluções em inovação e tecnologia a favor da boa gestão.

Revolução educacional

Para mostrar aos mais de 700 congressistas presentes que as mudanças são necessárias, Martha Gabriel conduziu a palestra magna com o tema “A revolução nas instituições educacionais”. Professora, autora de diversos livros e uma das palestrantes mais requisitadas do Brasil, Martha trouxe recortes sobre o mundo em transformação pautado pela tecnologia e pelas mudanças comportamentais hoje refletidas em sala de aula.

Continuando a abordagem, Walter Longo trouxe para a discussão os desafios de uma nova gestão. Publicitário e administrador com uma carreira de sucesso e participação no programa de tevê “o aprendiz”, Walter focou nos desafios de se gerir uma nova geração inteira já acostumada a um mundo totalmente personalizado.

Outro destaque foi o case de sucesso direto da Finlândia, país cujo modelo de educação está entre os mais eficazes do mundo. Depois de uma apresentação sob o tema “Formando alunos inovadores”, Lisa Kairisto-Mertanen ainda respondeu a perguntas do público a respeito do sistema de gestão escolar inovador aplicado no país nórdico e os desafios que também são encontrados por lá.

Fórum Edtech

Durante o GEduc os congressistas se dividiram em trilhas de formação superior e formação básica em fóruns específicos, entre elas, a primeira edição do Fórum Edtech. Patrocinada pelo IsCool App, o fórum Edtech trouxe um painel sobre tecnologias facilitadoras e metodologias ativas, com exemplos práticos de como as tecnologias educacionais têm se firmado entre as áreas mais importantes das escolas. O segundo painel abordou a inteligência artificial como ferramenta de sucesso do aluno.

De acordo com o presidente do IsCool App e do Grupo School Picture, Ramin Shams, patrocinar o evento à frente de um tema tão importante reforça a preocupação da empresa em se manter na vanguarda das soluções digitais inovadoras. “O IsCool App traça um caminho de evolução constante porque está diretamente ligado aos setores de gestão, TI e TE de colégios do Brasil todo. Hoje, somos o aplicativo de comunicação escolar mais completo e com maior número de funcionalidades porque buscamos esse diálogo com o setor, não só agora, mas ao longo de 35 anos. Patrocinar o fórum é, portanto, firmar nosso compromisso com a inovação e as novas tecnologias educacionais”, diz ele.

Confira mais

Veja as fotos da cobertura exclusiva feito pelo Grupo School Picture durante o GEduc 2019.

Especial BNCC: A presença da tecnologia e a importância da ética

Entenda qual a relação da tecnologia com as 10 competências da BNCC e veja dicas de como os colégios podem se apropriar dela sem deixar de lado a responsabilidade ética

Mesmo quando pensamos nas competências de cunho social e emocional, enfatizadas pela Base Nacional Comum Curricular, podemos observar que há sempre uma nova ferramenta tecnológica envolvida: computadores, tablets, celulares, aplicativos, games, oficinas makers e, principalmente, a internet.

Sim, a educação evolui ao passo em que a sociedade se transforma e com base em uma nova geração inteira de alunos nascidos na era digital, com necessidades diferentes e já preparados para a chamada Educação 4.0.

Prova de tudo isso é a valorização crescente da área de TE – Tecnologias Educacionais e seus profissionais dentro dos colégios em cada canto do país. Formada por educadores e pedagogos superantenados às novidades do mercado tecnológico educacional, a equipe de TE tem papel fundamental na nova educação e, claro, na adequação do currículo à BNCC.

Cada uma das 10 competências da BNCC envolve alguma solução tecnológica em sua prática, daí a importância de tratar o tema nesta última matéria do Especial BNCC do Blog IsCool App.

Nas matérias anteriores já traçamos um panorama sobre a BNCC, buscamos saber o que ela traria de mudança para o ensino particular e também abordamos o status das adequações dos currículos com a chegada da Base do Ensino Médio.

Agora, com a ajuda de Rosa Lamana, educadora, mestre em educação e parte da equipe da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo, vamos entender a correlação da tecnologia com a BNCC em suas diferentes competências.

As três categorias da BNCC

Para Rosa, é fácil entender como a tecnologia está inserida em cada competência da Base Nacional Comum Curricular: “A BNCC afirma que a educação deve garantir o desenvolvimento global humano. E como falar de desenvolvimento global sem falar em tecnologia? Sendo assim, a tecnologia está inserida na BNCC nas 10 competências. Isso acontece porque vivemos num mundo digital e não há mais como excluir a tecnologia do nosso dia a dia”, explica a profissional com mais de 20 anos no segmento e que também é membro da Comissão de Educação Digital da OAB de São Paulo.

Para entender melhor como a tecnologia está inserida em cada competência, Rosa categoriza a BNCC em três principais áreas: Cognitiva, social e pessoal. Conheça cada uma delas:

Competências cognitivas

Nesta categoria estão incluídas as habilidades da BNCC de cunho cognitivo, que são:

1) Conhecimento;

2) Pensamento científico, crítico e criativo;

3) Argumentação.

Como já vimos na primeira matéria da série, essas habilidades visam explicar e entender a realidade, promovendo o conhecimento de mundo. “A tecnologia integra-se nessas habilidades uma vez que, para entender e explicar a realidade em que estamos inseridos precisamos considerar o fato de que vivemos num mundo digital. Com as tecnologias, trabalhamos em rede e é nessa rede que precisamos estar em constante processo de colaboração”, diz ela, destacando o uso da internet e sua dinâmica colaborativa, fazendo com que as informações circulem e se complementem.

Aliás, são as ferramentas on-line que auxiliam alunos a desenvolver o pensamento crítico, investigativo e argumentativo. “Pela internet circulam informações de todo tipo, sejam elas verdadeiras ou falsas, e que precisam ser pesquisadas considerando realidade e mito, verdade e mentira, permitindo a compreensão do que são fatos e que podem e devem ser compartilhados”, ressalta Rosa.

Competências sociais

Na BNCC, quando falamos sobre a dimensão do aluno na sociedade, categorizamos um grupo com as seguintes habilidades:

4) Repertório cultural;

5) Comunicação;

6) Cultura digital:

7) Responsabilidade e cidadania.

Mais uma vez, são as tecnologias e, principalmente, a internet que nos oferecem espaços de compartilhamento de informações, bem como a expressão de sentimentos e experiências. E o que são nossas manifestações senão expressões artísticas, culturais e sociais?

A expressão de nossos sentimentos, dos nossos quereres, dos nossos anseios de mudança – que configuram uma expressão artística, social e cultural – está disseminada nos domínios digitais. Além disso, por meio da rede de internet, hoje é possível ter acesso ao acervo de diversas instituições, desde galerias à museus, ampliando ainda mais o repertório cultural acessível”, enfatiza Rosa, lembrando também que a internet permite, de maneira fácil, que cada um possa produzir o seu próprio conteúdo.

Ao abordarmos outras das habilidades acima citadas, como a comunicação, lembramos que ela vai muito além do universo on-line da internet e dos aplicativos, envolvendo escrita, fala, expressões, gestos e demais linguagens corporais. Mesmo nesse sentido, temos o auxílio das tecnologias. “Nesse ponto, a educação digital deve ser muito mais que meramente utilitarista, mas também prezar pelo desenvolvimento de relações pautadas no respeito, responsabilidade e colaboração. E esses valores transcendem o espaço digital/tecnológico, tornando-se um aprendizado para a convivência na sociedade”, afirma Rosa.

Competências pessoais

Para o terceiro grupo de competências, Rosa elenca as seguintes habilidades:

8) Trabalho e projeto de vida;

9) Autoconhecimento e autocuidado;

10) Empatia e cooperação.

Ao atingirmos a esfera pessoal, bandeira levantada com força pela BNCC, Rosa considera que as competências e habilidades socioemocionais também estão diretamente ligadas à tecnologia, uma vez que o uso dessas ferramentas promove os relacionamentos interpessoais. “Esse relacionamento é necessário para sermos compreendidos e compreendermos o outro”, salienta.

Ainda na opinião de Rosa, o ambiente digital é capaz de nos ensinar, dia após dia, a trabalhar competências pessoais importantes, como a responsabilidade e o respeito: “Não temos como entender o mundo que vivemos sem considerar a tecnologia mantendo a liberdade, autonomia, criticidade e responsabilidade. É preciso saber o que compartilhar, como compartilhar, por que compartilhar. O respeito está intimamente relacionado às relações pessoais em qualquer ambiente seja ele tecnológico ou não”.

Mais tecnologia, maior a vigilância

A tecnologia é parte integrante do desenvolvimento educacional do indivíduo, mas assim como se torna um tema substancial na realidade dos colégios, pode trazer dúvidas para uma parcela de profissionais, instituições e até pais que se preocupam com exageros e limites éticos.

Para a tranqüilidade de quem traz essas dúvidas, é correto afirmar que, na BNCC, todas as competências irão passar pelas questões do trabalho ético e segurança da informação e que essas temáticas estão inseridas no contexto pedagógico do currículo.

“A BNCC não invalida a LDB, ela permite autonomia no que diz respeito à formação e informação e outros assuntos. A LDB fala sobre a compreensão da tecnologia e o desenvolvimento de atitudes e valores, que nada mais é do que o cuidado com a ética e a informação. Portanto, as escolas precisam levar em consideração essa temática dentro do ambiente escolar”, esclarece Rosa citando Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional.

Dicas:

Conheça alguns dos órgãos que podem auxiliar o colégio na busca por informações sobre ética e segurança da informação:

CGI.br – Site do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Órgão governamental que ajuda a regular a internet no Brasil e disponibiliza publicações relacionadas à ética e cidadania digital.

NIC.br – Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Órgão vinculado ao CGI e que apresenta informações relevantes para se trabalhar ética e cidadania digital em sala de aula.

Safernet.org.br – Associação civil de direito privado que trabalha a ética e a segurança da informação em todos os aspectos da sociedade, inclusive com apoio de vítimas de abuso na internet e material didático para todos os níveis de ensino.

O papel do aplicativo de comunicação na BNCC

Quando o assunto é BNCC e todas as transformações que ela prevê nas matrizes curriculares Brasil afora, fica fácil entender que a comunicação escolar se torna um item ainda mais importante para o colégio a partir de 2020. Afinal, como neste processo de adaptação à Base estão envolvidas as vidas de milhões de alunos, é essencial que haja uma comunicação fluida, segura e eficaz entre as instituições e os pais.

Nesse sentido, entram em ação ferramentas como o aplicativo de comunicação escolar, uma ferramenta tecnológica capaz de encurtar distâncias e facilitar o entendimento.

A comunicação deve ter um espaço privilegiado na família, na educação, seja em casa ou fora dela, no trabalho, nas relações pessoais, enfim, na vida”, afirma Rosa, que, sobre os aplicativos de comunicação escolar, ainda diz: “Esse tipo de ferramenta proporciona, na prática, como a ética pode ser utilizada. A aprendizagem funciona quando ela tem significado para o aprendiz. Sendo assim, ao utilizar a ferramenta o usuário pode aplicar o que aprendeu em palestras proporcionadas pela escola e dicas deixadas no próprio feed de notícias, inseridas pela escola ou pelo próprio app”.

Como o blog pode se tornar uma poderosa ferramenta no empoderamento digital de professores e alunos

Conheça o projeto do Colégio Teresiano que, há dez anos, acumula excelentes resultados na formação tecnológica de educadores e na criação de novas experiências digitais para os estudantes utilizando uma ferramenta gratuita e de fácil acesso

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O que significa empoderamento digital para você? Dominar uma nova ferramenta ou aplicativo do celular? Divulgar para o mundo seus talentos e tornar-se um Youtuber famoso? Para o Colégio Teresiano, da cidade do Rio de Janeiro, empoderamento digital significa ensinar professores de todas as áreas e idades a linguagem da programação, significa criar ambientes e aulas híbridas interativas espalhando mais de 50 pontos de wi-fi pelo prédio, significa compartilhar todo o conteúdo trabalhado em sala de aula por meio de blogs.

Sim, essa plataforma, que já não é mais novidade, mas que transformou e ainda transforma a comunicação da sociedade, é um importante instrumento de trabalho de professores e alunos do Teresiano há dez anos. Entre os resultados, estão uma maior participação dos alunos nas atividades, a proximidade dos pais com o conteúdo desenvolvido em sala e o engajamento e autonomia dos educadores no que tange as tecnologias educacionais e as transformações que a educação vem sofrendo.

No projeto, criado há dez anos pelas assessoras pedagógicas em conjunto com a coordenadora de tecnologias educacionais, Patrícia Siffert, cada professor cria seu próprio blog em plataformas gratuitas, personaliza suas páginas e insere todo o conteúdo para compartilhar com os alunos e pais. “Pelo blog, os professores conseguem compartilhar com os coordenadores o planejamento de aula, arquivos e e milhares de fichas de exercícios”, explica Patrícia.

 

Necessidade de sistematização

Tudo começou com um projeto de investigação do Fundamental II, que envolvia o desenvolvimento de um site. A ideia foi fazer com que os alunos não trabalhassem o tema somente nas aulas de informática, de maneira tradicional, mas sim, de forma híbrida e multidisciplinar.

Durante muitos anos trabalhando com novas tecnologias, via o professor condicionado ao sistema tradicional e não se apropriando delas. Eu inverti a situação, não transpondo papel, mas mostrando como a tecnologia o ajudaria. Os blogs surgiram dessa necessidade de sistematização”, conta a coordenadora, que, como resultado, vê professores mais empolgados, menos resistentes às mudanças e, consequentemente, com seus currículos mais atualizados.

 

Metodologia própria

Partindo do princípio do empoderamento da informação e transformação, o colégio desenvolveu sua própria metodologia de formação de professores e de ensino propriamente dita. Não existe uma plataforma única, os conteúdos multimídias são criados e adequados para diferentes softwares, como, por exemplo, orientação de estudo em vídeoaulas e conteúdo EAD complementares.

Com aulas de linguagem de programação no currículo, no Teresiano é comum encontrar professor de português e matemática programando e desenvolvendo seu próprio conteúdo multimídia. Tanto que, em setembro, o colégio promoverá o 1º Hackathon, maratona que deverá trazer soluções para problemas apresentados pela ONU com projetos de gameficação.

“Não tem como comprar nenhuma cápsula de conteúdo pronta, você desenvolve aquilo em que você acredita”, diz Patrícia.

 

Do blog para o aplicativo

Uma vez disponíveis no site da escola, os blogs, assim como os estudos dirigidos e avaliações, também são compartilhados pelo IsCool App, aplicativo utilizado para comunicação com os pais, e chegam para os usuários acompanharem em tempo real. Se o aluno falta, por exemplo, o pai e o próprio aluno podem acessar o conteúdo perdido pelo blog dentro do link do app.

Alunos do Fundamental I ao Ensino Médio são beneficiados com o projeto e também podem contribuir com o conteúdo. Os alunos, aliás, se empolgam com a exposição dos materiais que produziram e se engajam ainda mais com o uso de metodologias ativas, aprendendo a utilizar a tecnologia em seu próprio favor e de maneira orgânica.

 

Mais…

Conheça mais sobre a proposta pedagógica do Colégio Teresiano e tenha contato com os projetos de blogs desenvolvidos por professores e alunos clicando aqui.