Ensino Híbrido na prática

Um pequeno guia para sanar algumas dúvidas básicas sobre esse modelo de ensino que veio para ficar

Um dos maiores avanços no setor educacional é o ensino híbrido, que tem a capacidade de melhorar a relação ensino-aprendizagem e fazer do aluno o autor de sua história acadêmica, dando-lhe autonomia e garantia de uma boa relação interpessoal.

No Brasil, este modelo de aprendizagem ganhou força no momento em que as escolas aprenderam a ensinar de forma on-line. Porém, ainda é necessário vencer algumas barreiras regulatórias para inseri-las de fato no século 21.

Para a vice-presidente da Federação Nacional de Escolas Particulares (FENEP) e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), professora Amábile Pacios, será preciso rever a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para que a educação brasileira considere o ensino híbrido. “Esse modo de ensinar intermediado por uma mídia, tendo o aluno numa sala virtual, é um caminho sem volta, tanto no ensino superior, quando na educação básica”.

Ela foi uma das palestrantes do evento on-line Hibrida Experience, realizado entre os dias 24 e 27 de novembro de 2020, com organização da Humus Consultoria. “OCNE está de fato buscando a regulamentação para que as escolas não fiquem perdidas pós-pandemia”, ressalta.

Enquanto essa base legal aguarda homologação do Governo, preparamos um guia com algumas questões básicas sobre o ensino híbrido. Confira a seguir:

O que é o ensino híbrido?

O ensino híbrido é um modelo de educação que integra educação on-line e ensino offline (ou presencial). Mas, acima de tudo, esse modelo deve ser visto como um processo contínuo de ensino e não duas formas separadas, distintas e totalmente diferentes.

Com essa inter-relação, o que há de melhor em cada um dos ambientes é explorado, melhorando a experiência educacional do aluno e tornando-a mais significativa e eficiente.

Em resumo, trata-se da educação de uma geração que nasce conectada à internet e quer ter essa tecnologia em mãos, mas não o pode fazer sem a relação interpessoal com seus colegas e professores, o que é essencial para desenvolver a noção de comunidade, promover a maturidade emocional da criança e aumentar sua criatividade na vida.

Para a professora Thuinie Daros, já havia um consenso de que o ensino híbrido estava avançando antes mesmo da pandemia. “E se intensifica depois num cenário pandêmico, deixando de ser uma tendência e passando a ser uma solução”. A professora, que também é co-fundadora, consultora e palestrante na Téssera Educação, palestrou durante o Hibrida Experience.

De acordo com pesquisa recente “A nova realidade da educação”, com jovens brasileiros de até 16 anos, feita pelo Instituto Toluna para a Rede Globo, 73% acreditam que o ensino mudará para o formato híbrido, 58% passaram a ver de forma mais positiva o ensino on-line e 92% acreditam que o trabalho a distância (home office) será mais comum.

Quais são as vantagens dessa metodologia?

A principal e mais notória vantagem do ensino híbrido não é apenas permitir que o aluno tenha flexibilidade de ambiente e horário para estudar, mas também ter o contato social com seus colegas e professores.

Quando em sala de aula (ensino presencial), o aluno deve atender às estratégias educacionais propostas por seus professores. Ou seja, ele experimentará disciplina e relacionamento interpessoal.

Quando o estudante estiver em seu ambiente virtual (especialmente criado para ele desenvolver as atividades e pesquisas propostas), ele terá controle sobre os elementos que compõem a rotina convencional de estudo, como tempo, lugar e ritmo.

A grande vantagem do ambiente virtual é dar ao aluno a responsabilidade de cumprir tarefas com autonomia para escolher e tomar suas próprias decisões sobre alguns componentes dos estudos.

Às vezes, o aluno pode optar por estudar no laboratório de informática, em seu quarto, em sua sala de estar, ou mesmo na biblioteca da escola, usando instrumentos como celular, tablet ou computador. Com isso, o estudante adquire uma maior capacidade de coordenar as tarefas do cotidiano e melhorar sua disciplina.

Nos momentos de estudo presencial, realizados dentro da escola, o aluno interagirá socialmente com os professores, assim como com seus colegas de classe. Os estudos podem ser desenvolvidos em grupo ou individualmente.

O importante no ensino híbrido é entender que os dois momentos, on-line e offline, se complementam.

Qual é o papel do professor e do aluno nesse método?

Como a tecnologia é um elemento essencial nessa modalidade de ensino, educadores e alunos devem ter excelentes habilidades para lidar com isso, o que é extremamente comum nos dias atuais, afinal, todos eles têm celulares, tablets e computadores, e passam grande parte do tempo interagindo com essas equipes.

Os educadores precisam pensar na organização correta da sala de aula. O simples uso da organização tradicional não é recomendado ou mesmo eficaz. Além disso, devem desenvolver um plano pedagógico voltado para o ensino híbrido, essencial para garantir o pleno uso de todos os recursos possíveis.

Repensando as estratégias

O tempo na sala de aula e na própria escola precisa ser repensado e redimensionado

Existem várias estratégias que os professores aplicam, desde o início da aula, onde os alunos recebem conteúdos, mesmo antes do tempo em sala de aula, desde o processo de aprendizagem em casa, passando por estudos e os desafios estratégicos propostos pelo professor.

Em sala de aula, o professor cria dinâmicas de grupo e promove o debate entre os alunos, aprofundando os conteúdos.

Nesse processo, eles recebem os conteúdos das disciplinas e trabalham esses dados, enquanto os professores atuam refinando, fortalecendo e completando os desafios propostos. Com isso, os alunos desenvolvem novas habilidades.

O uso da gamificação para incentivar a aprendizagem também pode ser uma das estratégias propostas.

E qual é a influência do ensino híbrido no grau de aprendizagem?

Podemos dizer que a influência é enorme, pois tem a capacidade de se adaptar à velocidade de aprendizagem dos alunos, além de recorrer a recursos que as aulas tradicionais (apenas presenciais) não têm, ou que exploram pouco.

Podemos citar como exemplo, jogos interativos, vídeos que podem ser vistos várias vezes até que o conteúdo seja entendido, e momentos presenciais nos quais o aluno pode tirar suas dúvidas com os professores.

Quais são os modelos mais utilizados de ensino híbrido e como é possível utilizá-los?

O ensino híbrido pode ser explorado de várias formas, em diversos modelos. Em seguida, vamos listar e falar um pouco sobre os mais usuais e eficazes:

Sala de aula invertida

Na sala de aula invertida, a teoria de uma disciplina é estudada em casa, no ambiente virtual. O ambiente físico da escola é utilizado para realizar atividades, discussões e dinâmicas de grupo.

Como o aluno já teve contato com o tema em casa, ele terá um desempenho muito maior na sala, quando os professores usarão o tempo disponível para aprofundar e esclarecer conceitos e promover debates.

Após a aula, os alunos ainda podem ser convidados a estudar melhor os conteúdos estudados, pesquisando em livros, na web ou em outros meios de comunicação.

Laboratório rotacional

Neste modelo, a classe é dividida em dois grupos. Uma parte dos alunos permanecerá, por um período, responsável pela realização de tarefas no ambiente virtual (portanto, o laboratório de informática será amplamente utilizado).

Enquanto isso, o outro grupo fará suas atividades no ambiente offline (sala de aula, laboratório de ciências ou instalação de educação física). Depois, os grupos trocam suas posições.

Rotação por estações

Nesse caso, a sala de aula é dividida em estações, e, pelo menos, uma delas deve ter atividades on-line, com as ferramentas conectadas à Internet.

Após um tempo pré-estipulado, os alunos devem alternar entre as estações, que precisam ter atividades independentes umas das outras.

Rotação individual

Nesse modelo, o professor estabelece um itinerário específico para cada aluno, para que o mesmo passe pelas estações mais relevantes aos seus interesses ou supere suas dificuldades.

Como você pode ver, o ensino híbrido utiliza diversos recursos para melhorar a experiência educacional do aluno, tornando-o o protagonista de seu sucesso acadêmico. Além disso, é um formato que favorece o desenvolvimento da autonomia e a capacidade de tomar decisões.

Modelos de Ensino Híbrido

Para o professor Janes Fidelis Tomelin, diretor de qualidade na EAD da Associação Brasileira de Educação a Distancia (ABED) e pró-reitor de ensino EAD da Unicesumar, podemos atualmente dividir o ensino híbrido em 5 modelos:

  1. Modelo Híbrido presencial – 60% do tempo presencial e 40% virtual. Uma das vantagens é o maior acompanhamento do corpo docente.
  2. Modelo Híbrido semipresencial convencional – 20% do tempo presencial e 80% virtual. Entre as vantagens, está o vínculo com o tutor presencial.
  3. Modelo Híbrido com matriz curricular adaptada – 30% do tempo presencial e 70% virtual. Uma das principais vantagens é a maximização de recursos.
  4. Modelo Híbrido invertido ativo – 30% do tempo presencial e 70% virtual. A aprendizagem ativa por si é uma grande vantagem.
  5. Modelo Híbrido personalizado dinâmico – flexibilidade entre o tempo presencial e virtual. Ensino personalizado e aprendizagem colaborativa estão entre as vantagens.

“Particularmente, gosto bastante do modelo invertido ativo. Ele tem a previsão de encontros presenciais, além das experiências de laboratórios físicos e virtuais (simulados)”, explica Tomelin que apresentou palestra intitulada “Os diferentes modelos de ensino híbrido”, durante o evento Hibrida Experience.

E a sua escola, já utiliza o ensino híbrido? Comente abaixo! Queremos saber a sua opinião!

Coronavírus: O que é o modelo híbrido de aprendizagem e como ele pode ajudar no retorno às aulas presenciais?

O Ensino Híbrido tem sido visto como solução durante o período de pandemia, mas envolve uma verdadeira mudança de mindset; confira a opinião do especialista sobre assunto e veja o exemplo de sucesso da Escola Evangélica Betel, de Manaus, que já abriu as portas para seus alunos

Mesmo quem não sabe o significado exato do Ensino Híbrido, imagina que é o que acontecerá no retorno às aulas presenciais durante a pandemia do Covid-19: uma mistura de ensino presencial com ensino remoto.

Se levarmos em conta a experiência da Escola Evangélica Betel, de Manaus/AM, isso se torna possível de acontecer nos demais estados do Brasil a partir do momento em que abrirem novamente as salas de aula para seus professores e alunos.

De acordo com a diretora pedagógica do colégio, Helen Aguiar, a pandemia acelerou o processo de implementação do ensino híbrido. “Nós percebemos que houve a melhora do rendimento escolar dos alunos a partir do retorno do ensino presencial”, conta a gestora.

Preparação para a retomada

A escola, que utiliza o IsCool App há 3 anos, retornou com o ensino presencial na primeira semana de julho de 2020, quando o estado do Amazonas autorizou a reabertura.

Segundo ela, atualmente a escola corre para nivelar o conhecimento dos alunos e cumprir o ano letivo com sucesso. “Monitoramos semanalmente a saúde de todos e, qualquer caso suspeito, devemos informar às autoridades. Até hoje, não houve contaminação e estamos reafirmando todos os processos para que isso não venha ocorrer”, esclarece.

Helen conta que a escola hoje tem 1.070 alunos. “Iniciamos o ano de 2020 com 1.200 alunos. Tivemos essas perdas durante o período da pandemia, mais fortemente na educação infantil, por conta de motivos financeiros ou porque as famílias acharam que não estava atendendo ao contrato”, diz.

Saldo positivo

O início do retorno, de acordo com a diretora, foi bem temeroso por parte das famílias. “Ainda estavam inseguros, mesmo a escola sendo rigorosa em protocolos de saúde. Então optamos pelo retorno com rodízio de 50% semanal. Hoje eles se sentem mais seguros, tanto que o número de presentes na primeira semana era de 20% e hoje é de 50%, o máximo permitido”, detalha.

As aulas na capital do Amazonas foram suspensas em 17 de março de 2020, com o decreto do governo pedindo o distanciamento social. O colégio Betel passou então a utilizar o Ensino a Distância (EAD), através de plataformas de ensino já utilizada por eles.

“Nós usamos aulas síncronas e assíncronas, encontros semanais pelo Google Meeting e aulas enviadas pelo Google Classroom, além do envio de atividades impressas e pela plataforma”, explica. Apesar de a escola estar preparada para o ensino remoto, a diretora acredita que as famílias não estavam. “A adaptação foi mais difícil para a família, mas hoje estão um pouco mais adaptados”, diz.

Também houve bastante queda na participação e rendimento dos alunos durante o período de isolamento social, segundo ela. “Muitos alunos relataram desmotivação, não queriam participar porque achavam chato, entre outros motivos”.

Comunicação sem ruído

A escola Betel, além de já estar preparada em termos de equipamento e internet, também diz ter obtido a eficácia necessária na comunicação com o uso do aplicativo de comunicação IsCoolApp antes mesmo da pandemia. “Como já utilizamos o IsCoolApp, não tivemos ruído de comunicação com os pais, pois eles estavam acostumados”.

Essa comunicação foi, inclusive, fundamental para o plano de ação de retorno às aulas presenciais. “Fizemos um plano de ação, com consultorias externas na área de educação e saúde para alinhar as práticas, principalmente em relação aos protocolos de segurança”, explica Helen.

De acordo com ela, a escola fez uma pesquisa em relação aos pais sobre o desejo de retornar ou não às aulas presenciais. “74% ficou a favor do retorno, mas ainda assim havia aqueles se sentindo inseguros. Diante disso, a escola optou por voltar a aula presencial, porém mantendo o ensino remoto para aqueles que preferiram ficar em casa”, ressalta.

Para a diretora, o aprendizado dessa experiência toda é que pessoas precisam de pessoas. “A educação é a base da nossa sociedade, é muito mais importante estarmos juntos, do que passar apenas conteúdo para eles. Esperamos que em 2021, não estejamos mais sofrendo pela questão do Covid”, finaliza.

O que é Ensino Híbrido?

Alguns especialistas falam apenas de uma mistura entre o ensino presencial e on-line. O fato é que existem muitas definições para o Ensino Híbrido, segundo Leandro Holanda, coautor do livro “Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação“.

“Defendo muito o ensino híbrido que fala de uma integração, como eu integro em sala de aula as atividades que são feitas presencialmente com as atividades on-line, como vou ajudar na personalização do processo, para que o estudante possa controlar de alguma forma o tempo e o ritmo no qual ele aprende”, diz Leandro, antecipando que essa definição é apoiada pelo pesquisador norte-americano Clayton Christensen, que inspirou sua obra.

Essa definição nasce de práticas das escolas inovadoras, pela observação, “Visitando escolas é que se chegou a essa definição e aos modelos de ensino híbrido, como sala de aula invertida, a rotação por estações ou mesmo a rotação individual”, acrescenta.

Para ele, a pandemia trouxe o assunto mais à tona, mas de maneira equivocada. “As pessoas estão relacionando educação remota com o ensino híbrido, mas poucas escolas estão fazendo ensino híbrido de verdade”, alerta.

De acordo com o especialista, muitas escolas estão preocupadas em sobrepor os momentos em que parte dos alunos estará em casa, enquanto outra parte estará na escola.

“Algumas escolas comentam que vão gravar as aulas, ou seja, as mesmas aulas que serão assistidas pelos alunos presenciais, serão vistas por quem ficou em casa. Perde-se aí muito essa possibilidade de integrar”.

E completa: “O grupo que poderia ter explorado algo on-line, poderia estar fazendo algo em casa e vice-versa. Algumas escolas estão avançando, mas há muito que avançar. No começo da pandemia não teve a oportunidade, mas agora terá tempo para se fazer essa análise, olhando e se inspirando no ensino híbrido”.

Risco de superficialização

O principal risco, segundo Leandro Holanda, é a superficializaçãodos processos do Ensino Híbrido, principalmente aqueles movidos a muita tecnologia, que não aprofundam no conhecimento.

Algumas escolas acham que a sala de aula invertida e rotação por estações é uma gincana, quando na verdade não é. Acho que tem uma janela de oportunidade imensa, mas ao mesmo tempo, a gente tem um problema nos próprios conceitos. Conceitos equivocados que não têm nada a ver com o conceito de ensino híbrido”, diz.

Segundo Holanda, que também é sócio da Tríade Educacional, o ensino híbrido é uma oportunidade para que os professores consigam integrar a transformação digital na sala de aula.

“Pensar no que faz sentido e no que se integra com as melhores práticas que faz o aluno aprender. Não apenas focar na tecnologia que fica de maneira superficial, não integrada ao processo de aprendizagem do estudante. É uma oportunidade que vai subsidiar a transformação das pessoas, é o que vai fazer com que a transformação digital faça sentido”, afirma.

O especialista acredita que o Ensino Híbrido pode dar certo se houver primeiro uma conscientização da importância da formação dos professores. “Formação de professores que faça com que o docente faça, reflita, não seja apenas teórica, sem planejar, sem compartilhar com outros professores. Essa formação pensada em homologia de processos, que ele vivencie o ensino híbrido como aluno”, explica.

Leandro lembra que o professor dá aula como ele aprendeu. “É preciso garantir esses momentos que também vão ser baseados em metodologias ativas, que eles vivenciem e possam levar para sua prática docente”. 

Educação híbrida tem futuro?

Para o especialista, já existem no momento presente alguns modelos de ensino híbrido que são mais inovadores. “Esses dependem de uma estrutura de organização de horários e espaço físico, mas alguns dependem mais do mindset, da forma de pensar do gestor e professor escolar”, ressalta.

O papel do gestor é muito importante, segundo Holanda, pois ajuda os professores nessa visão e na formação, garantindo momentos na dinâmica deles para reflexão de suas práticas. “Os professores devem passar por uma formação mais ativa, não apenas passando aquele monte de conceitos em slides, que hoje não faz mais sentido na formação de professores”, diz.

Projeto inicial

A experiência com o ensino híbrido de Leandro Holanda veio da sala de aula. “Em 2014, participei de um grupo de experimentação de ensino híbrido que foi um projeto da Fundação Lemann e do Instituto Península. Outros educadores também participaram”, conta.

Segundo ele, ficaram um ano planejando juntos, aplicando as práticas, refletindo sobre as aplicações, entendendo um pouco desses modelos e, no final, escreveram um livro contando um pouco sobre essa experiência. “Passando um pouco dessas experiências, mas também dando uma passada pela literatura e referências que ajudava a gente a desenvolver sobre o ensino híbrido e sobre a importância da integração”.

Em 2016, Leandro e seu sócio fundaram a Tríade Educacional, uma consultoria pensando em inovação, metodologias ativas e ensino híbrido. “Temos um trabalho focado na formação de professores, com inovação, tanto em tecnologia, quanto em processos e desenvolvimento do docente para pensar em estratégias que vão colocar o aluno no centro do processo”, conclui.

Sala de aula invertida na prática: o que é e como implantar

Criado há pouco mais de dez anos, o modelo de organização de sala de aula é mais uma das opções destacadas pelas metodologias ativas; escolas têm adaptado a tendência a seus próprios métodos na busca por resultados ainda mais eficazes

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Cadeiras enfileiradas, cadernos e livros como principal ferramenta de uso do aluno, salas de aula fechadas e totalmente emparedadas, protagonismo do professor… o modelo de ensino do século passado ainda é o mais utilizado em escolas do mundo todo porque também prova ser eficaz em muitos pontos. Entretanto, essa imagem de organização tem, aos poucos, se dissolvido mediante tantas transformações pelas quais a sociedade transcende.

Novas ferramentas, principalmente baseadas em tecnologias educacionais, dão espaço ao que chamamos de ensino híbrido, cuja intenção é oferecer diversas opções de aprendizado ao aluno. Uma das metodologias ativas inseridas nesse cenário, e que cada vez mais ganha a atenção de gestores escolares, é a Sala de Aula Invertida, que, de maneira resumida, traz o aluno como explorador do conteúdo e o professor com o papel (não menos importante) de mediador do aprendizado.

Unida a outras técnicas e metodologias, a Sala de Aula Invertida tem sido aproveitada com êxito por gestores educacionais Brasil afora. Mas nada de mudanças radicais ou de puro modismo, o segredo de quem aplica o conceito está na capacidade uni-lo às práticas já consagradas pela instituição, de maneira orgânica.

 

Mais que uma tendência, uma necessidade

A Sala da Aula Invertida surgiu nos Estados Unidos, entre os anos de 2006 e 2007, em grandes universidades americanas. Um dos precursores do chamado flipped classroom é o professor de química da Universidade do Colorado, Jonathan Bergmann, que, com base em pesquisas, defende o método de flipped learning como sendo o mais eficaz no aprendizado em qualquer idade.

Mais eficaz ou não, na prática, a verdade é que o método tem características diferenciadas. “A chamada sala de aula invertida é, dentro outros, um dos modelos de organização do ensino híbrido, que pressupõe que haja várias maneiras de aprender, em vários lugares e que alterna momentos em que o aluno estuda sozinho – normalmente em ambientes digitais – e em grupo – quando está em sala de aula com o professor e com os colegas”, explica Márcia Rosiello Zenker, educadora, psicóloga clínica e educacional e consultora associada da Humus Consultoria Educacional.

A Sala de Aula Invertida envolve as TDICs – Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação, por isso ganha a atenção da comunidade escolar. “É uma tendência e uma necessidade as escolas usarem, cada vez mais, metodologias ativas. A sala de aula invertida é apenas um modelo que serve a essa metodologia. Hoje, com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), em que se propõe o desenvolvimento do protagonismo do estudante e a inserção das TDICs, mais do que nunca são importantes e bem-vindas todas as formas de organização do conhecimento. E a sala de aula invertida é uma delas”, afirma Márcia.

 

O exemplo do Colégio Emilie de Villeneuve

No Colégio Emilie de Villeneuve, que utiliza o IsCool App como plataforma de gestão de comunicação, o conceito da Sala de Aula Invertida faz parte da estratégia de ensino de forma orgânica, pois está inserido em todos os espaços de aprendizagem da instituição. “Todos os espaços de aula, como laboratórios de ciências, informática, línguas, cozinha experimental , entre outros, são utilizados de forma a permitir ao aluno a construção ativa de seu conhecimento e não apenas reproduzir sequências didáticas”, conta Marizilda Escudeiro de Oliveira, Coordenadora Pedagógico-Educacional do Ensino Médio e da EJA – Educação de Jovens e Adultos do colégio localizado na capital paulista.

Comprometido com o aprendizado hibrido e com a difusão do que há de mais atual em tecnologias educacionais, o Colégio Emilie de Villeneuve se pauta nos bons resultados obtidos com a unificação de metologias no espaço maker, uma sala de aula para aprendizagem criativa, que contou com investimento em mobiliário próprio para se adaptar de acordo com a necessidade de cada grupo. “Esta sala vai além da aula invertida. Os alunos desenvolvem projetos no plano digital e os tornam reais com a ajuda de sensores, impressora 3D, cortadora a lazer. Desta forma constroem conceitos, desenvolvem habilidades transitando entre uma ideia, um projeto e a sua execução. Os ganhos com a utilização desta sala estão relacionados à aplicação direta nas questões do cotidiano”, ressalta a coordenadora.

 

Uma questão de adaptação

O fato é que as escolas têm adaptado as metodologias ativas à sua realidade e aos seus fundamentos. Em matéria recente, citamos o exemplo do Colégio Teresiano, do Rio de Janeiro, que utiliza diversas ferramentas, entre elas o blog, para promover o empoderamento digital. O próprio colégio, que também aposta no IsCool App para comunicar e integrar as famílias sobre as atividades desenvolvidas em classe, cita que reservou um andar inteiro para a criação de salas de aulas interativas, em que o aluno pode mesclar o uso de computador, tablet, celular, impressoras 3D e livros simultaneamente.

Espaços híbridos, aliás, também já foram tema para um dos textos mais lidos deste blog, a matéria sobre arquitetura escolar. Com especialistas no assunto, o texto fala da importância da quebra de paradigmas no design das salas de aula contemporâneas e cita exemplos de como essas adaptações podem ser aplicadas em cada colégio, alinhando demandas e orçamento.

 

As vantagens da sala de aula invertida na prática

Especialista em história da educação brasileira, Márcia Rosiello Zenker elenca os principais ganhos refletidos pela sala de aula invertida, de acordo com declarações colhidas por ela de professores e alunos. Confira:

  • Maior interatividade, tanto entre os alunos como entre alunos e professor;
    Aumento no nível de colaboração entre os alunos e estímulo ao compartilhamento do conhecimento por parte deles;
  • Crescimento da motivação e interesse dos alunos em aprender;
  • Ampliação do interesse pelo conhecimento para além dos muros da escola, chegando, muitas vezes, aos familiares;
  • Apropriação, pelos alunos, da construção do conhecimento;
  • Facilitação de identificação das dificuldades dos alunos pelo professor, possibilitando que ele redirecione o estudante para novas atividades.