BNCC na escola: como o professor pode implementar

2020 chega e ainda há uma sensação de dúvida entre educadores sobre a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nas escolas.

De acordo com cronograma do Ministério da Educação e Cultura (MEC) os currículos de ensino devem estar adequados à luz da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no máximo, até o início do ano letivo, para que já sejam utilizados nas escolas. Porém, ainda há uma sensação entre os docentes de que a implementação da Base será difícil.

“A BNCC só funciona se tivermos um bom professor”, declarou Pedro Demo, técnico de planejamento e Pesquisa do IPEA e professor da Universidade de Brasília, durante palestra “A autoridade do professor e do aluno”, apresentada em julho desse ano, em Porto Alegre.

“Esse é o grande desafio: como conseguir que os professores entrem no século 21. Sejam autores, cientistas e pesquisadores, para puxar o estudante para o protagonismo de sua sociedade”.

Pedro Demo foi um dos palestrantes do 15° Congresso do Ensino Privado Gaúcho, evento organizado pelo Sinepe – RS que contou também com o IsCool App na área de expositores. Inclusive, já postamos no blog a cobertura do Congresso e Feira. Se você ainda não leu, confira:

IsCool App é destaque no 15° Congresso do Ensino Privado Gaúcho

Vale lembrar que a BNCC é o documento que regulamenta quais são as aprendizagens essenciais que todo aluno, seja ele de escola pública ou particular, deve desenvolver. Foi uma construção conjunta do Ministério da Educação e Cultura (MEC) em parceria com estados e municípios, e contando com mais de 12 milhões de contribuições de educadores e especialistas nacionais e internacionais.

De pernas para o ar

“A BNCC virou tudo de pernas para o ar”, avaliou a pedagoga Priscila Boy, durante a palestra “A formação do professor na Perspectiva da BNCC”, no 15° Congresso do Ensino Privado Gaúcho.

“Não tem conteúdo isolado, não tem metodologia, não tem área, não tem componente. Precisamos entender esse novo caminho – desenvolver competências e habilidades – e ressignificar nosso trabalho”.

De acordo com a pedagoga, a BNCC é um documento normativo que define as aprendizagens essenciais. “Por isso, posiciona-se na perspectiva de competências e habilidades. A habilidade traz dentro dela o conteúdo: ele não sai de cena, está lá, mas dentro de um contexto”.

A BNCC traz as aprendizagens essenciais a alcançar, segundo Priscila Boy. “A estrutura está posta. Temos dez competências gerais que seguem todas as etapas, da Educação Infantil ao Ensino Médio”. Inclusive, o blog do IsCool App já publicou um especial sobre a BNCC. Saiba mais em:

A palestrante acrescenta que a BNCC traz um olhar especial sobre:

  • A influência da tecnologia no cenário político;
  • O papel da mulher;
  • O combate ao racismo.

“Estudar não é suficiente, precisamos fazer os alunos proporem ações concretas para dirimir as desigualdades”, diz Priscila.

Da Educação infantil ao Ensino Médio

Segundo o MEC, a BNCC é o instrumento que ajudará a promover a qualidade e a equidade, garantindo que toda criança e jovem brasileiro tenha os mesmos direitos de aprendizagem, independentemente de onde estuda. Além disso, a Base é o que irá nortear os currículos dos estados e municípios de todo o Brasil.

Porém, alguns pontos ainda trazem dúvidas aos educadores e merecem ser discutidos. Afinal, a educação infantil é uma importante etapa na formação escolar, tanto que foi lançado o documentoBNCC na educação infantil com orientações para gestores municipais”.

De acordo com Priscila Boy, a educação infantil mudou radicalmente: em vez de áreas, há campos de experiências.

“A BNCC abre o texto, dizendo ‘na Educação Infantil a criança viveu experiências; vamos fazer uma retomada dos campos.’  Quer dizer: você está recebendo uma criança. Calma! Ela não sabe ler ainda ou sabe pouca coisa. Ela viveu experiências, criou hipóteses, acha que “guardanaple” é guardanapo e agora você tem dizer para ela que não é”.

No Ensino Fundamental , temos a perspectiva do aluno como protagonista e não só usuário. “Isso vai exigir uma mudança de postura, na forma de organizar, na forma de avaliar”. Já no ensino médio, não haverá mais posicionamento por componente curricular, como no Ensino Fundamental. “Está parecido com o Ensino Infantil, porque as áreas dialogam o tempo inteiro, e tem uma parte flexível, que o aluno vai escolher”, explica Priscila.

E completa: “Se você não dominar o conteúdo daquele componente, não vai fazer um itinerário assertivo”. Segundo o Censo Escolar, 12,7% dos alunos da 1ª série do Ensino Médio abandonaram os estudos entre 2014 e 2015, no Brasil. A evasão é um dos problemas do Ensino Médio atual e também um dos desafios para a implementação da BNCC.

Diante desse cenário ainda nebuloso, algumas iniciativas estão surgindo para apoiar o professor em sala de aula nesse momento de transição para a BNCC. Afinal, como vimos, caberá ao professor a missão de ensinar e incentivar os alunos nesse novo capítulo da educação brasileira. É o caso do e-book E-Nave 2 que reúne diversas práticas pedagógicas para inspirar educadores.

Poesia visual, design thinking, modelagem 3D, memes, além de experiências que trabalham a trajetória e a identidade dos estudantes. Essas são algumas das ideias apresentadas no livro. O e-book sistematiza atividades mão na massa que foram testadas e desenvolvidas por educadores do NAVE (Núcleo Avançado em Educação) em duas escolas públicas, no Rio de Janeiro (Colégio Estadual José Leite Lopes) e no Recife (Escola Técnica Estadual Cícero Dias).

Baixe gratuitamente o e-book no site Oi Futuro

Distribuído gratuitamente por meio da Plataforma Integrada de Recursos Educacionais Digitais do MEC e pelo site do Oi Futuro, o e-book apresenta estratégias para engajar o aluno do século 21, incluindo atividades mão na massa, voltadas para todas as áreas do conhecimento e componentes curriculares, da formação básica ou profissional e tecnológica.