Coronavírus: O que é o modelo híbrido de aprendizagem e como ele pode ajudar no retorno às aulas presenciais?

O Ensino Híbrido tem sido visto como solução durante o período de pandemia, mas envolve uma verdadeira mudança de mindset; confira a opinião do especialista sobre assunto e veja o exemplo de sucesso da Escola Evangélica Betel, de Manaus, que já abriu as portas para seus alunos

Mesmo quem não sabe o significado exato do Ensino Híbrido, imagina que é o que acontecerá no retorno às aulas presenciais durante a pandemia do Covid-19: uma mistura de ensino presencial com ensino remoto.

Se levarmos em conta a experiência da Escola Evangélica Betel, de Manaus/AM, isso se torna possível de acontecer nos demais estados do Brasil a partir do momento em que abrirem novamente as salas de aula para seus professores e alunos.

De acordo com a diretora pedagógica do colégio, Helen Aguiar, a pandemia acelerou o processo de implementação do ensino híbrido. “Nós percebemos que houve a melhora do rendimento escolar dos alunos a partir do retorno do ensino presencial”, conta a gestora.

Preparação para a retomada

A escola, que utiliza o IsCool App há 3 anos, retornou com o ensino presencial na primeira semana de julho de 2020, quando o estado do Amazonas autorizou a reabertura.

Segundo ela, atualmente a escola corre para nivelar o conhecimento dos alunos e cumprir o ano letivo com sucesso. “Monitoramos semanalmente a saúde de todos e, qualquer caso suspeito, devemos informar às autoridades. Até hoje, não houve contaminação e estamos reafirmando todos os processos para que isso não venha ocorrer”, esclarece.

Helen conta que a escola hoje tem 1.070 alunos. “Iniciamos o ano de 2020 com 1.200 alunos. Tivemos essas perdas durante o período da pandemia, mais fortemente na educação infantil, por conta de motivos financeiros ou porque as famílias acharam que não estava atendendo ao contrato”, diz.

Saldo positivo

O início do retorno, de acordo com a diretora, foi bem temeroso por parte das famílias. “Ainda estavam inseguros, mesmo a escola sendo rigorosa em protocolos de saúde. Então optamos pelo retorno com rodízio de 50% semanal. Hoje eles se sentem mais seguros, tanto que o número de presentes na primeira semana era de 20% e hoje é de 50%, o máximo permitido”, detalha.

As aulas na capital do Amazonas foram suspensas em 17 de março de 2020, com o decreto do governo pedindo o distanciamento social. O colégio Betel passou então a utilizar o Ensino a Distância (EAD), através de plataformas de ensino já utilizada por eles.

“Nós usamos aulas síncronas e assíncronas, encontros semanais pelo Google Meeting e aulas enviadas pelo Google Classroom, além do envio de atividades impressas e pela plataforma”, explica. Apesar de a escola estar preparada para o ensino remoto, a diretora acredita que as famílias não estavam. “A adaptação foi mais difícil para a família, mas hoje estão um pouco mais adaptados”, diz.

Também houve bastante queda na participação e rendimento dos alunos durante o período de isolamento social, segundo ela. “Muitos alunos relataram desmotivação, não queriam participar porque achavam chato, entre outros motivos”.

Comunicação sem ruído

A escola Betel, além de já estar preparada em termos de equipamento e internet, também diz ter obtido a eficácia necessária na comunicação com o uso do aplicativo de comunicação IsCoolApp antes mesmo da pandemia. “Como já utilizamos o IsCoolApp, não tivemos ruído de comunicação com os pais, pois eles estavam acostumados”.

Essa comunicação foi, inclusive, fundamental para o plano de ação de retorno às aulas presenciais. “Fizemos um plano de ação, com consultorias externas na área de educação e saúde para alinhar as práticas, principalmente em relação aos protocolos de segurança”, explica Helen.

De acordo com ela, a escola fez uma pesquisa em relação aos pais sobre o desejo de retornar ou não às aulas presenciais. “74% ficou a favor do retorno, mas ainda assim havia aqueles se sentindo inseguros. Diante disso, a escola optou por voltar a aula presencial, porém mantendo o ensino remoto para aqueles que preferiram ficar em casa”, ressalta.

Para a diretora, o aprendizado dessa experiência toda é que pessoas precisam de pessoas. “A educação é a base da nossa sociedade, é muito mais importante estarmos juntos, do que passar apenas conteúdo para eles. Esperamos que em 2021, não estejamos mais sofrendo pela questão do Covid”, finaliza.

O que é Ensino Híbrido?

Alguns especialistas falam apenas de uma mistura entre o ensino presencial e on-line. O fato é que existem muitas definições para o Ensino Híbrido, segundo Leandro Holanda, coautor do livro “Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação“.

“Defendo muito o ensino híbrido que fala de uma integração, como eu integro em sala de aula as atividades que são feitas presencialmente com as atividades on-line, como vou ajudar na personalização do processo, para que o estudante possa controlar de alguma forma o tempo e o ritmo no qual ele aprende”, diz Leandro, antecipando que essa definição é apoiada pelo pesquisador norte-americano Clayton Christensen, que inspirou sua obra.

Essa definição nasce de práticas das escolas inovadoras, pela observação, “Visitando escolas é que se chegou a essa definição e aos modelos de ensino híbrido, como sala de aula invertida, a rotação por estações ou mesmo a rotação individual”, acrescenta.

Para ele, a pandemia trouxe o assunto mais à tona, mas de maneira equivocada. “As pessoas estão relacionando educação remota com o ensino híbrido, mas poucas escolas estão fazendo ensino híbrido de verdade”, alerta.

De acordo com o especialista, muitas escolas estão preocupadas em sobrepor os momentos em que parte dos alunos estará em casa, enquanto outra parte estará na escola.

“Algumas escolas comentam que vão gravar as aulas, ou seja, as mesmas aulas que serão assistidas pelos alunos presenciais, serão vistas por quem ficou em casa. Perde-se aí muito essa possibilidade de integrar”.

E completa: “O grupo que poderia ter explorado algo on-line, poderia estar fazendo algo em casa e vice-versa. Algumas escolas estão avançando, mas há muito que avançar. No começo da pandemia não teve a oportunidade, mas agora terá tempo para se fazer essa análise, olhando e se inspirando no ensino híbrido”.

Risco de superficialização

O principal risco, segundo Leandro Holanda, é a superficializaçãodos processos do Ensino Híbrido, principalmente aqueles movidos a muita tecnologia, que não aprofundam no conhecimento.

Algumas escolas acham que a sala de aula invertida e rotação por estações é uma gincana, quando na verdade não é. Acho que tem uma janela de oportunidade imensa, mas ao mesmo tempo, a gente tem um problema nos próprios conceitos. Conceitos equivocados que não têm nada a ver com o conceito de ensino híbrido”, diz.

Segundo Holanda, que também é sócio da Tríade Educacional, o ensino híbrido é uma oportunidade para que os professores consigam integrar a transformação digital na sala de aula.

“Pensar no que faz sentido e no que se integra com as melhores práticas que faz o aluno aprender. Não apenas focar na tecnologia que fica de maneira superficial, não integrada ao processo de aprendizagem do estudante. É uma oportunidade que vai subsidiar a transformação das pessoas, é o que vai fazer com que a transformação digital faça sentido”, afirma.

O especialista acredita que o Ensino Híbrido pode dar certo se houver primeiro uma conscientização da importância da formação dos professores. “Formação de professores que faça com que o docente faça, reflita, não seja apenas teórica, sem planejar, sem compartilhar com outros professores. Essa formação pensada em homologia de processos, que ele vivencie o ensino híbrido como aluno”, explica.

Leandro lembra que o professor dá aula como ele aprendeu. “É preciso garantir esses momentos que também vão ser baseados em metodologias ativas, que eles vivenciem e possam levar para sua prática docente”. 

Educação híbrida tem futuro?

Para o especialista, já existem no momento presente alguns modelos de ensino híbrido que são mais inovadores. “Esses dependem de uma estrutura de organização de horários e espaço físico, mas alguns dependem mais do mindset, da forma de pensar do gestor e professor escolar”, ressalta.

O papel do gestor é muito importante, segundo Holanda, pois ajuda os professores nessa visão e na formação, garantindo momentos na dinâmica deles para reflexão de suas práticas. “Os professores devem passar por uma formação mais ativa, não apenas passando aquele monte de conceitos em slides, que hoje não faz mais sentido na formação de professores”, diz.

Projeto inicial

A experiência com o ensino híbrido de Leandro Holanda veio da sala de aula. “Em 2014, participei de um grupo de experimentação de ensino híbrido que foi um projeto da Fundação Lemann e do Instituto Península. Outros educadores também participaram”, conta.

Segundo ele, ficaram um ano planejando juntos, aplicando as práticas, refletindo sobre as aplicações, entendendo um pouco desses modelos e, no final, escreveram um livro contando um pouco sobre essa experiência. “Passando um pouco dessas experiências, mas também dando uma passada pela literatura e referências que ajudava a gente a desenvolver sobre o ensino híbrido e sobre a importância da integração”.

Em 2016, Leandro e seu sócio fundaram a Tríade Educacional, uma consultoria pensando em inovação, metodologias ativas e ensino híbrido. “Temos um trabalho focado na formação de professores, com inovação, tanto em tecnologia, quanto em processos e desenvolvimento do docente para pensar em estratégias que vão colocar o aluno no centro do processo”, conclui.

Aprendizagem Cooperativa: o estímulo à inteligência coletiva

Conheça a Metodologia Ativa que garante o desenvolvimento de competências importantes previstas pela BNCC, como o trabalho em grupo, e saiba como os colégios conciliam esta prática a tantas outras já previstas no currículo

Contribuir… E assim, também ganhar. Ganhar conhecimento, aumentar o repertório colhendo opiniões diversas, aprender a conviver em sociedade, tornar-se um adulto e profissional com empatia e capaz de resolver conflitos. E qual o melhor lugar para se reforçar esses princípios se não as salas de aula, hoje abertas para as atividades socioemocionais e o desenvolvimento integral de crianças e jovens?

Totalmente alinhada à BNCC – Base Nacional Comum Curricular, a Aprendizagem Cooperativa ganha forças e se estabelece como uma das metodologias que mais contribui para o projeto curricular do colégio. Isso porque garante a vivência prática de diversas competências importantes para os alunos sem demandar grandes reestruturações do espaço, do corpo pedagógico ou da linha de ensino seguida pela instituição.

Baseada no trabalho em grupo, a Aprendizagem Cooperativa estimula que alunos se ajudem, discutam entre si e resolvam problemas em conjunto, dando voz ativa e protagonismo a cada um dos envolvidos a fim de absorver o conteúdo de maneira efetiva e com ganhos ainda maiores em aspectos socioemocionais.

Complementar para potencializar resultados

A Aprendizagem Cooperativa chega para somar-se às Metodologias Ativas essenciais da educação do século 21. Um colégio pode, por exemplo, aplicar tranquilamente os princípios do trabalho em conjunto junto a qualquer metodologia de ensino híbrido, como Aprendizagem Baseada em Projetos ou a Sala de Aula Invertida. Basta que o colégio se planeje para aplicar a atividade no momento certo, de forma que o grupo possa viver o conteúdo acadêmico de maneira maximizada em grupo.

Seja na aula de gameficação do ensino médio ou no projeto experimental desenvolvido pelos alunos do Ensino Fundamental, as técnicas da Aprendizagem Cooperativa Kagan estão presentes em cada etapa e de maneira interdisciplinar dentro do Colégio Guilherme Dumont Villares, de São Paulo. Implantada há cerca de três anos, a metodologia conquistou todo o corpo docente local, garantindo resultados positivos no desenvolvimento dos alunos.

“Já sentimos os benefícios da introdução dos métodos de aprendizagem em pares, em grupos e em outras estruturas de apoio e ajuda mútua entre nossos estudantes. O princípio fundamental é o compartilhamento nas salas e em outros ambientes de aprendizagem em que os alunos atuam colaborativamente”, conta Eliana Baptista Pereira Aun, diretora geral do colégio do colégio da zona sul paulistana que conta com mais de 1500 alunos.

Ainda sobre os resultados positivos da iniciativa, Eliana complementa: “Ao combinar nossa participação com a de outras pessoas, criamos uma ‘inteligência coletiva’ que, na ação educativa, potencializa o processo de aprendizagem, gerando resultados mais eficien­tes para todos os alunos, seja individual ou personalizadamente”.

O professor é maestro

O segredo do sucesso com a Aprendizagem Cooperativa, não só no Colégio Guilherme Dumont, mas em todos os que se propuseram a aplicar a metodologia, está na capacitação do professor, que assume o papel de regente da turma, garantindo a participação de cada um dos alunos envolvidos.

“A sala de aula cooperativa constrói-se desde o primeiro dia de aula e depende em grande parte da capacidade do professor em criar o espaço e a disponibilidade para que todos se conheçam mutuamente e comecem a se interessar uns pelos outros. A aplicação da metodologia se faz presente quando o professor aplica as Estruturas de Aprendizagem em sua sala de aula”, explica Andressa Dozzi Tezza docente com experiência de mais de dez anos no ensino básico e atualmente formadora internacional certificada na metodologia de Aprendizagem Cooperativa Kagan e Ensino Baseado no Funcionamento do Cérebro.

Parte da equipe Future Kids – empresa que há mais de 20 anos prega a inovação e a transformação educacional no Brasil por meio da Aprendizagem Cooperativa – Andressa explica que os professores passam por formação específica de 5 módulos, totalizando 30 horas de curso dividido em 6 partes cada.

“É uma formação extremamente prática, em que os professores vivenciam exatamente o que os alunos vivenciarão a partir da aplicação das estruturas de aprendizagem em sala de aula. É também uma formação bem personalizada, pois, muitas vezes solicitamos ao coordenador pedagógico alguns temas que serão trabalhos dentro do conteúdo programático de cada professor para usar os exemplos durante a formação, deixando assim a formação de professores ainda mais personalizada”, diz ela, que também é uma das responsáveis pela aplicação da Aprendizagem Cooperativa Kagan no Colégio Guilherme Dumont Villares.

Aprendizagem Cooperativa Kagan

Criada em 1985 pelo psicólogo e professor Dr. Spencer Kagan a partir do lançamento de seu livro “Cooperative Learning Stuctures” pela Universidade de Berkley, na California, a aprendizagem cooperativa Kagan é a mais difundida no cenário educacional hoje. Estruturada, essa metodologia se caracteriza por conter 4 princípios básicos, chamados também de PIPA, que são: Participação Equivalente, Interdependência Positiva, Produção Individual e Alta Interação Simultânea.

Esses princípios diferenciam a metodologia Kagan de um simples trabalho em grupo ou outras Metodologias Ativas. “Nesta metodologia se distribuem as responsabilidades e, ao longo do tempo, todos têm oportunidade de experimentar diferentes papéis no grupo. Alguns benefícios de sua aplicação são a organização de grupos de trabalho eficazes, gerenciamento de sala de aula, identidade de grupo, identidade de sala de aula, entre outras”, exemplifica Andressa.

Um fato interessante sobre a metodologia Kagan é o próprio motivo que levou à sua criação. Enquanto professor de psicologia em Berkley, Dr. Kagan encontrava dificuldades em propor aos alunos atividades que demandassem trabalho em equipe. Essa falta de interação prejudicava os alunos que, quando saíam da faculdade, demoravam a encontrar um emprego devido à falha de desenvolvimento de suas habilidades sociais. Dr. Kagan, então, começou a estruturar um método em que os alunos pudessem compartilhar ideias uns com os outros. “As estruturas foram cuidadosamente planejadas para promover o desempenho, engajamento, habilidades de raciocínio e habilidades socioemocionais”, diz Andressa.

Os 12 principais benefícios da aprendizagem cooperativa:

  • Leva em consideração os diferentes estilos de aprendizagem;
  • Desenvolve habilidades cognitivas de alto nível;
  • Aumenta a satisfação dos estudantes com a experiência de aprender;
  • Incentiva os alunos a assumir a responsabilidade por sua aprendizagem;
  • Estabelece expectativas elevadas para alunos e professores;
  • Desenvolve a empatia – a capacidade de enxergar as situações do ponto de vista do outro;
  • Ajuda os alunos a focar nas tarefas, como consequência há menos indisciplina;
  • Desenvolve habilidades de interação social;
  • Tem semelhança com situações da vida real;
  • Estimula a capacidade de comunicação oral;
  • Promove uma atitude positiva em relação ao assunto estudado;
  • Favorece a inovação nas técnicas de ensino e em sala de aula.

O novo trabalho em grupo

Mais do que tendência, vimos que a Aprendizagem Cooperativa ganha forças pelo seu alinhamento com a BNCC e pelo poder transformador que exerce sobre os alunos e todos os envolvidos. Para inspirar você na implantação desta Metodologia Ativa, finalizamos com algumas imagens de atividades realizadas diariamente, e com alunos de todas as idades, no Colégio Guilherme Dumont Villares. Confira:

Por que tantas escolas têm eliminado as apostilas e aderido à Aprendizagem Baseada em Projetos?

Abordagem de metodologia ativa, o ensino por projetos tem conquistado cada vez mais adeptos entre escolas, pais e alunos por todo o país; saiba mais sobre os princípios da modalidade e como tem sido sua aplicação prática

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Aprender a aprender. Se tem uma bandeira defendida com força pela comunidade da educação no mundo todo, esta, com certeza, é a ressiginificação do ensino por meio de novas modalidades de aprendizagem, cujo topo da lista é mantido pelas chamadas metodologias ativas.

Com foco no aluno, as aprendizagens ativas são pauta constante aqui no IsCool App: já falamos de sala de aula invertida, da gamificação, do ensino maker, do aprendizado por meio de blogs e da importância das metodologias ativas em geral.

Cada escola, do seu jeito, tem se adaptado às metodologias ativas de acordo com seu ritmo, sua linha de trabalho e sua possibilidade de adaptação física, inclusive. Em comum, o que elas compartilham é a adoção da Aprendizagem baseada em Projetos, uma abordagem pedagógica que deixa as tradicionais apostilas em segundo plano e desafia alunos (e até pais) em uma participação mais proativa.

 

Como se configura a Aprendizagem Baseada em Projetos?

Também conhecido com PBL, do inglês Project Based Learning, a aprendizagem baseada em projetos é antiga, mas começou a se consolidar com esse nome na década de 90. Ela, por vezes, está atrelada a outra abordagem com as mesmas iniciais, a Aprendizagem Baseada em Problemas.

Em suma, ambas permitem que, ao invés de seguir um roteiro de fontes e exercícios prontos, o próprio aluno participe da escolha do tema ou desafio a ser trabalhado interdisciplinarmente, realize a pesquisa sobre o assunto (dentro e fora da classe) e consiga apontar resoluções por conta própria, com o auxílio do professor, que assume o papel de facilitador do processo.

A grande sacada é ver os alunos colocando os ensinamentos em prática, abordando variados temas de maneira criativa, como na construção de um robô, um filme, um game ou o que mais a imaginação e o colégio permitirem. Fica, também, a análise e reflexão em conjunta de tudo o que foi absorvido.

Para as escolas – respondendo à pergunta do título desta matéria – os ganhos se refletem no desenvolvimento de habilidades socioemocionais (previstos pela BNCC) e na formação integral do aluno. O colégio passa, ainda, a contar com alto nível engajamento de toda a comunidade escolar e adquire mais força para cumprimento de seus objetivos e valores.

 

O exemplo do Colégio MOPI

Há alguns anos, o Grupo Educacional MOPI, do Rio de Janeiro, conta um sistema de ensino próprio, permeado por abordagens como as da PBL em toda sua estrutura curricular. “A cada ano, levantamos um tema a ser trabalhado e cada segmento, desde o Ensino Infantil, constrói seu currículo a partir dele. Dentro desta metodologia, conseguimos ter um ensino mais dinâmico, observando e obedecendo as subjetividades de cada estudante, deixando-os voltados para a construção de soluções a partir dos conceitos que são trabalhados dentro e fora de sala de aula”, explica Luiz Rafael Silva, coordenador de Ensino Fundamental II e Ensino Médio do Grupo.

A proposta da Aprendizagem Baseada em Projetos é uma das práticas que tem apresentado resultados consistentes para o MOPI e seus cerca de 1900 alunos. Eles ainda se utilizam de outras metodologias ativas, como a sala de aula invertida, o Storytelling e métodos de gamificação.

 

Adeus, apostilas

Uma das principais características da Aprendizagem Baseada em Projetos é a substituição de tradicionais apostilas por outros materiais como livros didáticos, laptops, celulares, impressoras 3D e até passeios e viagens pedagógicas em que os alunos possam investigar o conteúdo por meio de entrevistas e trabalho de campo. O interessante é que, dentro desse sistema, os próprios professores têm autonomia suficiente para propor seus materiais de apoio.

“Não usamos apostilas no MOPI. Não há intenção de um direcionamento pragmático de estudos balizado por matrizes que nem sempre dialoguem com a sociedade e com a atualidade. A ideia de um ensino em que o aluno possa vivenciar o que aprendeu está muito além das apostilas”, conta Silva sobre a experiência do colégio carioca e a preocupação de tornar o aluno protagonista de sua própria aprendizagem a partir de resoluções de casos que sejam de interesse deles.

Mas, apesar de não contar com as apostilas e de trazer o professor para o papel de facilitador ou mediador de conteúdo, as aulas expositivas ainda se mantêm na maior parte dos colégios que optam pela PBL. Efetivas, as aulas expositivas ajudam na introdução de conceitos básicos e promovem os diálogos, tão importantes para o conceito.

 

Resultados

Especialistas no assunto como o PHD Wlliam N. Bender (autor do livro “Aprendizagem Baseada em Projetos: Educação Diferenciada para o Século XXI“)  e a instituição Buck Institute For Education, ambos norte-americanos, destacam que, entre os benefícios da prática do PBL estão o desenvolvimento de habilidades importantes, como o espírito crítico, a autonomia dos alunos e a capacidade de trabalhar em equipe. Sem contar que as aulas se tornam mais ricas e os professores conseguem trabalhar melhor o aproveitamento da conectividade, como uso de celular e mídias sociais, sempre tão controversos.

Com a valorização das habilidades socioemocionais e a falta de uma matriz única e padronizada, os alunos são obrigados a deixar qualquer zona de conforto. “Nossos resultados refletem em êxitos quantitativos e qualitativos, não só em questões acadêmicas, mas também procedimentais de nossa escola. Nosso sucesso está em nosso produto final“, finaliza Silva, que ainda atrela o sistema de ensino aplicado no colégio a resultados como alta pontuação no Ideb do estado e no fato de contar com ex-alunos que se tornaram verdadeiros agentes modificadores em projetos de startups.

O sucesso da gamificamação como estratégia de aprendizado

O advento dos chamados serious games tem garantido grandes resultados na alfabetização, ensino de matemática e inclusão com alunos de todas as idades e que apresentam diferentes necessidades; conheça mais sobre esse modelo de aprendizagem ativa e saiba como ela pode auxiliar seu colégio

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A máxima “aprender brincando” nunca fez tanto sentido como no cenário atual da educação. Em plena transformação, a sala de aula agregou não somente mais tecnologia, como também abriu espaço para diferentes dinâmicas de aprendizagem, entre elas, a gamificação, que se apoia em plataformas digitais para conquistar a atenção e engajamento do aluno.

Antes identificada por parte da população de outras gerações (nossos pais e avôs) como uma distração e uma atividade que poderia influenciar negativamente na formação, os games digitais agora fazem mais sentido do que nunca. Chamados de serious games, os jogos educativos estão revolucionando a absorção de conteúdo e não se restringem somente a matemática ou física, com eles, o aprendizado é multidisciplinar e pode ser aplicado em português, geografia, filosofia e qualquer outra matéria.

“O engajamento da gamificação cresceu no espaço empresarial, atrelado com o marketing de recompensa. A escola sempre trabalhou com gincana, que é um exercício gamificado, de mérito e estímulo. A partir do momento que começou a se falar sobre aprendizagens ativas e do professor como mobilizador, há maior demanda por refinar essas estratégias e buscar novos sentidos, portanto, a gamificação surge como ferramenta que ajuda a criar a motivação externa, ritmo de aula, a engajar o aluno por maior tempo possível naquele trabalho”, explica Érica Stamato, professora, psicopedagoga com MBA em Gestão Escolar pela USP e formadora de professores com 20 anos de experiência.

 

Embarcando no conceito de flow

Sabe quando a mãe insiste para o filho sair da frente da tevê e parar de jogar vídeo-game para poder comer, dormir e até brincar com outras atividades? É baseado justamente nesse poder de atrair a atenção e manter a concentração do jogador que a gamificação ganha espaço.

Essa absoluta imersão te mantém mais tempo envolvido com uma atividade prazerosa e torna o aprendizado de qualquer tipo de atividade mais orgânico e eficaz. Chamado de flow, esse estado emocional é defendido por Mihály Csíkszentmihályi, psicólogo húngaro e autor de importantes estudos da psicologia positiva.

Atividades físicas, culinária, jardinagem, meditação… são várias as maneiras de se atingir o estado de flow. No caso dos serious games utilizados na gamificação, há o aprendizado por trás do entretenimento, afinal, são jogos com propósitos educacionais.

 

A gamificação e suas inúmeras possibilidades

Existem diversas tecnologias, plataformas e formatos disponíveis no mercado e que auxiliam os colégios na inclusão da gamificação como metodologia educacional complementar. Tem gamificação por aula, por projeto, por semestre e com ação pontual ou para longo prazo. Aliás, o uso de serious games se enquadra como projeto de desenvolvimento de habilidades proposto pela BNCC, assim como outras metodologias ativas que já tratamos aqui no Blog, aqui e aqui.

No colégio Anglo Vinhedo, por exemplo, os alunos do Ensino Médio tiveram um itinerário formativo de design de games na matéria de geografia, cujo objetivo era entender a história dos jogos e passar pelo processo de produção de um game, desde a construção de um roteiro, criação de personagens até os conceitos de animação, design de som e efeitos sonoros.

“As aulas teóricas e práticas estimularam a criatividade, o pensamento lógico, a prática da língua inglesa, o letramento digital e uma absorção lúdica do conhecimento, utilizando os conceitos do ensino híbrido”, conta Idelli Nichele, coordenadora do Ensino Médio.

Nascida de pesquisa científica, a Educacross é uma plataforma criada pela Cross Reality e que oferece mais de dois mil jogos educacionais. Com ela, cada aluno recebe uma senha para acessar um conteúdo personalizado, definido pelo professor tendo como base as mais diferentes modalidades de games e objetivos. “Quando o aluno entra no espaço digital, ele vai ter as missões e roteiros, conforme passar de fase, ele terá acesso a ilhas em que ele encontra mais jogos e novidades”, enfatiza Érica Stamato, que está à frente do projeto.

 

Acompanhamento e mapeamento das habilidades

Conforme o aluno avança para novas fases e ganha crédito para transformar seu avatar e obter mais vantagens dentro dos jogos, ele aprende a ler e escrever ou a fazer contas, tudo isso, sem se dar conta. Quem percebe essa evolução na prática é o professor ou o coordenador, que acompanham a cada passo do aluno no game.

“O coordenador e o gestor conseguem ter, com a plataforma, uma visão macro ou micro da experiência do aluno. Dentro do jogo, nós temos seis tipos de análise, que recomendam automaticamente os jogos para cada aluno e ajudam a mapear análises. A plataforma é um guarda-chuva, um metajogo que vai enredar tudo o que a criança deve fazer e promover uma aprendizagem baseada em problema”, explica Érica.

 

Ressignificando o aprendizado

Entre os benefícios propostos pela gamificação, um dos mais interessantes é a ressiginificação do aprendizado. Nesse sentido, os serious games se configuram como uma poderosa ferramenta para o trabalho específico com alunos que apresentam dificuldade no aprendizado tradicional.

Se em aulas expositivas tradicionais é comum ter alunos com pensamentos vagos e pouco estimulados, os games chegam promovendo desafio, como é o caso de um aluno citado pela Educacross que, com 9 anos de idade, ainda não sabia ler ou escrever e se sentia desacreditado em sala de aula. Por não conseguir absorver o conteúdo, acaba se comportando com rebeldia.

“O aluno ficou quatro meses na plataforma. No começo, era bastante desobediente, mas quando começou a jogar e descobriu seu avatar, passou a ir bem. Traçava estratégias, queria compartilhar com as outras crianças. Como resultado, o estudante passou a ler, escrever e até fazer conta com fração”, conta Érica emocionada.

Professora, Érica sentiu na pele esse problema, ao descobrir que a filha sofria de dislexia. Agora, com a plataforma, ela levanta a bandeira do ensino com estímulo para casos como o da filha, de crianças com hiperatividade e até superdotados. “O aluno que citei como exemplo foi transferido para um ambiente novo, longe do lápis, do papel e de um cenário em que ele era tido como fracassado. A gamifcação ressignificou a escola para ele”, ressalta a professora.

 

Futuro

Os inúmeros benefícios para os alunos que têm contato com a gamificação também se refletem para o colégio, que passa a ter alunos mais felizes, envolvidos e que amam e cuidam da escola. Apesar da resistência de mudança e evolução de muitas escolas, a gamificação veio para ficar e pode ser uma poderosa arma em prol do bem-estar coletivo.

“As crianças são nativos digitais, uma geração em que o engajamento é muito mais necessário do que foi quando eu estudei. Com a inteligência artificial, a gamificação tende a ficar cada vez mais necessária e refinada. Ainda haverá um crescimento muito grande do tema e as escolas terão que acompanhar essa evolução”, finaliza Érica.

Sala de aula invertida na prática: o que é e como implantar

Criado há pouco mais de dez anos, o modelo de organização de sala de aula é mais uma das opções destacadas pelas metodologias ativas; escolas têm adaptado a tendência a seus próprios métodos na busca por resultados ainda mais eficazes

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Cadeiras enfileiradas, cadernos e livros como principal ferramenta de uso do aluno, salas de aula fechadas e totalmente emparedadas, protagonismo do professor… o modelo de ensino do século passado ainda é o mais utilizado em escolas do mundo todo porque também prova ser eficaz em muitos pontos. Entretanto, essa imagem de organização tem, aos poucos, se dissolvido mediante tantas transformações pelas quais a sociedade transcende.

Novas ferramentas, principalmente baseadas em tecnologias educacionais, dão espaço ao que chamamos de ensino híbrido, cuja intenção é oferecer diversas opções de aprendizado ao aluno. Uma das metodologias ativas inseridas nesse cenário, e que cada vez mais ganha a atenção de gestores escolares, é a Sala de Aula Invertida, que, de maneira resumida, traz o aluno como explorador do conteúdo e o professor com o papel (não menos importante) de mediador do aprendizado.

Unida a outras técnicas e metodologias, a Sala de Aula Invertida tem sido aproveitada com êxito por gestores educacionais Brasil afora. Mas nada de mudanças radicais ou de puro modismo, o segredo de quem aplica o conceito está na capacidade uni-lo às práticas já consagradas pela instituição, de maneira orgânica.

 

Mais que uma tendência, uma necessidade

A Sala da Aula Invertida surgiu nos Estados Unidos, entre os anos de 2006 e 2007, em grandes universidades americanas. Um dos precursores do chamado flipped classroom é o professor de química da Universidade do Colorado, Jonathan Bergmann, que, com base em pesquisas, defende o método de flipped learning como sendo o mais eficaz no aprendizado em qualquer idade.

Mais eficaz ou não, na prática, a verdade é que o método tem características diferenciadas. “A chamada sala de aula invertida é, dentro outros, um dos modelos de organização do ensino híbrido, que pressupõe que haja várias maneiras de aprender, em vários lugares e que alterna momentos em que o aluno estuda sozinho – normalmente em ambientes digitais – e em grupo – quando está em sala de aula com o professor e com os colegas”, explica Márcia Rosiello Zenker, educadora, psicóloga clínica e educacional e consultora associada da Humus Consultoria Educacional.

A Sala de Aula Invertida envolve as TDICs – Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação, por isso ganha a atenção da comunidade escolar. “É uma tendência e uma necessidade as escolas usarem, cada vez mais, metodologias ativas. A sala de aula invertida é apenas um modelo que serve a essa metodologia. Hoje, com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), em que se propõe o desenvolvimento do protagonismo do estudante e a inserção das TDICs, mais do que nunca são importantes e bem-vindas todas as formas de organização do conhecimento. E a sala de aula invertida é uma delas”, afirma Márcia.

 

O exemplo do Colégio Emilie de Villeneuve

No Colégio Emilie de Villeneuve, que utiliza o IsCool App como plataforma de gestão de comunicação, o conceito da Sala de Aula Invertida faz parte da estratégia de ensino de forma orgânica, pois está inserido em todos os espaços de aprendizagem da instituição. “Todos os espaços de aula, como laboratórios de ciências, informática, línguas, cozinha experimental , entre outros, são utilizados de forma a permitir ao aluno a construção ativa de seu conhecimento e não apenas reproduzir sequências didáticas”, conta Marizilda Escudeiro de Oliveira, Coordenadora Pedagógico-Educacional do Ensino Médio e da EJA – Educação de Jovens e Adultos do colégio localizado na capital paulista.

Comprometido com o aprendizado hibrido e com a difusão do que há de mais atual em tecnologias educacionais, o Colégio Emilie de Villeneuve se pauta nos bons resultados obtidos com a unificação de metologias no espaço maker, uma sala de aula para aprendizagem criativa, que contou com investimento em mobiliário próprio para se adaptar de acordo com a necessidade de cada grupo. “Esta sala vai além da aula invertida. Os alunos desenvolvem projetos no plano digital e os tornam reais com a ajuda de sensores, impressora 3D, cortadora a lazer. Desta forma constroem conceitos, desenvolvem habilidades transitando entre uma ideia, um projeto e a sua execução. Os ganhos com a utilização desta sala estão relacionados à aplicação direta nas questões do cotidiano”, ressalta a coordenadora.

 

Uma questão de adaptação

O fato é que as escolas têm adaptado as metodologias ativas à sua realidade e aos seus fundamentos. Em matéria recente, citamos o exemplo do Colégio Teresiano, do Rio de Janeiro, que utiliza diversas ferramentas, entre elas o blog, para promover o empoderamento digital. O próprio colégio, que também aposta no IsCool App para comunicar e integrar as famílias sobre as atividades desenvolvidas em classe, cita que reservou um andar inteiro para a criação de salas de aulas interativas, em que o aluno pode mesclar o uso de computador, tablet, celular, impressoras 3D e livros simultaneamente.

Espaços híbridos, aliás, também já foram tema para um dos textos mais lidos deste blog, a matéria sobre arquitetura escolar. Com especialistas no assunto, o texto fala da importância da quebra de paradigmas no design das salas de aula contemporâneas e cita exemplos de como essas adaptações podem ser aplicadas em cada colégio, alinhando demandas e orçamento.

 

As vantagens da sala de aula invertida na prática

Especialista em história da educação brasileira, Márcia Rosiello Zenker elenca os principais ganhos refletidos pela sala de aula invertida, de acordo com declarações colhidas por ela de professores e alunos. Confira:

  • Maior interatividade, tanto entre os alunos como entre alunos e professor;
    Aumento no nível de colaboração entre os alunos e estímulo ao compartilhamento do conhecimento por parte deles;
  • Crescimento da motivação e interesse dos alunos em aprender;
  • Ampliação do interesse pelo conhecimento para além dos muros da escola, chegando, muitas vezes, aos familiares;
  • Apropriação, pelos alunos, da construção do conhecimento;
  • Facilitação de identificação das dificuldades dos alunos pelo professor, possibilitando que ele redirecione o estudante para novas atividades.