Educação Inclusiva: considere já na sua escola

Segundo pesquisa do Instituto Alana, 1 em cada 10 brasileiros tem alguma deficiência. 86% dos entrevistados concordam que as escolas se tornam melhores ao incluir crianças com deficiência.

Garantir que cada indivíduo tenha oportunidades iguais de educação continua sendo um desafio em todo o mundo. No Brasil, não é diferente: aproximadamente 1 em cada 10 brasileiros tem alguma deficiência e, entre as crianças de 0 a 14 anos com deficiência, 26% estão fora da escola.

Esses são os dados de uma pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pelo Instituto Alana com o objetivo de conhecer as percepções da população brasileira em relação à educação inclusiva, concepção que entende que todos os alunos – com ou sem deficiência – podem aprender juntos.

Foram realizadas 2.074 entrevistas com homens e mulheres acima de 16 anos, distribuídos em 130 cidades. “Não há como retornar ao modelo em que pessoas com deficiência ocupavam espaços e escolas separadas. A população compreende que, na escola comum, a diversidade é uma grande oportunidade para todos aprenderem mais”, afirma Raquel Franzim, coordenadora da área de educação do Instituto Alana. 

Foram apresentadas frases sobre educação inclusiva para os entrevistados responderem se concordam ou discordam de cada uma delas, com o intuito de verificar suas opiniões frente ao tema. Os resultados foram divulgados em outubro de 2019.

Confira alguns dos principais resultados da pesquisa:

  • 86% concordam que as escolas se tornam melhores ao incluir crianças com deficiência;
  • 76% concordam que crianças com deficiência aprendem mais estudando junto com crianças sem deficiência;
  • 68% discordam que a criança com deficiência atrasa o aprendizado das crianças sem deficiência quando estudam juntas;
  • 87% concordam que pais de crianças com deficiência têm medo de que seus filhos sofram preconceito na escola;
  • 71% concordam que professores têm interesse em ensinar crianças com deficiência;
  • 60% discordam que a escola pode escolher se aceita matricular uma criança com deficiência.

A pesquisa concluiu ainda que entrevistados que convivem com pessoas com deficiência têm a atitude mais favorável em relação à inclusão.

Considerando o potencial da educação inclusiva na sua escola? Talvez você já esteja trabalhando com sala de aula inclusiva e procurando estratégias eficazes.

Continue a leitura deste artigo sobre educação inclusiva para saber mais sobre o tema e como pesquisas estão comprovando que ela promove benefícios para todos.

Afinal, o que é educação inclusiva?

Educação inclusiva é quando todos os alunos, independentemente de quaisquer desafios que possam ter, frequentam a mesma escola e assistem às mesmas aulas apropriadas à idade, para receber instruções, intervenções e apoios de alta qualidade que lhes permitam alcançar o sucesso na escola.

A escola e a sala de aula operam com a premissa de que os alunos com deficiência são tão competentes quanto os alunos sem deficiência. A educação inclusiva de sucesso ocorre principalmente através da aceitação, compreensão e atendimento das diferenças e diversidade dos alunos.

Vale lembrar que a Agenda Global da Educação 2030 da Unesco enfatiza a inclusão e a equidade como base para uma educação de qualidade. A educação inclusiva está ganhando força porque existem muitas evidências baseadas em pesquisas sobre os benefícios.

Muitos estudos nas últimas décadas descobriram que os alunos com deficiência têm maior desempenho e habilidades aprimoradas por meio da educação inclusiva, e seus colegas também se beneficiam. Confira:

  • Para estudantes com deficiência, isso inclui ganhos acadêmicos em alfabetização (leitura e escrita), matemática e estudos sociais – tanto em notas quanto em testes padronizados – melhores habilidades de comunicação, melhores habilidades sociais e mais amizades;
  • Seus colegas sem deficiência também mostram atitudes mais positivas nessas mesmas áreas quando em salas de aula inclusivas. Eles obtêm maiores ganhos acadêmicos em leitura e matemática.
  • Pesquisas mostram que a presença de alunos com deficiência oferece novos tipos de oportunidades de aprendizado para os demais. Uma delas é quando eles servem como monitores. Ao aprender como ajudar outro aluno, seu próprio desempenho melhora.
  • Outra é que, à medida que os professores levam mais em consideração seus diversos alunos com deficiência, eles fornecem instruções em uma ampla variedade de modalidades de aprendizado (visual, auditiva e cinestésica), o que também beneficia seus alunos regulares.

De fato, em muitos casos, os alunos regulares relatam pouca ou nenhuma consciência de que existem alunos com deficiência em suas aulas. Quando estão cientes, demonstram mais aceitação e tolerância pelo aluno com deficiência quando todos experimentam juntos uma educação inclusiva.

Tecnologias inclusivas

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual e menos de 1% possui carteira assinada. O principal motivo disso é: evasão escolar. O desafio é que as escolas ofereçam a esses alunos meios para que se sintam motivados a continuarem os estudos e a tecnologia pode ser muito útil nesses casos.

É o caso do Orcam MyEye, da empresa Mais Autonomia, que é um dispositivo acoplado à haste do óculos que auxilia na leitura de textos. De acordo com o sócio-diretor da empresa, Doron Sadka, é um dispositivo com tecnologia israelense que permite ao deficiente visual ouvir o que está escrito em qualquer superfície. O aparelho está na lista das 100 maiores tecnologias de 2019, publicada pela Revista Times.

“Os pais dos alunos que utilizam a tecnologia nos relatam que suas notas subiram 50% em média após o uso. Além disso, a auto-estima deles melhora muito, pois eles se sentem mais participativos”, relata Sadka. Entre outras funções, o aparelho tem a de reconhecimento facial, o que auxilia o aluno a reconhecer os professores e seus colegas de classe.

Para o próximo ano, a empresa pretende lançar uma bengala com sistema de GPS embutido, permitindo a locomoção de pessoas com deficiência visual com mais segurança. A Mais Autonomia esteve presente como expositora no Grande Encontro da Educação realizado pela Revista Educação, ao lado do IsCool App. Saiba mais sobre esse evento:

IsCool App e School Picture marcam presença no GEE 2019

O futuro é realmente muito promissor para essa abordagem. Há evidências crescentes de que a educação inclusiva e as salas de aula são capazes de atender não apenas aos requisitos dos alunos com deficiência, mas também de beneficiar os alunos de educação regular.

Vimos que, com a exposição, pais e professores se tornam mais positivos. O treinamento e o apoio permitem que os professores de educação regular implementem educação inclusiva com facilidade e sucesso. Tudo ao redor é um ganha-ganha!