Avanço da tecnologia em sala de aula vai além das novas ferramentas

Inteligência artificial, implantes oculares, realidade virtual… Nada disso! Em 2018, as salas de aula ainda precisarão de bons professores e bons materiais pedagógicos para que o avanço seja efetivo

Novas tecnologias em sala de aula_ tendências educação 2018

O início de um novo ano traz sempre aquela expectativa de que uma nova e extraordinária ferramenta irá transformar o modo de ensinar e aprender. Mas, será que a sua escola está preparada para dar boas-vindas a essas tecnologias antes inimagináveis? Ou, melhor, até que ponto a educação de qualidade depende delas?

Na terceira matéria do Especial sobre tendências na educação para 2018, o IsCool App põe foco no tema novas tecnologias para tentar responder a esses questionamentos. Com a ajuda de especialistas da área de tecnologia educacional, e que representam empresas gigantes da inovação, buscamos entender o que já avançamos e o que devemos experimentar em um futuro próximo.

 

Investimento em professores é urgente

Antes de pensar no investimento em novas ferramentas, pare e reflita: quanto você está investindo em seus professores, gestores e colaboradores? Sim, um ambiente de inovação a tecnologia é o meio e não o fim. “O foco precisa ser no professor. Não adianta colocarmos um arsenal tecnológico nas escolas sem preparar o professor. Segundo a UNESCO, ‘vale mais um professor bem preparado com pouca tecnologia, do que muita tecnologia sem ter quem use’”, cita Marcelo de Freitas Lopes, diretor de tecnologia educacional na Foreducation.

Parceira Google, a Foreducation foi fundada em 2013, após um projeto de sucesso com um grupo de escolas de São Paulo. Hoje, trazendo consigo o nome da empresa que é top of mind no quesito inovação, a Foreducation baseia seu trabalho na formação de professores e gestores pedagógicos, tirando, justamente, o foco da aquisição de equipamentos.

A consultoria e o uso de cases de sucesso tornam os resultados da empresa bastante efetivos, servindo de exemplo para colégios que buscam cumprir seu papel com base em um ensino capaz de fazer a diferença: “Tivemos uma melhoria pedagógica significativa, alunos mais engajados e aumento do uso dos recursos existentes, afirma Lopes, que iniciou na área de tecnologia educacional em 2004, com aulas de robótica e orientação de alunos premiados em competições internacionais.

 

Mais do que modismo, estratégia

A necessidade de se buscar a atualização digital e tecnológica já não é mais questionada e foi inteiramente absorvida no âmbito educacional. Entretanto, ainda é preciso avançar muito para alcançarmos padrões internacionais e, mais, para que as transformações sejam, de fato, efetivas.

“Vejo que as Instituições de Ensino investem em plataformas e equipamentos conforme a moda, sem um objetivo claro, metas e métricas para cada passo”, diz Lopes sobre o esforço mínimo das instituições de ensino em prol da gestão estratégica e de melhorias pedagógicas significativas.

Nesse contexto, substituir lousas por projetores de alta definição ou entregar tablets aos alunos no lugar dos livros em nada garante um ensino de qualidade, baseado em conceitos como o de protagonismo do aluno e alto grau de interação.

 

Muito longe do fim do papel

Um dos assuntos recorrentes quando se trata das novas tecnologias em sala de aula e do conceito de sustentabilidade é a substituição dos livros físicos e materiais didáticos impressos pelos digitais. É fato que o mercado editorial vem passando por diversas transformações, mas os números apontam um grande crescimento da tecnologia de impressão digital e o aumento de novos títulos com tiragens menores, ou seja, o papel está longe de se tornar obsoleto.

A maior oportunidade de crescimento da HP no segmento editorial vem do mercado educacional por meio de produções segmentadas de curta e média tiragens. O boom digital certamente gerou algumas incertezas, porém, atualmente observamos uma participação muito baixa frente ao grande volume produzido”, salienta Mauricio Ferreira, gerente do segmento de gráficas para a América Latina na HP.

 

A tendência é integrar com criatividade e sustentabilidade

A discussão, portanto, ultrapassa a esfera da substituição do papel e chega ao âmbito da necessidade e das adaptações. Afinal, o atual modelo da sociedade é configurado para se viver, trabalhar e estudar com mais praticidade.

Haverá espaço para as duas tecnologias. Dependendo do contexto, elas podem perfeitamente andar juntas dentro de uma solução integrada. Podemos agregar tecnologias no material impresso para o suporte em plataformas digitais, como vídeos de apoio, realidade aumentada e rastreabilidade de livros, por exemplo”, elenca Ferreira, trazendo à tona um cenário interativo e criativo.

Fundada em 1939 por dois engenheiros do Vale do Silício, a HP tem como lema “inventar e reinventar”, para isso, se faz presente nas mais diferentes áreas, inclusive com projetos relevantes em sustentabilidade, como o estímulo à economia circular e tecnologia de impressão que não é nociva à natureza.

Acreditamos que a tecnologia deve tornar a vida melhor para todos em todos os lugares. Essa visão orienta tudo o que fazemos, como o fazemos e por que o fazemos. É por isso que continuamos a reinventar a nossa empresa e nossas tecnologias para um futuro melhor”, completa Ferreira.

 

Novidades para acompanhar

Algumas já são realidade em sala de aula e só recebem aprimoramento. Outras chegam para ser pioneiras e garantir um lugar fixo no futuro próximo. Conheça dois conceitos aos quais você, como educador ou gestor escolar, deve ficar de olho em 2018:

  • Sistemas integrados e mais interativos – Os tradicionais sistemas de gestão de aprendizagem, ou plataformas e-learning, precisam se atualizar. Com integrações simples com ferramentas de Inteligência Artificial (como a Machine Learning do Google, por exemplo), os cursos prometem ser muito mais intuitivos e responsivos, feitos para um ensino de qualidade, que instiga o aluno ao aprendizado.

 

  • Impressão 3D – Já não é mais novidade e, por isso, mesmo, deve ser adotado. Com o advento da cultura maker e do STEAM (abordagem multidisciplinar), as aulas nunca foram tão criativas e estimulantes, daí, os laboratórios com impressora 3D saem na frente. Ali, o aluno cria a ideia, projeta e faz acontecer, promovendo sentidos e muito conhecimento prático.