Especial BNCC: A presença da tecnologia e a importância da ética

Entenda qual a relação da tecnologia com as 10 competências da BNCC e veja dicas de como os colégios podem se apropriar dela sem deixar de lado a responsabilidade ética

Mesmo quando pensamos nas competências de cunho social e emocional, enfatizadas pela Base Nacional Comum Curricular, podemos observar que há sempre uma nova ferramenta tecnológica envolvida: computadores, tablets, celulares, aplicativos, games, oficinas makers e, principalmente, a internet.

Sim, a educação evolui ao passo em que a sociedade se transforma e com base em uma nova geração inteira de alunos nascidos na era digital, com necessidades diferentes e já preparados para a chamada Educação 4.0.

Prova de tudo isso é a valorização crescente da área de TE – Tecnologias Educacionais e seus profissionais dentro dos colégios em cada canto do país. Formada por educadores e pedagogos superantenados às novidades do mercado tecnológico educacional, a equipe de TE tem papel fundamental na nova educação e, claro, na adequação do currículo à BNCC.

Cada uma das 10 competências da BNCC envolve alguma solução tecnológica em sua prática, daí a importância de tratar o tema nesta última matéria do Especial BNCC do Blog IsCool App.

Nas matérias anteriores já traçamos um panorama sobre a BNCC, buscamos saber o que ela traria de mudança para o ensino particular e também abordamos o status das adequações dos currículos com a chegada da Base do Ensino Médio.

Agora, com a ajuda de Rosa Lamana, educadora, mestre em educação e parte da equipe da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo, vamos entender a correlação da tecnologia com a BNCC em suas diferentes competências.

As três categorias da BNCC

Para Rosa, é fácil entender como a tecnologia está inserida em cada competência da Base Nacional Comum Curricular: “A BNCC afirma que a educação deve garantir o desenvolvimento global humano. E como falar de desenvolvimento global sem falar em tecnologia? Sendo assim, a tecnologia está inserida na BNCC nas 10 competências. Isso acontece porque vivemos num mundo digital e não há mais como excluir a tecnologia do nosso dia a dia”, explica a profissional com mais de 20 anos no segmento e que também é membro da Comissão de Educação Digital da OAB de São Paulo.

Para entender melhor como a tecnologia está inserida em cada competência, Rosa categoriza a BNCC em três principais áreas: Cognitiva, social e pessoal. Conheça cada uma delas:

Competências cognitivas

Nesta categoria estão incluídas as habilidades da BNCC de cunho cognitivo, que são:

1) Conhecimento;

2) Pensamento científico, crítico e criativo;

3) Argumentação.

Como já vimos na primeira matéria da série, essas habilidades visam explicar e entender a realidade, promovendo o conhecimento de mundo. “A tecnologia integra-se nessas habilidades uma vez que, para entender e explicar a realidade em que estamos inseridos precisamos considerar o fato de que vivemos num mundo digital. Com as tecnologias, trabalhamos em rede e é nessa rede que precisamos estar em constante processo de colaboração”, diz ela, destacando o uso da internet e sua dinâmica colaborativa, fazendo com que as informações circulem e se complementem.

Aliás, são as ferramentas on-line que auxiliam alunos a desenvolver o pensamento crítico, investigativo e argumentativo. “Pela internet circulam informações de todo tipo, sejam elas verdadeiras ou falsas, e que precisam ser pesquisadas considerando realidade e mito, verdade e mentira, permitindo a compreensão do que são fatos e que podem e devem ser compartilhados”, ressalta Rosa.

Competências sociais

Na BNCC, quando falamos sobre a dimensão do aluno na sociedade, categorizamos um grupo com as seguintes habilidades:

4) Repertório cultural;

5) Comunicação;

6) Cultura digital:

7) Responsabilidade e cidadania.

Mais uma vez, são as tecnologias e, principalmente, a internet que nos oferecem espaços de compartilhamento de informações, bem como a expressão de sentimentos e experiências. E o que são nossas manifestações senão expressões artísticas, culturais e sociais?

A expressão de nossos sentimentos, dos nossos quereres, dos nossos anseios de mudança – que configuram uma expressão artística, social e cultural – está disseminada nos domínios digitais. Além disso, por meio da rede de internet, hoje é possível ter acesso ao acervo de diversas instituições, desde galerias à museus, ampliando ainda mais o repertório cultural acessível”, enfatiza Rosa, lembrando também que a internet permite, de maneira fácil, que cada um possa produzir o seu próprio conteúdo.

Ao abordarmos outras das habilidades acima citadas, como a comunicação, lembramos que ela vai muito além do universo on-line da internet e dos aplicativos, envolvendo escrita, fala, expressões, gestos e demais linguagens corporais. Mesmo nesse sentido, temos o auxílio das tecnologias. “Nesse ponto, a educação digital deve ser muito mais que meramente utilitarista, mas também prezar pelo desenvolvimento de relações pautadas no respeito, responsabilidade e colaboração. E esses valores transcendem o espaço digital/tecnológico, tornando-se um aprendizado para a convivência na sociedade”, afirma Rosa.

Competências pessoais

Para o terceiro grupo de competências, Rosa elenca as seguintes habilidades:

8) Trabalho e projeto de vida;

9) Autoconhecimento e autocuidado;

10) Empatia e cooperação.

Ao atingirmos a esfera pessoal, bandeira levantada com força pela BNCC, Rosa considera que as competências e habilidades socioemocionais também estão diretamente ligadas à tecnologia, uma vez que o uso dessas ferramentas promove os relacionamentos interpessoais. “Esse relacionamento é necessário para sermos compreendidos e compreendermos o outro”, salienta.

Ainda na opinião de Rosa, o ambiente digital é capaz de nos ensinar, dia após dia, a trabalhar competências pessoais importantes, como a responsabilidade e o respeito: “Não temos como entender o mundo que vivemos sem considerar a tecnologia mantendo a liberdade, autonomia, criticidade e responsabilidade. É preciso saber o que compartilhar, como compartilhar, por que compartilhar. O respeito está intimamente relacionado às relações pessoais em qualquer ambiente seja ele tecnológico ou não”.

Mais tecnologia, maior a vigilância

A tecnologia é parte integrante do desenvolvimento educacional do indivíduo, mas assim como se torna um tema substancial na realidade dos colégios, pode trazer dúvidas para uma parcela de profissionais, instituições e até pais que se preocupam com exageros e limites éticos.

Para a tranqüilidade de quem traz essas dúvidas, é correto afirmar que, na BNCC, todas as competências irão passar pelas questões do trabalho ético e segurança da informação e que essas temáticas estão inseridas no contexto pedagógico do currículo.

“A BNCC não invalida a LDB, ela permite autonomia no que diz respeito à formação e informação e outros assuntos. A LDB fala sobre a compreensão da tecnologia e o desenvolvimento de atitudes e valores, que nada mais é do que o cuidado com a ética e a informação. Portanto, as escolas precisam levar em consideração essa temática dentro do ambiente escolar”, esclarece Rosa citando Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional.

Dicas:

Conheça alguns dos órgãos que podem auxiliar o colégio na busca por informações sobre ética e segurança da informação:

CGI.br – Site do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Órgão governamental que ajuda a regular a internet no Brasil e disponibiliza publicações relacionadas à ética e cidadania digital.

NIC.br – Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Órgão vinculado ao CGI e que apresenta informações relevantes para se trabalhar ética e cidadania digital em sala de aula.

Safernet.org.br – Associação civil de direito privado que trabalha a ética e a segurança da informação em todos os aspectos da sociedade, inclusive com apoio de vítimas de abuso na internet e material didático para todos os níveis de ensino.

O papel do aplicativo de comunicação na BNCC

Quando o assunto é BNCC e todas as transformações que ela prevê nas matrizes curriculares Brasil afora, fica fácil entender que a comunicação escolar se torna um item ainda mais importante para o colégio a partir de 2020. Afinal, como neste processo de adaptação à Base estão envolvidas as vidas de milhões de alunos, é essencial que haja uma comunicação fluida, segura e eficaz entre as instituições e os pais.

Nesse sentido, entram em ação ferramentas como o aplicativo de comunicação escolar, uma ferramenta tecnológica capaz de encurtar distâncias e facilitar o entendimento.

A comunicação deve ter um espaço privilegiado na família, na educação, seja em casa ou fora dela, no trabalho, nas relações pessoais, enfim, na vida”, afirma Rosa, que, sobre os aplicativos de comunicação escolar, ainda diz: “Esse tipo de ferramenta proporciona, na prática, como a ética pode ser utilizada. A aprendizagem funciona quando ela tem significado para o aprendiz. Sendo assim, ao utilizar a ferramenta o usuário pode aplicar o que aprendeu em palestras proporcionadas pela escola e dicas deixadas no próprio feed de notícias, inseridas pela escola ou pelo próprio app”.