Design Thinking: o que é e como aplicar na escola

Método para solucionar questões complexas vem sendo utilizado pelas escolas como forma de promover o ensino criativo e colaborativo

Um novo método de aprendizagem está sendo cada vez mais utilizado pelas escolas brasileiras: Design Thinking. Apesar no nome pomposo, o Design Thinking (DT) é mais simples do que se imagina. Basicamente, trata-se de uma metodologia para incentivar que os indivíduos construam soluções em grupo, desenvolvendo valores como empatia e colaboração.

No caso da educação, o DT traz inúmeras vantagens. Os alunos se sentem naturalmente mais engajados, uma vez que se tornam protagonistas na busca de soluções para os problemas. Também se tornam mais encorajados a propor novas ideias, já que a metodologia favorece a experimentação baseada no princípio que errar é natural e faz parte do processo.

Uma das escolas que adotam o DT é a Aubrick, de São Paulo, que utiliza a nova abordagem desde 2018. De acordo com a coordenadora geral Teca Antunes, as aulas de DT são voltadas para os alunos do Ensino Fundamental II.

“Acreditamos que seja uma ferramenta fundamental para que sejam capazes de enfrentar diversos desafios e atuar de forma criativa e cooperativa”, diz ela.

Nas unidades de Ensino Fundamental II, os alunos têm uma aula semanal na qual identificam desafios e problemas, buscando soluções criativas e viáveis.

“Para isso, passam pelo processo que envolve empatia, ideação, prototipagem, teste, iteração e compartilhamento”, explica Teca. Mais à frente, vamos entender sobre esses conceitos e como eles se integram no processo.

A Aubrick Escola Bilíngue Multicultural, que já utiliza o IsCool App como ferramenta de comunicação com os pais, possui 4 unidades na capital paulista. A instituição oferece a formação de crianças desde a educação infantil, sendo a primeira escola brasileira em São Paulo a obter a certificação Cambridge International School, uma das mais reconhecidas do mundo.

Como funciona o Design Thinking

Valores do Design Thinking

“Existem conceitos por trás do Design Thinking que são chamados valores. O primeiro deles é a empatia. É preciso se colocar no lugar do outro para resolver o problema de alguém. Outro valor é a colaboração. A gente quer colaborar com o outro, é do ser humano”, explica Ricardo Ruffo, co-fundador da Echos, Escola de Design Thinking.

Outro valor é a experimentação. Experimenta-se para ver se determinada solução tem chance de dar certo. Por isso, o erro é a maior fonte de aprendizagem no processo. A partir da experimentação se tem a possibilidade de errar, aprimorar ou começar de novo.

“O DT promove a construção de relações baseadas na empatia, incita a colaboração e a co-criação entre os jovens e permite que resolvam problemas por meio da experimentação”, explica Teca Antunes, do colégio Aubrick.

Etapas do Design Thinking

O processo do DT é formado por sete etapas, a saber:

  1. Entendimento;
  2. Observação;
  3. Ponto de vista;
  4. Ideação;
  5. Prototipagem;
  6. Teste;
  7. Iteração.

De acordo com o coordenador de educação da Echos, Reinaldo Campos, o DT é uma abordagem que vem sendo usada para resolver problemas complexos de forma inovadora e centrado nas pessoas.

“Começa sempre com um entendimento, um desafio que a gente pode resolver. Depois, perceber como o outro resolveria o problema”, comenta.

A partir da Ideação, o projeto começa a ganhar forma, pois nessa fase os alunos começam a propor soluções. Daí, a melhor experiência (Prototipagem) será colocada em teste para receber os feedbacks necessários (Iteração). Lembrando que as etapas não são engessadas e é sempre possível voltar a alguma delas quando necessário.

Vantagens do Design Thinking

A abordagem do Desing Thinking é extremamente versátil e por isso pode contribuir muito para o desenvolvimento humano, sendo utilizada em diversos segmentos da sociedade, inclusive na educação.

O DT começou a ser disseminado no mundo a partir do início do anos 90 com os serviços prestados pela consultoria norte-americana IDEO. Em 2009, um dos sócios da IDEO, Tim Brown, lançou o best seller Change by design (Título em português: Design Thinking – Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias) contando suas experiências conquistadas através da nova abordagem.

Porém, acredita-se que as raízes do Design Thinking sejam mais antigas, uma vez que foram originárias do Design, como o próprio nome já sugere.  Fato é que o Design Thinking veio para ficar e ganha cada vez mais adeptos ao redor do mundo, graças a sua missão de integrar pessoas numa realidade da qual ninguém faz nada sozinho nos dias de hoje.

Empresas que trabalham em parceria com escolas também estão adotando o DT. A IBM, por exemplo, utiliza a metodologia em ação de responsabilidade social com crianças e jovens. O projeto intitulado “Teaching Respect” (Ensinando Respeito) foi apresentado durante o Encontro PEA – Unesco 2019, na cidade de Ouro Preto, pela VP de RH da IBM para a América Latina, Luciana Camargo.

Inclusive, fizemos uma matéria a respeito do Encontro anual das escolas afiliadas a Unesco para você saber mais: Encontro PEA Unesco reúne cerca de mil educadores em Ouro Preto-MG. Vale a pena ler ou reler!

“É uma iniciativa voltada a jovens do ensino fundamental e médio do ensino público e privado, utilizando Design Thinking para gerar empatia entre os participantes”, define Luciana Camargo durante sua palestra.

O objetivo é proporcionar aos alunos a oportunidade de refletir sobre sua própria identidade e como eles acham que os outros os vêem e, finalmente, desenvolver apreciação, empatia e respeito pelos outros.

O programa “Teaching Respect” é adotado atualmente em escolas como a ETEC Polivalente da cidade de Americana-SP.

Entre as principais vantagens do Design Thinking, estão:

  • Melhor comunicação entre os alunos;
  • Ambiente escolar mais estimulante;
  • Visão sistêmica;
  • Maior adaptabilidade às mudanças;
  • Maior engajamento dos alunos.

Caso a sua escola ainda não tenha utilizado o processo de DT e tenha interesse, o ideal é buscar uma empresa parceira para auxiliar na implementação. Vale lembrar que será necessária a presença de um facilitador especializado em Design Thinking. Essa pessoa irá liderar a equipe para que não se perca o foco, além de reconhecer e valorizar a humanização do processo.