Especial BNCC: A presença da tecnologia e a importância da ética

Entenda qual a relação da tecnologia com as 10 competências da BNCC e veja dicas de como os colégios podem se apropriar dela sem deixar de lado a responsabilidade ética

Mesmo quando pensamos nas competências de cunho social e emocional, enfatizadas pela Base Nacional Comum Curricular, podemos observar que há sempre uma nova ferramenta tecnológica envolvida: computadores, tablets, celulares, aplicativos, games, oficinas makers e, principalmente, a internet.

Sim, a educação evolui ao passo em que a sociedade se transforma e com base em uma nova geração inteira de alunos nascidos na era digital, com necessidades diferentes e já preparados para a chamada Educação 4.0.

Prova de tudo isso é a valorização crescente da área de TE – Tecnologias Educacionais e seus profissionais dentro dos colégios em cada canto do país. Formada por educadores e pedagogos superantenados às novidades do mercado tecnológico educacional, a equipe de TE tem papel fundamental na nova educação e, claro, na adequação do currículo à BNCC.

Cada uma das 10 competências da BNCC envolve alguma solução tecnológica em sua prática, daí a importância de tratar o tema nesta última matéria do Especial BNCC do Blog IsCool App.

Nas matérias anteriores já traçamos um panorama sobre a BNCC, buscamos saber o que ela traria de mudança para o ensino particular e também abordamos o status das adequações dos currículos com a chegada da Base do Ensino Médio.

Agora, com a ajuda de Rosa Lamana, educadora, mestre em educação e parte da equipe da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo, vamos entender a correlação da tecnologia com a BNCC em suas diferentes competências.

As três categorias da BNCC

Para Rosa, é fácil entender como a tecnologia está inserida em cada competência da Base Nacional Comum Curricular: “A BNCC afirma que a educação deve garantir o desenvolvimento global humano. E como falar de desenvolvimento global sem falar em tecnologia? Sendo assim, a tecnologia está inserida na BNCC nas 10 competências. Isso acontece porque vivemos num mundo digital e não há mais como excluir a tecnologia do nosso dia a dia”, explica a profissional com mais de 20 anos no segmento e que também é membro da Comissão de Educação Digital da OAB de São Paulo.

Para entender melhor como a tecnologia está inserida em cada competência, Rosa categoriza a BNCC em três principais áreas: Cognitiva, social e pessoal. Conheça cada uma delas:

Competências cognitivas

Nesta categoria estão incluídas as habilidades da BNCC de cunho cognitivo, que são:

1) Conhecimento;

2) Pensamento científico, crítico e criativo;

3) Argumentação.

Como já vimos na primeira matéria da série, essas habilidades visam explicar e entender a realidade, promovendo o conhecimento de mundo. “A tecnologia integra-se nessas habilidades uma vez que, para entender e explicar a realidade em que estamos inseridos precisamos considerar o fato de que vivemos num mundo digital. Com as tecnologias, trabalhamos em rede e é nessa rede que precisamos estar em constante processo de colaboração”, diz ela, destacando o uso da internet e sua dinâmica colaborativa, fazendo com que as informações circulem e se complementem.

Aliás, são as ferramentas on-line que auxiliam alunos a desenvolver o pensamento crítico, investigativo e argumentativo. “Pela internet circulam informações de todo tipo, sejam elas verdadeiras ou falsas, e que precisam ser pesquisadas considerando realidade e mito, verdade e mentira, permitindo a compreensão do que são fatos e que podem e devem ser compartilhados”, ressalta Rosa.

Competências sociais

Na BNCC, quando falamos sobre a dimensão do aluno na sociedade, categorizamos um grupo com as seguintes habilidades:

4) Repertório cultural;

5) Comunicação;

6) Cultura digital:

7) Responsabilidade e cidadania.

Mais uma vez, são as tecnologias e, principalmente, a internet que nos oferecem espaços de compartilhamento de informações, bem como a expressão de sentimentos e experiências. E o que são nossas manifestações senão expressões artísticas, culturais e sociais?

A expressão de nossos sentimentos, dos nossos quereres, dos nossos anseios de mudança – que configuram uma expressão artística, social e cultural – está disseminada nos domínios digitais. Além disso, por meio da rede de internet, hoje é possível ter acesso ao acervo de diversas instituições, desde galerias à museus, ampliando ainda mais o repertório cultural acessível”, enfatiza Rosa, lembrando também que a internet permite, de maneira fácil, que cada um possa produzir o seu próprio conteúdo.

Ao abordarmos outras das habilidades acima citadas, como a comunicação, lembramos que ela vai muito além do universo on-line da internet e dos aplicativos, envolvendo escrita, fala, expressões, gestos e demais linguagens corporais. Mesmo nesse sentido, temos o auxílio das tecnologias. “Nesse ponto, a educação digital deve ser muito mais que meramente utilitarista, mas também prezar pelo desenvolvimento de relações pautadas no respeito, responsabilidade e colaboração. E esses valores transcendem o espaço digital/tecnológico, tornando-se um aprendizado para a convivência na sociedade”, afirma Rosa.

Competências pessoais

Para o terceiro grupo de competências, Rosa elenca as seguintes habilidades:

8) Trabalho e projeto de vida;

9) Autoconhecimento e autocuidado;

10) Empatia e cooperação.

Ao atingirmos a esfera pessoal, bandeira levantada com força pela BNCC, Rosa considera que as competências e habilidades socioemocionais também estão diretamente ligadas à tecnologia, uma vez que o uso dessas ferramentas promove os relacionamentos interpessoais. “Esse relacionamento é necessário para sermos compreendidos e compreendermos o outro”, salienta.

Ainda na opinião de Rosa, o ambiente digital é capaz de nos ensinar, dia após dia, a trabalhar competências pessoais importantes, como a responsabilidade e o respeito: “Não temos como entender o mundo que vivemos sem considerar a tecnologia mantendo a liberdade, autonomia, criticidade e responsabilidade. É preciso saber o que compartilhar, como compartilhar, por que compartilhar. O respeito está intimamente relacionado às relações pessoais em qualquer ambiente seja ele tecnológico ou não”.

Mais tecnologia, maior a vigilância

A tecnologia é parte integrante do desenvolvimento educacional do indivíduo, mas assim como se torna um tema substancial na realidade dos colégios, pode trazer dúvidas para uma parcela de profissionais, instituições e até pais que se preocupam com exageros e limites éticos.

Para a tranqüilidade de quem traz essas dúvidas, é correto afirmar que, na BNCC, todas as competências irão passar pelas questões do trabalho ético e segurança da informação e que essas temáticas estão inseridas no contexto pedagógico do currículo.

“A BNCC não invalida a LDB, ela permite autonomia no que diz respeito à formação e informação e outros assuntos. A LDB fala sobre a compreensão da tecnologia e o desenvolvimento de atitudes e valores, que nada mais é do que o cuidado com a ética e a informação. Portanto, as escolas precisam levar em consideração essa temática dentro do ambiente escolar”, esclarece Rosa citando Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional.

Dicas:

Conheça alguns dos órgãos que podem auxiliar o colégio na busca por informações sobre ética e segurança da informação:

CGI.br – Site do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Órgão governamental que ajuda a regular a internet no Brasil e disponibiliza publicações relacionadas à ética e cidadania digital.

NIC.br – Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Órgão vinculado ao CGI e que apresenta informações relevantes para se trabalhar ética e cidadania digital em sala de aula.

Safernet.org.br – Associação civil de direito privado que trabalha a ética e a segurança da informação em todos os aspectos da sociedade, inclusive com apoio de vítimas de abuso na internet e material didático para todos os níveis de ensino.

O papel do aplicativo de comunicação na BNCC

Quando o assunto é BNCC e todas as transformações que ela prevê nas matrizes curriculares Brasil afora, fica fácil entender que a comunicação escolar se torna um item ainda mais importante para o colégio a partir de 2020. Afinal, como neste processo de adaptação à Base estão envolvidas as vidas de milhões de alunos, é essencial que haja uma comunicação fluida, segura e eficaz entre as instituições e os pais.

Nesse sentido, entram em ação ferramentas como o aplicativo de comunicação escolar, uma ferramenta tecnológica capaz de encurtar distâncias e facilitar o entendimento.

A comunicação deve ter um espaço privilegiado na família, na educação, seja em casa ou fora dela, no trabalho, nas relações pessoais, enfim, na vida”, afirma Rosa, que, sobre os aplicativos de comunicação escolar, ainda diz: “Esse tipo de ferramenta proporciona, na prática, como a ética pode ser utilizada. A aprendizagem funciona quando ela tem significado para o aprendiz. Sendo assim, ao utilizar a ferramenta o usuário pode aplicar o que aprendeu em palestras proporcionadas pela escola e dicas deixadas no próprio feed de notícias, inseridas pela escola ou pelo próprio app”.

Especial BNCC: As mudanças do Ensino Médio e a reta final para adequações

A entrega dos novos projetos curriculares nas secretarias regionais deve ser feita até o início de 2020, mas ainda há muito a ser feito, principalmente quando o assunto é a nova Base do Ensino Médio e as mudanças que ela implica

Nosso Especial sobre a Base Nacional Comum Curricular continua, mas, nesta terceira matéria, abordamos um dos itens mais polêmicos do projeto de maneira geral: a etapa do Ensino Médio.

Nos textos anteriores, trouxemos um panorama geral sobre o assunto e suas diretrizes e discutimos o que exatamente mudou para o ensino particular.

Agora, buscamos entender a polêmica acerca da última etapa da Base, que culminou em muitos questionamentos por parte de toda classe escolar e chegou a provocar demissões no alto escalão do MEC.

Aprovada oficialmente em 4 dezembro de 2018 pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), esta etapa da BNCC mantém o prazo de vigência para o início do ano letivo de 2020, tornando 2019 um ano ainda mais decisivo (e mais curto!) para as adaptações.

BNCC do EM na teoria

Entender e traduzir as mudanças que o documento prevê para a realidade da educação brasileira no Ensino Médio é um grande desafio. A intenção é a melhor: elevar a qualidade do ensino no país de modo a atender os anseios da juventude, preparando-a para desenvolver suas habilidades e melhor atender ao disputado mercado de trabalho futuro. Mas, na prática, as mudanças requerem atenção.

Um dos principais focos de mudança é a carga horária, que passa de 2400 horas para 3000 horas no ensino diurno e oferece ao estudante do Ensino Médio noturno a possibilidade de estender o curso por mais de três anos, desde que o mínimo de horas-aulas seja 2400 até 2021, chegando a 3000 a partir de 2022.

A interdisciplinaridade e a flexibilidade são outros destaques. Aqui, o objetivo principal é garantir a autonomia do estudante. De acordo com a sua realidade local, cada escola, pública ou privada, elabora seu currículo, desde que se comprometa em possibilitar escolhas ao aluno. Assim, o estudante determina as matérias que mais lhe interessarem para se aprofundar, tudo isso, já de olho na formação técnica e profissional que vai ao encontro das demandas do mercado de trabalho.

As 10 competências gerais da BNCC valem também para o Ensino Médio. Esta nova etapa da Base, porém, vem organizada por áreas disciplinares, que interagem entre si para tornar o currículo mais adequado à realidade.

A divisão entre as áreas de conhecimento fica assim:

  • Linguagens e suas Tecnologias (Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa);
  • Matemática;
  • Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química);
  • Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia).

BNCC do EM na prática

Levando em consideração um panorama rápido sobre as estruturas escolares Brasil afora hoje, a dúvida que fica é: será possível oferecer ao aluno do ensino médio, na prática, toda essa liberdade de escolha que a BNCC propõe?

“A dificuldade em implantar a BNCC no Ensino Médio, dentro das áreas de conhecimento propostas, está no fato de a escola precisar operar mudanças estruturais e promover uma reorganização curricular. Não é tão simples, por exemplo, que uma escola com três turmas de Ensino Médio consiga se organizar para propor aos alunos frentes tão fragmentadas”, exemplifica Maria Helena Galucci, profissional com mais de 40 anos de atuação na gestão escolar e consultora da Humus Educacional.

A verdade é que já não há mais o que discutir, a fase de estudos da BNCC do Ensino Médio já passou e contou com a opinião de muitos profissionais gabaritados. Aliás, as mudanças acontecem, a exemplo da primeira etapa da BNCC, baseadas em cases de sucesso de países que já trabalham nesse modelo e vêm obtendo sucesso nos resultados, como Estados Unidos, França e Chile.

Para Maria Helena, por mais que pareça algo difícil neste momento, a proposta é válida e totalmente possível. “Não tem outra saída. O que precisamos fazer é encontrar um bom caminho na organização dessas escolas. A gestão precisa entender o custo-benefício dessas mudanças e disponibilizar pessoas com vontade e preparo. Tem que haver uma reestruturação total, desde o administrativo até o pedagógico”, explica ela que, com base em suas viagens visitando escolas em países-modelo, constata que a BNCC do Ensino Médio é o primeiro grande passo rumo a um sistema educacional mais eficaz.

Ensino Médio particular

Na matéria passada, vimos que o ensino particular já tem se adequado à proposta da BNCC há anos com um trabalho voltado para as competência e habilidades além do patamar cognitivo. Mas mesmo para essa parcela da gestão educacional do país, a etapa do Ensino Médio remete a questionamentos.

“Nós também viemos acompanhando a etapa da BNCC do Ensino Médio, quando ela foi oficializada nós já sabíamos do quadrante de alteração. Há alguma criticas, é natural, então ainda vamos aguardar a fase de regulamentação regional para irmos adiante. O fato é que a as novas propostas terão que dialogar com os processos seletivos já existentes no Brasil, como o ENEM e os vestibulares”, alerta Profº Marco Antônio Almeida Del’Isola, gestor pedagógico do colégio Mackenzie de Brasília.

A dúvida que fica é: Preparados em suas habilidades manuais e socioemocionais para o mercado de trabalho, esses jovens serão capazes de enfrentar os desafios dos vestibulares? Os tradicionais processos também deverão mudar?

Reavaliando e revalidando

Com tantas mudanças à vista, o que podemos atestar é que 2019 será um ano de muito trabalho para os colégios. “O entendimento sobre a BNCC ainda não chegou a sua totalidade, as escolas estão trabalhando nisso e há grande interesse por parte delas, mas é preciso continuar investindo nessa formação para que as mudanças sejam efetivas”, ressalta Maria Helena.

Ainda para a especialista, que hoje presta consultoria sobre o tema BNCC nas escolas, outro segredo além do investimento na formação dos professores é a reavaliação do currículo e das atividades na prática. Se em 2018 os colégios puderam criar seus planos, 2019 chega para que essas ações sejam colocadas em prática e avaliadas. Até 2020, quando a escola entrega seu plano para a secretaria regional de educação, todas as ideias estarão validadas e prontas para dar bons frutos.

Mais

Na próxima matéria deste especial você confere um verdadeiro dossiê sobre a tecnologia e a ética, um capítulo à parte na BNCC. Não perca!

Especial BNCC: O que mudou para o ensino privado?

Mesmo já trabalhando com as diretrizes da BNCC em seus currículos, instituições, redes e sistemas de ensino particular também vivem rotina de adequação; mudanças acontecem, principalmente, no quesito educação socioemocional e envolve a formação de professores

Se fizermos uma análise rápida do atual cenário da educação pública no Brasil, fica fácil de entender que a Base Nacional Comum Curricular chega com a importante missão de equalizar a aprendizagem e acelerar as transformações em salas de aula a uma nova realidade. Realidade esta já vivida pelo segmento de ensino particular há anos, em seus currículos com propostas de educação integral e modernas estruturas.

Entretanto, mesmo promovendo essas transformações na prática, as escolas, redes e os sistemas de ensino privado também vivem o período de adequação, afinal, a BNCC chegou para todos e com prazos a serem cumpridos.

Mas o que, de fato, muda na rotina dessas instituições? Como foi, para os gestores das escolas privadas, receber a BNCC? Entre as competências propostas, qual a de maior impacto?

Na segunda matéria do Especial BNCC do Blog do IsCool App, falamos do impacto da proposta no ensino particular tendo como base a opinião de profissionais com vasta experiência no segmento. De olho no prazo limite para a vigência da Base, vamos entender o que ainda deverá ser feito ao longo do ano no tocante ao assunto.

Clique aqui e leia a primeira matéria do especial que traz detalhes sobre a BNCC

Os alunos mudaram e a educação também

Com mais oportunidades, recursos e informação ao alcance, a rede de ensino particular, em geral, se posiciona na vanguarda, sempre atenta às transformações da sociedade. Recepcionando alunos nascidos na era tecnológica e em novas configurações familiares, há anos essas instituições seguem o movimento de adequação dos currículos e transformações físicas da tradicional sala de aula, recebendo com muita naturalidade as premissas da BNCC.

“O nicho das escolas particulares já vinha sentindo a necessidade de mudança de paradigma e buscava entender a necessidade do momento. Nós estamos na educação 4.0. Já passamos pela 3.0, que foi a introdução da tecnologia e interatividade que a BNCC propõe. Aliás, essa foi uma demanda das próprias escolas, da necessidade de atender os alunos de hoje inseridos no mundo digital”, conta Maria Helena Galucci, profissional com mais de 40 anos de atuação na gestão de uma rede de escolas particulares e consultora da Humus Educacional.

Com 85 anos de atuação, o Colégio Cristo Rei, mantido pelas Irmãs Agostinianas Missionárias em São Paulo,é um exemplo de que tradição e contemporaneidade devem andar lado a lado. Participando ativamente das discussões em torno da BNCC, com presença em audiências públicas e palestras sobre a elaboração do documento, a instituição conta que a escola recebeu com tranqüilidade as mudanças.

“O colégio vem acompanhando as discussões sobre currículo ao longo dos seus 85 anos. Em nossa proposta pedagógica, já trabalhamos com as 10 competências gerais da BNCC. Na prática, realizamos algumas pequenas alterações na grade curricular, dando ênfase nas formações para professores para trabalhar com atenção, principalmente, às competências sócioemocionais”, afirma Rosangela Jacob, doutora em educação e diretora do colégio Cristo Rei.

Esforços se concentram na preparação dos professores

Sem dúvidas, a formação e atualização dos professores envolvendo os temas da BNCC se tornaram o foco dos planejamentos dos colégios particulares. Afinal, é este profissional que vai colocar em prática o currículo e conduzir as mudanças. Ações nesse sentido se iniciaram em 2018, mas estão se intensificando em 2019.

“Vivemos uma realidade pedagógica eloquente e, por isso, nos tornamos uma cultura de organização aprendente. Para fazer intervenções mais efetivas no aprendizado do aluno, temos que aprender muito”, reforça o Profº Marco Antônio Almeida Del’Isola, gestor pedagógico do Mackenzie de Brasília, membro do conselho de educação do Distrito Federal e parte da comissão de legislação e normas do mesmo conselho.

Ainda para ele, mesmo que as aprendizagens requeridas pela BNCC estejam aquém do nível de aprendizado já consolidado pela sua equipe, o tema se tornou pauta dos treinamentos. “Temos formação de todos os professores e orientadores, sem exceção. Todos nós participamos desse movimento no sentido de aprender e refletir acerca da nossa ação, para que nosso processo se torne mais eficaz. Desde o final de 2017, já aprendemos mapas conceituais, aprendizagem significativa e tivemos estudos das metodologias ativas”, complementa Del’Isola.

No Colégio Cristo Rei, a proposta de formação dos professores tem foco na BNCC também desde que a Base foi aprovada. “Os professores dos diversos segmentos e disciplinas organizaram-se em grupos de estudos. Os pontos das discussões foram apresentadas e problematizadas com a escola como um todo, com mediação da coordenação pedagógica”, explica Rosangela.

Professores fora da zona de conforto

Na visão da consultora Maria Helena Galucci, a intensificação na preparação dos educadores veio ao encontro de uma outra necessidade, a do engajamento dos professores: “Na prática, de inicio, houve uma resistência por parte dos professores, principalmente os que já atuam há mais tempo. Considerando a condição e o gabarito profissional, vemos uma queda muito acentuada na formação de professores. A BNCC veio, então, para tirar as pessoas da zona de conforto, porque ela é uma realidade legal, quem não se apropriar vai estar fora”, afirma.

Enquanto os professores se apropriam da nova base e das novas diretrizes, a escola mais atenta já colhe grandes resultados práticos. Neste novo cenário, os professores passam a ser facilitadores do aprendizado e os alunos se tornam protagonistas do próprio conhecimento, construindo a sociedade do futuro.

Habilidades socioemocionais têm maior destaque

É de consenso que a BNCC não infringe a autonomia das instituições privadas, isso também porque a Base deixa claro que as transformações devem ser feitas de acordo com a realidade de cada escola. O que se vê é que os conselhos regionais de ensino e os próprios colégios determinam as competências prioritárias a serem trabalhadas.

Entretanto, de todas as diretrizes apresentadas pela BNCC, as que envolvem as habilidades socioemocionais são a de maior destaque e também as que estão requerendo maior atenção por parte das instituições privadas, mesmo que temas como coletividade e ética já sejam trabalhados em sala.

“Destacamos a importância sobre a concepção de educação a partir das interações do eu com o mundo. A atenção à diversidade de saberes e vivências culturais. A empatia e o diálogo como formas de ser e estar no mundo”, explica Rosangela sobre as principais competênciasselecionadas pela equipe do Colégio Cristo Rei de acordo com a proposta educacional da instituição.

“Quando a BNCC aponta caminhos socioemocionais, ela está legitimando coisas que já procurávamos fazer, como saber ouvir, ter empatia, se colocar no lugar do outro, trabalhar em grupo. Tem a ver com nosso dia a dia. Mas a educação socioemocional é, sem dúvidas, a competência de maior destaque pela importância da formação de caráter da pessoa”, emenda Marco Antônio sobre a proposta de absorção da BNCC por parte do Mackenzie Brasília.

Na próxima matéria do Especial BNCC aqui no Blog do IsCool App, especialistas destacam temas ainda delicados, como a BNCC no Ensino Médio e a ética. Não perca!

Especial BNCC: Afinal, o que é a Base Nacional Comum Curricular?

Nesta primeira matéria da série, o Blog do IsCool App sintetiza aspectos gerais do documento que torna obrigatória a revisão dos currículos ainda em 2019 e busca explicações para entender porque ela é um divisor de águas na educação brasileira

Há dois anos, o assunto que não sai da cabeça dos gestores educacionais e professores é a sigla BNCC. Desde que foi homologada, em dezembro de 2017, a Base Nacional Comum Curricular vem sendo tema central de palestras, treinamentos, livros e até eventos inteiros e tem transformado a rotina de colégios públicos e particulares Brasil afora. A um ano de ter o seu prazo de adaptação expirado, a nova base curricular ganha ainda mais importância e um maior sentido de urgência, por isso, também se tornou o tema da nossa primeira série especial em 2019 aqui no Blog.

Relembre o especial de tendências na educação, com assuntos como arquitetura escolar, gestão participativa e educação socioemocional

Em quatro matérias recheadas com conteúdo de entrevista de diversos profissionais da área e órgãos federais, vamos traçar um panorama de como tem sido a adaptação à BNCC por parte dos colégios e o que ainda deve ser buscado por eles ao longo de 2019, além de destacar as principais mudanças e diretrizes propostas pelo documento. E para começar, nada melhor que sintetizar a BNCC, sua importância, seus prazos e suas competências.

Onde tudo começou

Para entender a BNCC é preciso saber mais sobre a origem dessa necessidade de parametrização do ensino. “A elaboração de um documento contendo as aprendizagens essenciais e comuns a todos os estudantes brasileiros já estava prevista na Constituição de 1988, LDB de 1996 e mais recentemente na lei do PNE de 2014. Portanto, é uma determinação legal que só agora o Brasil tem aprovada. Os países com os melhores resultados educacionais do mundo possuem documentos como a BNCC, quer na forma de currículo ou documentos de referência”, afirma Eduardo Deschamps, presidente da Comissão da BNCC e do Ensino Médio.

Apesar de homologada em 2017, a BNCC foi criada ao longo de quatro anos pelas mãos de diversos órgãos e profissionais ligados à educação. Neste período de discussão e elaboração, inclusive, foram analisados documentos nos mesmos padrões da BNCC utilizados por países que são referência quando o assunto é educação, como a Finlândia e o Canadá, por exemplo.

Mas o que a BNCC tem de diferente da LDB e do PNL?

Tanto a LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação nacional) quanto o PNL (Plano Nacional de Educação) ganharam reforço com a chegada da BNCC, que, de certa, forma, operacionaliza as diretrizes e esmiúça os conteúdos para que as metas do PNL e as regras da LBD sejam atingidas.

Podemos dizer que, na escala de importância, temos a LDB, que especifica o aprendizado e o saber de cada idade escolar, seguida do PNL que, com objetivos mais gerais, enfatiza a dinâmica da evolução do aprendizado e, por fim, chegamos à BNCC, que explica, desde a educação infantil, aquilo que se espera que os alunos aprendam, apresentando a mecânica para atingir os objetivos previstos anteriormente.

Mas afinal, o que a BNCC acrescenta ao currículo já existente?

Na BNCC todo currículo pedagógico deve ser revisto com a inserção de competências e habilidades que trabalhem o aprendizado de maneira integral. “A inclusão das competências do século XXI ou competências sociemocionais e a antecipação do processo de alfabetização talvez sejam as maiores novidades”, explica Deschamps, representando também o CNE (Conselho Nacional de Educação).

Segundo o MEC, em declarações à equipe de reportagem do Blog do IsCool App, a partir da BNCC, as redes, sistemas e instituições de ensino podem sofrer profundas transformações. “Como consequência, a BNCC introduz mudanças importantes nos currículos, que devem impactar na formação dos professores, nos projetos pedagógicos das escolas, nos materiais didáticos, nas avaliações e demais ações e políticas educacionais”.

As 10 competências da BNCC

Olhando pela perspectiva das transformações educacionais e a enxurrada de metodologias de aprendizagem ativa (como já falamos em matérias como gamificação, aprendizagem por projetos e cultura maker) e novos padrões de ensino que vivemos nos últimos anos, entendemos o quão importante é a BNCC e como ela é muito mais que um simples documento de caráter normativo. Ela pode ser considerada um divisor de águas, uma vez que desperta em toda classe um sentimento de formação humana integral e a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.

E o que torna a BNCC assim tão especial é, sem dúvidas, o conjunto de competências em que está fortemente baseada. O que vemos de diferencial nessa proposta, ao longo de toda a educação básica, é a inserção de atitudes e valores, competências socioemocionais (assunto que já abordamos nesta matéria), em igual destaque às habilidades cognitivas – que nunca deixarão de ter sua importância.

Para entender a importância dessas competências gerais da BNCC, vamos conhecê-las de acordo com o tema e o objetivo:

1) Conhecimento

Propõe: Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital.

A fim de: Entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2) Curiosidade intelectual

Propõe: Recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade.

A fim de: Investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

3) Empoderamento cultural

Propõe: Valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais.

A fim de: Fruir e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4) Comunicação em todas as formas

Propõe: Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica.

A fim de: Expressar-se e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

5) Empoderamento digital

Propõe: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares).

A fim de: Comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

6) Preparação para a vida

Propõe: Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências.

A fim de: Entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7) Senso crítico e ética

Propõe: Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis.

A fim de: Formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8) Autoconhecimento

Propõe: Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional.

A fim de: Compreender-se na diversidade humana e reconhecer suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9) Empatia e proatividade

Propõe: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação.

A fim de: Fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10) Cidadania

Propõe: Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação.

A fim de: Tomar decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Prazos

A inclusão dessas competências em formato de projetos práticos já se iniciou há alguns anos no ensino privado, como veremos nas próximas matérias deste especial, entretanto, a corrida rumo à contextualização final dessas diretrizes vem se intensificando desde 2018. Agora, em 2019, os colégios, professores, sistemas de ensino, redes e materiais didáticos têm o prazo final para adequação.

A partir do primeiro semestre de 2020, os conselhos municipais e estaduais de educação já deverão ter em mãos todo o currículo e os projetos dos colégios. Nesses documentos, os pontos propostos pela BNCC devem estar contemplados e, posteriormente, revalidados.

BNCC do Ensino Médio

Após uma repercussão repleta de polêmicas e até pedidos de demissões de alto escalão, a etapa do Ensino Médio da Base Nacional Comum Curricular teve sua aprovação em 18 de dezembro de 2018. Entretanto, apesar da publicação tardia no Diário Oficial da União, o prazo para que as diretrizes entrem em vigor se mantém igual ao prazo da etapa do ensino fundamental: primeiro semestre de 2019.

Os colégios terão o ano de 2019 para adequar o conteúdo mínimo, a carga horária e a estrutura física – de acordo com suas realidades – para os estudantes do ensino médio. Com as mudanças, matemática e português terão carga horária obrigatória, mas outras matérias poderão ser distribuídas ao longo dos três anos desta etapa. Os alunos terão mais liberdade para escolher assuntos específicos de interesse próprio e para a futura carreira, sem contar que todas as matérias, assim como em sistemas de ensino com base em projetos, serão abordadas com foco no cotidiano dos jovens.

Resolução baseada, mais uma vez, no exemplo de outros países que deram certo. Solução para os jovens, certo transtorno para alguns colégios, que terão severas adaptações no âmbito de gestão administrativa e pedagógica, conforme abordaremos nas próximas matérias deste especial.

O sucesso da gamificamação como estratégia de aprendizado

O advento dos chamados serious games tem garantido grandes resultados na alfabetização, ensino de matemática e inclusão com alunos de todas as idades e que apresentam diferentes necessidades; conheça mais sobre esse modelo de aprendizagem ativa e saiba como ela pode auxiliar seu colégio

Gamificação_educacross_iscoolapp

A máxima “aprender brincando” nunca fez tanto sentido como no cenário atual da educação. Em plena transformação, a sala de aula agregou não somente mais tecnologia, como também abriu espaço para diferentes dinâmicas de aprendizagem, entre elas, a gamificação, que se apoia em plataformas digitais para conquistar a atenção e engajamento do aluno.

Antes identificada por parte da população de outras gerações (nossos pais e avôs) como uma distração e uma atividade que poderia influenciar negativamente na formação, os games digitais agora fazem mais sentido do que nunca. Chamados de serious games, os jogos educativos estão revolucionando a absorção de conteúdo e não se restringem somente a matemática ou física, com eles, o aprendizado é multidisciplinar e pode ser aplicado em português, geografia, filosofia e qualquer outra matéria.

“O engajamento da gamificação cresceu no espaço empresarial, atrelado com o marketing de recompensa. A escola sempre trabalhou com gincana, que é um exercício gamificado, de mérito e estímulo. A partir do momento que começou a se falar sobre aprendizagens ativas e do professor como mobilizador, há maior demanda por refinar essas estratégias e buscar novos sentidos, portanto, a gamificação surge como ferramenta que ajuda a criar a motivação externa, ritmo de aula, a engajar o aluno por maior tempo possível naquele trabalho”, explica Érica Stamato, professora, psicopedagoga com MBA em Gestão Escolar pela USP e formadora de professores com 20 anos de experiência.

 

Embarcando no conceito de flow

Sabe quando a mãe insiste para o filho sair da frente da tevê e parar de jogar vídeo-game para poder comer, dormir e até brincar com outras atividades? É baseado justamente nesse poder de atrair a atenção e manter a concentração do jogador que a gamificação ganha espaço.

Essa absoluta imersão te mantém mais tempo envolvido com uma atividade prazerosa e torna o aprendizado de qualquer tipo de atividade mais orgânico e eficaz. Chamado de flow, esse estado emocional é defendido por Mihály Csíkszentmihályi, psicólogo húngaro e autor de importantes estudos da psicologia positiva.

Atividades físicas, culinária, jardinagem, meditação… são várias as maneiras de se atingir o estado de flow. No caso dos serious games utilizados na gamificação, há o aprendizado por trás do entretenimento, afinal, são jogos com propósitos educacionais.

 

A gamificação e suas inúmeras possibilidades

Existem diversas tecnologias, plataformas e formatos disponíveis no mercado e que auxiliam os colégios na inclusão da gamificação como metodologia educacional complementar. Tem gamificação por aula, por projeto, por semestre e com ação pontual ou para longo prazo. Aliás, o uso de serious games se enquadra como projeto de desenvolvimento de habilidades proposto pela BNCC, assim como outras metodologias ativas que já tratamos aqui no Blog, aqui e aqui.

No colégio Anglo Vinhedo, por exemplo, os alunos do Ensino Médio tiveram um itinerário formativo de design de games na matéria de geografia, cujo objetivo era entender a história dos jogos e passar pelo processo de produção de um game, desde a construção de um roteiro, criação de personagens até os conceitos de animação, design de som e efeitos sonoros.

“As aulas teóricas e práticas estimularam a criatividade, o pensamento lógico, a prática da língua inglesa, o letramento digital e uma absorção lúdica do conhecimento, utilizando os conceitos do ensino híbrido”, conta Idelli Nichele, coordenadora do Ensino Médio.

Nascida de pesquisa científica, a Educacross é uma plataforma criada pela Cross Reality e que oferece mais de dois mil jogos educacionais. Com ela, cada aluno recebe uma senha para acessar um conteúdo personalizado, definido pelo professor tendo como base as mais diferentes modalidades de games e objetivos. “Quando o aluno entra no espaço digital, ele vai ter as missões e roteiros, conforme passar de fase, ele terá acesso a ilhas em que ele encontra mais jogos e novidades”, enfatiza Érica Stamato, que está à frente do projeto.

 

Acompanhamento e mapeamento das habilidades

Conforme o aluno avança para novas fases e ganha crédito para transformar seu avatar e obter mais vantagens dentro dos jogos, ele aprende a ler e escrever ou a fazer contas, tudo isso, sem se dar conta. Quem percebe essa evolução na prática é o professor ou o coordenador, que acompanham a cada passo do aluno no game.

“O coordenador e o gestor conseguem ter, com a plataforma, uma visão macro ou micro da experiência do aluno. Dentro do jogo, nós temos seis tipos de análise, que recomendam automaticamente os jogos para cada aluno e ajudam a mapear análises. A plataforma é um guarda-chuva, um metajogo que vai enredar tudo o que a criança deve fazer e promover uma aprendizagem baseada em problema”, explica Érica.

 

Ressignificando o aprendizado

Entre os benefícios propostos pela gamificação, um dos mais interessantes é a ressiginificação do aprendizado. Nesse sentido, os serious games se configuram como uma poderosa ferramenta para o trabalho específico com alunos que apresentam dificuldade no aprendizado tradicional.

Se em aulas expositivas tradicionais é comum ter alunos com pensamentos vagos e pouco estimulados, os games chegam promovendo desafio, como é o caso de um aluno citado pela Educacross que, com 9 anos de idade, ainda não sabia ler ou escrever e se sentia desacreditado em sala de aula. Por não conseguir absorver o conteúdo, acaba se comportando com rebeldia.

“O aluno ficou quatro meses na plataforma. No começo, era bastante desobediente, mas quando começou a jogar e descobriu seu avatar, passou a ir bem. Traçava estratégias, queria compartilhar com as outras crianças. Como resultado, o estudante passou a ler, escrever e até fazer conta com fração”, conta Érica emocionada.

Professora, Érica sentiu na pele esse problema, ao descobrir que a filha sofria de dislexia. Agora, com a plataforma, ela levanta a bandeira do ensino com estímulo para casos como o da filha, de crianças com hiperatividade e até superdotados. “O aluno que citei como exemplo foi transferido para um ambiente novo, longe do lápis, do papel e de um cenário em que ele era tido como fracassado. A gamifcação ressignificou a escola para ele”, ressalta a professora.

 

Futuro

Os inúmeros benefícios para os alunos que têm contato com a gamificação também se refletem para o colégio, que passa a ter alunos mais felizes, envolvidos e que amam e cuidam da escola. Apesar da resistência de mudança e evolução de muitas escolas, a gamificação veio para ficar e pode ser uma poderosa arma em prol do bem-estar coletivo.

“As crianças são nativos digitais, uma geração em que o engajamento é muito mais necessário do que foi quando eu estudei. Com a inteligência artificial, a gamificação tende a ficar cada vez mais necessária e refinada. Ainda haverá um crescimento muito grande do tema e as escolas terão que acompanhar essa evolução”, finaliza Érica.

Sala de aula invertida na prática: o que é e como implantar

Criado há pouco mais de dez anos, o modelo de organização de sala de aula é mais uma das opções destacadas pelas metodologias ativas; escolas têm adaptado a tendência a seus próprios métodos na busca por resultados ainda mais eficazes

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Cadeiras enfileiradas, cadernos e livros como principal ferramenta de uso do aluno, salas de aula fechadas e totalmente emparedadas, protagonismo do professor… o modelo de ensino do século passado ainda é o mais utilizado em escolas do mundo todo porque também prova ser eficaz em muitos pontos. Entretanto, essa imagem de organização tem, aos poucos, se dissolvido mediante tantas transformações pelas quais a sociedade transcende.

Novas ferramentas, principalmente baseadas em tecnologias educacionais, dão espaço ao que chamamos de ensino híbrido, cuja intenção é oferecer diversas opções de aprendizado ao aluno. Uma das metodologias ativas inseridas nesse cenário, e que cada vez mais ganha a atenção de gestores escolares, é a Sala de Aula Invertida, que, de maneira resumida, traz o aluno como explorador do conteúdo e o professor com o papel (não menos importante) de mediador do aprendizado.

Unida a outras técnicas e metodologias, a Sala de Aula Invertida tem sido aproveitada com êxito por gestores educacionais Brasil afora. Mas nada de mudanças radicais ou de puro modismo, o segredo de quem aplica o conceito está na capacidade uni-lo às práticas já consagradas pela instituição, de maneira orgânica.

 

Mais que uma tendência, uma necessidade

A Sala da Aula Invertida surgiu nos Estados Unidos, entre os anos de 2006 e 2007, em grandes universidades americanas. Um dos precursores do chamado flipped classroom é o professor de química da Universidade do Colorado, Jonathan Bergmann, que, com base em pesquisas, defende o método de flipped learning como sendo o mais eficaz no aprendizado em qualquer idade.

Mais eficaz ou não, na prática, a verdade é que o método tem características diferenciadas. “A chamada sala de aula invertida é, dentro outros, um dos modelos de organização do ensino híbrido, que pressupõe que haja várias maneiras de aprender, em vários lugares e que alterna momentos em que o aluno estuda sozinho – normalmente em ambientes digitais – e em grupo – quando está em sala de aula com o professor e com os colegas”, explica Márcia Rosiello Zenker, educadora, psicóloga clínica e educacional e consultora associada da Humus Consultoria Educacional.

A Sala de Aula Invertida envolve as TDICs – Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação, por isso ganha a atenção da comunidade escolar. “É uma tendência e uma necessidade as escolas usarem, cada vez mais, metodologias ativas. A sala de aula invertida é apenas um modelo que serve a essa metodologia. Hoje, com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), em que se propõe o desenvolvimento do protagonismo do estudante e a inserção das TDICs, mais do que nunca são importantes e bem-vindas todas as formas de organização do conhecimento. E a sala de aula invertida é uma delas”, afirma Márcia.

 

O exemplo do Colégio Emilie de Villeneuve

No Colégio Emilie de Villeneuve, que utiliza o IsCool App como plataforma de gestão de comunicação, o conceito da Sala de Aula Invertida faz parte da estratégia de ensino de forma orgânica, pois está inserido em todos os espaços de aprendizagem da instituição. “Todos os espaços de aula, como laboratórios de ciências, informática, línguas, cozinha experimental , entre outros, são utilizados de forma a permitir ao aluno a construção ativa de seu conhecimento e não apenas reproduzir sequências didáticas”, conta Marizilda Escudeiro de Oliveira, Coordenadora Pedagógico-Educacional do Ensino Médio e da EJA – Educação de Jovens e Adultos do colégio localizado na capital paulista.

Comprometido com o aprendizado hibrido e com a difusão do que há de mais atual em tecnologias educacionais, o Colégio Emilie de Villeneuve se pauta nos bons resultados obtidos com a unificação de metologias no espaço maker, uma sala de aula para aprendizagem criativa, que contou com investimento em mobiliário próprio para se adaptar de acordo com a necessidade de cada grupo. “Esta sala vai além da aula invertida. Os alunos desenvolvem projetos no plano digital e os tornam reais com a ajuda de sensores, impressora 3D, cortadora a lazer. Desta forma constroem conceitos, desenvolvem habilidades transitando entre uma ideia, um projeto e a sua execução. Os ganhos com a utilização desta sala estão relacionados à aplicação direta nas questões do cotidiano”, ressalta a coordenadora.

 

Uma questão de adaptação

O fato é que as escolas têm adaptado as metodologias ativas à sua realidade e aos seus fundamentos. Em matéria recente, citamos o exemplo do Colégio Teresiano, do Rio de Janeiro, que utiliza diversas ferramentas, entre elas o blog, para promover o empoderamento digital. O próprio colégio, que também aposta no IsCool App para comunicar e integrar as famílias sobre as atividades desenvolvidas em classe, cita que reservou um andar inteiro para a criação de salas de aulas interativas, em que o aluno pode mesclar o uso de computador, tablet, celular, impressoras 3D e livros simultaneamente.

Espaços híbridos, aliás, também já foram tema para um dos textos mais lidos deste blog, a matéria sobre arquitetura escolar. Com especialistas no assunto, o texto fala da importância da quebra de paradigmas no design das salas de aula contemporâneas e cita exemplos de como essas adaptações podem ser aplicadas em cada colégio, alinhando demandas e orçamento.

 

As vantagens da sala de aula invertida na prática

Especialista em história da educação brasileira, Márcia Rosiello Zenker elenca os principais ganhos refletidos pela sala de aula invertida, de acordo com declarações colhidas por ela de professores e alunos. Confira:

  • Maior interatividade, tanto entre os alunos como entre alunos e professor;
    Aumento no nível de colaboração entre os alunos e estímulo ao compartilhamento do conhecimento por parte deles;
  • Crescimento da motivação e interesse dos alunos em aprender;
  • Ampliação do interesse pelo conhecimento para além dos muros da escola, chegando, muitas vezes, aos familiares;
  • Apropriação, pelos alunos, da construção do conhecimento;
  • Facilitação de identificação das dificuldades dos alunos pelo professor, possibilitando que ele redirecione o estudante para novas atividades.