Política em classe

Com tantas manchetes envolvendo escândalos políticos, o tema volta à tona e chega com força às salas de aulas… Mas qual a melhor forma de trabalhar essa delicada temática? O IsCool App foi buscar opiniões para ajudar o professores e coordenadores pedagógicos nessa difícil tarefa

IsCool App - Política em sala de aula.png

 

A cada dia, uma nova teoria, um novo escândalo ou um segredo revelado trazem a política brasileira para o centro das atenções, levando o tema para além das manchetes dos jornais e tornando-o base de discussões em todas as esferas sociais, inclusive dentro das escolas. Nesse sentido, professores e coordenadores pedagógicos ganham a oportunidade de trabalhar em sala de aula a pauta política e tudo o que a envolve, tendo como ilustração casos reais para atividades envolvendo sociologia, antropologia e ciência política.

“É muito importante trazer os acontecimentos atuais para a sala de aula. Em geral, os alunos têm informações desencontradas sobre esses escândalos. A Sociologia pode ajudá-los a compreender esses fenômenos sociais de maneira mais crítica e menos intuitiva, com base em teorias e conceitos”, explica o professor de sociologia e autor do Sistema Anglo de Ensino, Eduardo Calbucci.

 

Introdução à política

Antes de falar dos últimos acontecimentos políticos, é necessário resgatar o trabalho do tema macro. É fato que ensino da política é de grande importância em sala de aula pela ligação direta à formação de opinião crítica dos futuros cidadãos. Dessa maneira, assuntos como divisão dos três poderes, formas de governo e sistemas eleitorais devem ser recorrentes. Mas, afinal, quando a política deve ser introduzida aos alunos? A partir de que idade esse assunto tem coerência e pode trazer efetividade?

Para o professor Calbucci, o Ensino Fundamental I abre espaço para a introdução do tema: “É claro que os professores vão dosando as informações e monitorando a complexidade das discussões de acordo com a idade dos alunos, mas é possível começar este trabalho logo após a alfabetização. Isso pode ser um ganho para eles e para a sociedade, que precisa de cidadãos que compreendam o funcionamento de nossas instituições”.

 

Política palpável

Quando nenhuma apostila traz a solução didática para se trabalhar os acontecimentos políticos em sua classe, é hora de partir para a prática. Afinal, nada como abordar o tema tendo como fonte as mídias imprensas e digitais.

Na opinião da professora de geografia e sociologia do Colégio Internacional EMECE, Angélica Larcher, além de ser um rico material didático, as notícias instigam a reflexão de diferentes pontos de vista. “É primordial que o os alunos tenha acesso à diversas fontes de informação e notícia. Um bom trabalho de pesquisa e compilação de informações, mediado pelo professor, deve ser o pontapé inicial de um bom debate. O acesso às diversas opiniões, fontes de informação, veículos de notícias e, principalmente, a disposição em escutar a posição do outro e colocar a sua própria posição faz com que o trabalho com temas polêmicos se aproxime o máximo possível da neutralidade”, afirma ela.

 

ensinar política na escola

 

Os exemplos e a mensagem moral

O trabalho de trazer a política para a rotina escolar do aluno nem sempre vem desenhado de maneira clara e requer atenção dobrada pela delicadeza de temas adjuntos, como ética e moral. Nesse sentido, é preciso cuidado dobrado para que o assunto não “patine” na esfera abstrata, estacionando em questões como princípios de honestidade e senso de verdade e justiça.

A análise política deve sempre ser o tema central e, mais importante, com base no apartidarismo. “Quando falamos em política partidária a Escola deve cuidar para que as informações passadas sejam o mais diversa quanto possível. Sem definir o ‘certo’ e o ‘errado’, provocando nos alunos a necessidade de definir prós e contras e elaborar alternativas”, frisa a professora Angélica.