A importância do monitoramento da saúde dos alunos durante a pandemia

A retomada das aulas presenciais exige ainda mais atenção quanto à saúde das crianças e jovens; conheça práticas e ferramentas que auxiliam neste desafio

Depois de quase um ano de pandemia, a volta às aulas presenciais acontece em pelo menos 15 estados brasileiros. Entretanto, as escolas tiveram que investir esforço e dinheiro para cumprir uma série de protocolos a fim de prevenir a entrada do Covid-19 pelos portões e manter a saúde dos alunos.

“É um momento delicado para todos”, define a psicóloga Rosely Sayão, durante Live realizada pelo Estadão, no dia 23 de fevereiro. “As crianças vão encontrar uma escola cheia de protocolos. Elas vão ver os colegas, vão querer chegar perto, mas vão ser contidas. Para as crianças é um misto de alegria e frustração”, diz.

De acordo com a psicóloga, é muito importante que os pais exijam os protocolos sanitários dentro de casa. “É o estabelecimento desse comportamento em casa que vai facilitar o hábito na escola”, ressalta ela ao lembrar que geralmente as crianças são mais impulsivas, os adolescentes são mais transgressores e por tudo isso os administradores das escolas vão precisar ter muitos olhos.

Volta às aulas com segurança

As escolas investiram em equipamentos de proteção individual adequados, como máscaras e protetores faciais. Produtos de limpeza e outros materiais seguros, incluindo barreiras de acrílico. Algumas instituições contrataram mais professores devido ao tamanho reduzido das turmas, enquanto outras melhoraram os sistemas de ventilação e construíram estações de lavagem das mãos.

No entanto, quais são os desafios de reabrir escolas? Se o aluno ou professor testar positivo, o que deverá ser feito? Para muitos administradores escolares, o pior cenário é que a escola sofra um surto após sua reabertura, deixando dezenas de alunos ou professores doentes, espalhando a doença pela comunidade.

Por exemplo, o Colégio Objetivo, de Nova Odessa/SP, adotou a aferição de temperatura dos alunos logo na entrada, o uso obrigatório de máscaras e a limpeza dos banheiros três vezes ao dia. Além disso, instalou dezenas de dispensers de álcool em gel em pontos de maior circulação. Também adicionou uma pia para higienização das mãos e colocou tapetes sanitizantes nas entradas da escola.

Em artigo do blog da escola, a encarregada de Operações do Colégio, Fabiana Frazão diz que “a higienização constante neste período é importante porque a limpeza é a base de tudo. Através da parceria com a equipe, tornamos o ambiente limpo e agradável para receber os alunos com toda a segurança. Limpeza é saúde, limpeza é vida”.

Formulário de monitoramento da saúde no aplicativo

No Colégio Everest Internacional, de Curitiba/PR, uma comissão de crise formada por colaboradores e pais médicos, ainda em janeiro de 2020, criou protocolos sanitários necessários para o retorno seguro às aulas presenciais neste mês de fevereiro.

Além da preparação dos espaços, divisão de turmas e treinamento dos funcionários, há um item extra de apoio; o monitoramento diário da saúde dos alunos através do celular. A nova funcionalidade é fornecida pelo aplicativo de comunicação escolar IsCool App (utilizado pelo colégio desde 2019) em forma de formulário dinâmico e será atualizada diariamente pelos pais.

“O formulário dinâmico foi uma boa novidade para nós porque é uma exigência dos órgãos governamentais que os pais respondam esse checklist sobre a saúde dos filhos diariamente. Hoje já existe uma aferição de temperatura da criança dentro do carro por parte de nossa equipe. Então, se ainda tivéssemos que responder um questionário neste momento, levaria mais tempo.”, conta Elisa Filla – Coordenadora de Comunicação da instituição, sobre a preocupação em não provocar filas na portaria ou atrasar a entrada dos alunos.

De acordo com a gerente de negócios do IsCool App, Mariam Vahdat, o formulário dinâmico é uma ferramenta digital que pode ser utilizada para coleta automatizada de dados de modo geral, mas que tem realmente feito a diferença neste período de pandemia. “A escola pode coletar ficha médica para mapeamento, monitoramento e prevenção do Covid-19, além de requerimento de matrícula, atualização de cadastro, entre outros”.

Extinção da agenda de papel e da contaminação cruzada

Na unidade curitibana do Colégio Everest, a contaminação cruzada é outra grande preocupação, por isso, outra importante medida tomada foi a extinção definitiva das agendas de papel e uso exclusivo do aplicativo de comunicação escolar.

“De forma muito efetiva os pais recebem todos os comunicados relacionados ao colégio pelo celular, além de também entram em contato conosco através do canal de atendimento do IsCool App. É uma ferramenta que funciona muito bem e nos ajudou muito no retorno às aulas, então assim pudemos eliminar a agenda física, que é um meio de propagação e de contaminação”, afirma Elisa.

A abolição das agendas físicas já estava no radar de grande parte das instituições e, de modo geral, voltou à pauta durante a pandemia, como parte do processo de transformação digital do segmento. Um novo protocolo que deve perdurar.

Protocolos e medidas preventivas da pandemia nas escolas

De acordo com a Unesco, estudantes do mundo todo perderam, em média, 2/3 do ano letivo por causa da pandemia. O Brasil está entre os países com o período mais prolongado de fechamento das escolas: 40 semanas. Não é à toa que os alunos brasileiros comemoraram a volta às aulas presenciais.

No caso do Estado de São Paulo, a retomada das aulas será gradual e irá permitir o tamanho do grupo presencial de acordo com a cor de cada fase do plano. As escolas da educação básica que atendem alunos da educação infantil ao ensino médio, poderão receber presencialmente:

  • fases vermelha ou laranja, até 35% dos alunos matriculados.
  • fase amarela, até 70% dos estudantes.
  • fase verde, até 100% dos alunos.

De acordo com o plano, os protocolos específicos do setor educacional incluem:

  • Higienizar os banheiros, lavatórios e vestiários antes da abertura, após o fechamento e, no mínimo, a cada três horas;
  • Remover o lixo no mínimo três vezes ao dia e descartá-lo com segurança;
  • Higienizar os prédios, as salas de aula e, particularmente, as superfícies que são tocadas por muitas pessoas (grades, mesas de refeitórios, carteiras, puxadores de porta e corrimões), antes do início das aulas em cada turno e sempre que necessário;
  • Manter os ambientes bem ventilados, com as janelas e portas abertas, evitando o toque nas maçanetas e fechaduras.
  • Preservar sempre o distanciamento de 1,5m e os limites de presença, podendo haver revezamento dos estudantes por dia.

Todos os protocolos estão disponíveis neste link.

Se algum aluno apresentar temperatura acima de 37,5°C, o colégio deve orientar o retorno para casa e garantir que o aluno aguarde em local seguro e isolado na escola até que pais ou responsáveis possam buscá-los. Neste caso, também é necessário orientar as famílias a procurar o serviço de saúde.

Se houver mais de um aluno sintomático, respeitar o distanciamento de 1,5 m e mantê-los na mesma sala. Após a desocupação da sala, mantê-la arejada, com portas e janelas abertas, sem ocupação por 2 horas, para possibilitar a dissipação da aerossolização.

Baixe o FAQ volta às aulas 2021 da Secretaria de Educação do Estado de SP

2 comentários sobre “A importância do monitoramento da saúde dos alunos durante a pandemia

Deixe uma resposta