Melhores práticas para uma alta performance dos alunos no ensino híbrido

Como vencer os desafios do ensino híbrido e garantir o ensino efetivo e de qualidade pelo qual seu colégio é conhecido

Um dos pontos positivos da mudança na educação no ano passado foi a antecipação de uma proposta antiga das escolas: a implantação do ensino híbrido. Entendido como a combinação de atividades “on-line” e “offline”, o modelo vem sendo discutido há anos por educadores e, com a pandemia, acaba sendo efetivamente imposto. 

Inclusive, sobre o ensino híbrido, falamos aqui com recorrência no blog do IsCool App desde a volta às aulas 2021. Saiba mais:

Guia da comunicação no ensino híbrido

Ensino híbrido na prática

Mas, será que as escolas conseguirão vencer os desafios frente a essa nova forma de aprendizagem? Embora saibamos que o impacto desse vírus será de longo alcance, o que ele significa para a qualidade do ensino?

Desafios do ensino híbrido

A partir da experiência que alguns colégios passaram, daria para elencar as melhores práticas para uma alta performance dos alunos? A chamada Geração Z, indivíduos entre 6 e 18 anos, está profundamente entrelaçada com o uso da tecnologia, o que já facilita e muito. Mas será que só o fato de serem nativos de uma era digital já é o suficiente?

De acordo com um relatório da Dell Technologies, 85% dos empregos oferecidos em 2030 – quando a geração Z e a geração Alpha (pré-escolares) estarão no mercado de trabalho – ainda não foram inventados. Segundo estudos do Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças do ensino fundamental hoje trabalharão em profissões que ainda não existem.

Não saber quais profissões nos esperam lá na frente já é desafiador por si só. Essa é uma questão importante que o ensino híbrido terá que oferecer meios de vencer. Mas, no momento presente, os desafios mais urgentes são:

1 – Infraestrutura

Desde o fechamento das portas, as escolas tiveram que acelerar a implantação de sistemas de ensino a distância e a maioria fez isso sem planejamento. Para a volta às aulas em 2021, as escolas tiveram mais tempo para se planejar e investir em equipamentos e internet rápida a fim de que o ensino híbrido ganhasse tônus.

Obviamente, é caro adquirir tecnologia de software e hardware para programas de ensino híbrido. Isso é especialmente verdadeiro se a escola precisar dobrar esse investimento para mais de uma unidade. No entanto, há um vislumbre de esperança de longo prazo. Ao investir na tecnologia certa hoje, a instituição pode ter economizado muito dinheiro que, de outra forma, teria sido usado para apoiar uma estrutura desatualizada.

2 – Treinamento de professores

Ao contrário dos alunos da geração Z, a falta de habilidades técnicas pode se tornar um obstáculo importante para os professores. É absolutamente necessário fornecer suporte técnico e treinamento confiáveis. Também é importante cultivar uma comunidade de aprendizado combinado para enfatizar o valor da tecnologia.

Qualquer obstáculo e falta de organização trará perigo iminente de fracasso. Os fãs de escolas tradicionais sempre apresentam uma explicação contra o ensino a distância na ponta da língua. Por outro lado, os inovadores precisam persuadir ainda mais a hesitação e revelar os benefícios da educação híbrida, não as desvantagens.

3 – Adaptação dos alunos

É fato que alguns alunos preferem o presencial ao ensino a distância e acabam evadindo frente as telas dos computadores. Eles sabem que poderão assistir à aula gravada depois. Com isso, o uso de gravação de aulas pode realmente resultar no atraso do curso. 

Outro desafio envolve a sobrecarga cognitiva. No ensino híbrido, alguns professores podem começar a entregar conteúdo em excesso. Uma das principais reclamações dos alunos durante o ano passado foi em relação ao número exagerado de lições de casa.

Por fim, ainda é preciso cuidar da questão de plágio e credibilidade na internet durante as pesquisas. O professor precisa conscientizar os alunos sobre os perigos de recursos on-line não verificados, como preconceito, distorção e deturpação de fatos.

4 – Excesso de trabalho

É difícil discordar de que há uma quantidade significativa de trabalho extra para o professor envolvido no ensino híbrido. É necessária uma proporção de dedicação maior, principalmente nos estágios primários. Por isso, o treinamento técnico é tão fundamental para os professores.

Como vimos, os desafios do ensino híbrido existem, mas não são insuperáveis. O impacto negativo pode ser minimizado ou mesmo canalizado para atividades produtivas se o professor ficar de olho no feedback do aluno, melhorar as habilidades tecnológicas e melhorar a qualidade do ensino. 

Além disso, algum benchmarking não faria mal. Entre os próprios colegas professores, até aqueles que trabalham em outras escolas, podem já ter experimentado o ensino híbrido, então eles podem dar algumas dicas. 

Ensino efetivo e de qualidade

Para aumentar a qualidade do ensino híbrido, é necessário observar algumas lições já aprendidas até aqui. Lembrando que cada experiência é única e não existe um método totalmente eficaz para a aprendizagem efetiva. Vale a experiência local de cada escola e a sua relação com os alunos e familiares.

De acordo com um artigo publicado pela McKinsey & Company, consultoria empresarial norte-americana, podemos tirar 3 lições sobre o ensino híbrido para obter alta performance e um ensino de melhor qualidade:

  • Diferencie os alunos pelo nível de necessidade e capacidade

Dados da Unesco apontam que certos grupos de alunos tiveram mais problemas em ambientes de aprendizagem remota durante o fechamento das escolas. Esses alunos precisam ser prioridade para o retorno das aulas presenciais. É importante priorizar também o ensino fundamental, uma vez que as crianças mais novas possuem uma necessidade tátil de aprendizagem difícil de reproduzir em ambiente virtual.

  • Projete sistemas específicos para ambientes remotos e híbridos

A aprendizagem remota e híbrida são mais do que apenas versões digitais da sala de aula. Quando a pandemia fechou as escolas em março de 2020, muitos educadores tiveram pouca escolha a não ser colocar as aulas existentes on-line. Agora temos a oportunidade de projetar melhores soluções para maximizar o aprendizado do aluno em ambientes remotos e híbridos.

Para começar, que tal definir a experiência ideal de aprendizado remoto para os alunos? Primeiro, vale determinar o número apropriado de horas de aprendizagem por dia para cada faixa etária. A divisão entre a aprendizagem síncrona, com alunos aprendendo juntos em tempo real, e a aprendizagem autônoma e assíncrona varia conforme a idade dos alunos.

O mesmo acontecerá com a combinação de grandes, pequenos grupos e instruções individuais. Para os alunos mais jovens, os educadores podem querer limitar o tempo total de tela a algumas horas por dia e incluir mais instruções em pequenos grupos e tempo supervisionado por adultos.

Para o ensino híbrido, o modelo adotado por algumas escolas particulares foi dividir as aulas entre dois grupos e fornecer instrução ao vivo para uma turma, enquanto a outra assistia em casa. Vale lembrar que muito tempo na frente do computador provavelmente causará fadiga nos alunos. O ideal é limitar o tempo a 30 ou 45 minutos.

  • Relacionamentos são a base da aprendizagem

As escolas são mais do que locais de aprendizagem. Elas são os centros de suas comunidades, desempenhando papéis essenciais no fornecimento de nutrição e na garantia da segurança física, saúde mental e bem-estar social e emocional dos alunos.

À medida que os sistemas escolares implementam seus planos de aprendizagem remota e híbrida, eles devem garantir que não estão apenas construindo confiança com professores, pais e alunos, mas também desenvolvendo planos para ajudar os professores a construir os tipos de relacionamento com os alunos que incentivem a aprendizagem.

Os professores precisam se sentir seguros e equipados para ensinar. Como profissionais da linha de frente em sala de aula, os professores devem desempenhar um papel integral na concepção de modelos sustentáveis ​​para aprendizagem remota e híbrida.

Os pais são parte da solução

Uma das consequências do recente fechamento de escolas é que os pais estão mais envolvidos com a educação de seus filhos. À medida que os educadores trazem os alunos de volta à escola para o aprendizado remoto ou híbrido, eles podem incentivar esse esforço. Cada escola pode se comprometer a conectar-se regularmente com as famílias para entender o que está funcionando, transmitir informações sobre o currículo e abordar desafios específicos.

Nesse sentido, a comunicação é uma forte aliada e deve acontecer de forma integral, rápida e efetiva pela internet, com envio de comunicados, agenda, enquetes e mensagens.

Embora seja importante avaliar o status acadêmico dos alunos e tentar recuperar o atraso na aprendizagem, as escolas devem se concentrar primeiro em reconstruir relacionamentos e um senso de comunidade. Esse esforço renderá frutos com o tempo e pode ser integrado a configurações remotas por meio de verificações de atenção plena ou de bem-estar, bem como um currículo direcionado.

6 comentários sobre “Melhores práticas para uma alta performance dos alunos no ensino híbrido

Deixe uma resposta