Defasagem educacional causada pela pandemia

Como diminuir as perdas educacionais da pandemia?

Preocupação entre educadores, alunos e pais é nova realidade para os colégios lidarem; veja estratégias para reduzir atraso e amenizar a ansiedade de toda sua comunidade escolar

Após um longo período sem atividades presenciais em sala de aula, a defasagem no aprendizado causada pela pandemia se tornou uma das principais preocupações das escolas e dos pais. Mesmo com a implementação do ensino a distância e do ensino híbrido, o desafio de manter os estudantes engajados foi tão grande que o ritmo de aprendizagem se manteve mais lento do que o normal.

Além da falta de engajamento, outro fato que pesou é o aumento dos índices de evasão escolar, principalmente na rede pública de ensino. De acordo com a Mestre em Educação, Débora Garofalo,  é preciso desenvolver ações específicas com foco nos estudantes mais vulneráveis e também aumentar o engajamento dos alunos.

“A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) recomenda que as escolas façam acompanhamentos diários dos estudantes, mobilizando o quadro administrativo para dar suporte ao trabalho dos professores, com ações e canais de comunicações com os pais e atendimento aos estudantes”, cita ela em artigo publicado em sua coluna no Ecoa Uol.

Débora acredita que é preciso estreitar ainda mais os laços entre escola e família nesse momento. “Manter um meio de comunicação para que os familiares possam sanar dúvidas e possam enxergar na escola o apoio necessário para que os estudantes avancem nos seus estudos.”, diz ela.

Para a docente, os gestores escolares devem, como estratégia de mitigar o atraso na aprendizagem, promover o acolhimento dos alunos e seus familiares, ouvindo seus receios e anseios, além de criar grupos de apoio, visando fortalecer assim os estudos.

Atraso na educação devido à pandemia

Segundo um estudo da Unicef, 5,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros não tiveram atividades escolares em 2020. Enquanto no mundo, a média do atraso na educação é de três a nove meses, no Brasil, o retrocesso causado pelo Coronavírus pode ser de até 4 anos, de acordo com uma pesquisa encomendada pela Fundação Lemann.

A falta de engajamento, um dos receios dos educadores, podem ser percebidas em um estudo do Centro de Políticas Sociais da FGV que analisou o tempo médio dedicado pelos alunos às atividades escolares durante a pandemia. De acordo com a pesquisa, alunos entre 6 e 15 anos gastaram, em média, 2,37 horas por dia com os estudos.

Além disso, jovens de família com maior poder aquisitivo gastaram mais tempo em aulas ou atividades escolares. Foram 3,33 horas em média, contra 2,03 horas dos mais pobres. Não é sem razão que todos os estudos apontam a importância de políticas educacionais que olhem para os alunos mais vulneráveis da sociedade.

5 Dicas práticas para lidar com o atraso em sala de aula

Em um artigo publicado pela consultoria americana McKinsey intitulado “COVID-19 e perda de aprendizagem – as disparidades aumentam e os alunos precisam de ajuda”, os autores citam algumas abordagens de aceleração do aprendizado baseadas em evidências que podem auxiliar sua escola:

1. Tornar a experiência online mais propícia ao aluno

Mesmo com a retomada das aulas presenciais, os gestores escolares deverão se preocupar em melhorar essa experiência on-line do aluno. Isso inclui investir no acesso à tecnologia e no ensino a distância, além de oferecer práticas pedagógicas de envolvimento, colaboração e feedback.

2. Capacitar os professores para o formato on-line

As escolas também devem capacitar os professores para novas maneiras de compartilhar práticas e receber desenvolvimento profissional em um formato online. Dessa forma, a escola motiva, ao mesmo tempo que reconhece os professores como a força vital de todo sistema educacional.

3. Programas de aceleração

Os alunos provavelmente precisarão de horas adicionais na escola para compensar a defasagem na aprendizagem. Isso pode acontecer por meio de horários estendidos, com programas estruturados após as aulas, aulas de fim de semana e até mesmo nas férias.

De acordo com a McKinsey, os programas mais eficazes se esforçam para reforçar o aprendizado básico, ser culturalmente relevantes e limitar os grupos de oito a 12 alunos. Embora algumas dessas estratégias possam ser implementadas agora, no ensino híbrido, outras devem ser desenvolvidas para implementação quando o ensino presencial estiver de fato seguro.

De qualquer forma, os alunos terão que passar mais tempo na sala de aula. Isso pode significar dias letivos mais longos ou férias reduzidas.

4. Tutorias de alta intensidade

O suporte individual para os alunos é um método reconhecidamente eficaz para o atraso na educação. Em experiências internacionais, os tutores trabalham com dois alunos por vez em cada aula e cobrem conteúdo que não apenas atende os alunos onde eles estão, mas também remete ao que está sendo ensinado em determinada matéria na aula regular.

Ainda não se sabe se esse tipo de tutoria pode ter o mesmo impacto positivo no ensino a distância, porém, vários sistemas escolares ao redor do mundo já estão experimentando. A dica aqui é oferecer mais suporte para os alunos que estão em defasagem na educação por meio de aulas de reforço.

5. Aceleração, não remediação

Segundo artigo da McKinsey, para ajudar os alunos a recuperarem o aprendizado perdido é fundamental que os professores os mantenham no conteúdo da série. Um estudo recente revelou que abordagens que buscam recuperar o aprendizado perdido através do conteúdo das séries anteriores podem desmotivar os alunos.

Entretanto, o foco para as escolas agora deve ser em manter os alunos engajados na aprendizagem para limitar, no longo prazo, os impactos do atraso na educação.

Dessa maneira, a melhor abordagem é fornecer o conteúdo da série em que o aluno está, além de suporte para que ele possa, de forma natural, acessar os conteúdos das séries anteriores que são necessários para o progresso escolar.

A pandemia do Covid-19 acelerou as tendências que estão remodelando as habilidades e demandas que os alunos precisarão atender no futuro. A guerra por talentos tende a se intensificar. De pé, na linha de frente dessa batalha, estão os professores.

Vale lembrar que os professores que seguem as melhores práticas baseadas em evidências no currículo e na pedagogia têm maior probabilidade de promover a progressão acadêmica. Aproveite para aprofundar mais sobre o assunto através dos artigos relacionados:

Como avaliar os alunos em tempos de ensino híbrido e EAD

5 aprendizados de 2020 para a educação

Coronavírus: O que é o modelo híbrido de aprendizagem e como ele pode ajudar no retorno às aulas presenciais?

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