Expectativa para o segundo semestre de 2021

Julho é tempo de pensar e repensar estratégias; afinal, o que podemos esperar do segundo semestre escolar deste ano?

Qual a expectativa para o ensino do segundo semestre de 2021? Haverá volta às aulas presenciais em 100%? Como será a educação no novo normal?

Para responder essas perguntas, a União pelas Escolas Particulares fez uma pesquisa recente entre os seus seguidores nas redes sociais. O resultado preliminar é que 79,5% dos que responderam ao questionário pretendem voltar às aulas com capacidade de 100% dos alunos.

De acordo com o governo do estado de São Paulo, no mês de agosto será permitido o retorno das aulas presenciais para todos os estudantes, desde que a escola garanta o cumprimento dos protocolos sanitários, como o distanciamento de 1 metro entre as pessoas, uso de máscara e álcool gel, o não compartilhamento de objetos, entre outros. Resta saber se essa expectativa se cumprirá no segundo semestre de 2021.

A sua escola está preparada?

Ainda segundo a pesquisa da União pelas Escolas Particulares, 93,2% das instituições disseram que estão preparadas para atender a todos os protocolos sanitários exigidos e 79,5% afirmaram que pretendem retornar com a capacidade máxima de alunos. Isso significa que a maioria das escolas concorda com a urgência da volta às aulas.

Em entrevista à rádio CBN, o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques afirmou que o Brasil está sinalizando a necessidade de voltar às aulas presenciais, semelhante a outros países, para mitigar a perda de aprendizagem. “A expectativa é que no segundo semestre, com o avanço da vacinação, exista a ampliação dos alunos na escola. Obviamente, ainda sem ser obrigatório”, diz.

Um estudo coordenado pelo professor Ricardo Paes de Barros, do Insper, revelou que o aluno no ensino remoto consegue reter 38% do aprendizado no caso do estudo de Português, frente ao que seria no presencial. Em Matemática, 17% se aprende do que seria esperado aprender no presencial, é o que se consegue no ensino remoto.

Outro estudo sobre os impactos da  Covid 19  diz que o engajamento dos estudantes durante a pandemia é muito baixo, em torno de 36%. Por isso, a ampliação às atividades presenciais se faz necessária e urgente para recuperar a performance da aprendizagem dos estudantes.

Tempo de transição

Para Henriques, “não vamos ter 100% dos alunos esse ano, mas é fundamental que se tenha alunos no ensino presencial”. De qualquer maneira, na visão do superintendente executivo, existe a necessidade de dar efetividade ao ensino híbrido, tanto para os alunos que ficarem em casa, quanto para os que retornarem à sala de aula, já que o uso da tecnologia veio para ficar.

O executivo afirma que é necessário 3 pilares para que o retorno ao ensino presencial aconteça com sucesso no segundo semestre escolar. São eles:

  1. Protocolos sanitários;
  2. Vacinação dos profissionais da educação;
  3. Construção de confiança entre escolas e famílias.

“Os protocolos sanitários precisam ser assegurados, de acordo com a capacidade de cada escola, garantindo o distanciamento social, o uso correto de máscaras, medição da temperatura, higienização constante das mãos, identificação e afastamento dos casos suspeitos”, lembra ele.

Todas as redes de ensino deverão utilizar o período de julho como férias e, esse período ainda é fundamental para avançar na estruturação do currículo para o ensino híbrido e organizar o calendário para oferecer um currículo que seja adequado para os alunos.

“Obviamente, a gente sabe que vai ter uma cauda longa da recuperação da aprendizagem. Não vai ser uma mágica que no segundo semestre vai se resolver. Ainda vai demorar para recuperar o que se perdeu de aprendizagem num ano e meio de pandemia”, ressalta.

Garantia de estrutura e conectividade

O retorno às aulas presenciais no segundo semestre de 2021, além de proporcionar o início do projeto de recuperação da aprendizagem, é também uma questão de justiça social, principalmente com os alunos mais vulneráveis da sociedade brasileira.

Um estudo do comitê técnico do Instituto Rui Barbosa estima que 10 milhões de estudantes brasileiros tenham, ao menos, um problema básico de infraestrutura. Além disso, o Brasil possui:

  • 1, 7 milhões de alunos sem acesso à água potável;
  • Mais de 800 mil alunos sem acesso a banheiro;
  • 8 milhões de alunos que não têm acesso à internet dentro da escola.

Além da questão sanitária, mais importante ainda em tempos de pandemia, é necessário garantir conectividade e equipamento nas casas dos estudantes também. Segundo um estudo do Instituto IPEA, cerca de 6 milhões de estudantes não têm capacidade de acompanhar o ensino remoto.

Diante dessas adversidades, vale lembrar que para a volta às aulas ser segura, é preciso investir em infraestrutura básica. Por isso, as escolas devem aproveitar o mês de Julho para avaliar se poderão oferecer a infraestrutura necessária para que os alunos retornem às aulas presenciais com segurança.

“Esse segundo semestre será crucial para a educação. A gente precisa unir forças, recuperar o tempo perdido da pandemia e garantir a retomada de aprendizagem dos estudantes”, enfatiza Henriques. Na sua visão, o segundo semestre deverá ser bastante intenso nesse sentido.

Para ele, é sabido que não dá mais para adiar esse processo de retorno às aulas presenciais e perder mais um semestre seria inaceitável, além do que isso puniria ainda mais os estudantes vulneráveis.

“É claro que não basta retornar às aulas presenciais. É necessário gerar confiança no dia a dia, além de promover o engajamento das famílias simultaneamente”, ressalta. E completa: “A gente não pode pensar só na educação ideal. Temos que pensar na educação possível diante desse cenário tão avassalador”. Ricardo Henriques foi o entrevistado do programa Conselho de Classe, transmitido pela rádio CBN, no dia 21 de junho.

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