Os desafios da educação socioemocional na nova realidade escolar

Como ficou a aplicação prática das competências socioemocionais previstas pela BNCC durantes a pandemia?

Com o fechamento das escolas para o enfrentamento da pandemia do Covid-19, veio também o desafio de garantir o atendimento das competências socioemocionais e dos objetivos de aprendizagem previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nos currículos escolares ao longo do ano letivo.

Se antes de março de 2020, as escolas se preparavam para adequarem seus currículos à BNCC com a inclusão de novas metodologias em sala de aula, baseadas nas 10 competências gerais da Base, na pandemia o foco mudou para o ensino a distância e híbrido.

Assim, a pergunta que se faz é: como estão sendo abordadas questões importantes como empatia,  autoconfiança, respeito ao próximo, entre outras competências durante as aulas remotas e híbridas?

De fato, a BNCC continua sendo o documento de referência no que diz respeito às competências socioemocionais e habilidades que precisam ser desenvolvidas do início da Educação Infantil ao final do Ensino Médio. Nesta nova realidade, a BNCC passou a ser ainda mais necessária.

O que são competências socioemocionais?

As competências socioemocionais são individuais e se manifestam na nossa forma de pensar e agir. Elas podem ser observadas em nosso próprio comportamento, em relação a estímulos de ordem pessoal e social. Entre as competências, estão: a persistência, a assertividade, a empatia, a autoconfiança e a curiosidade para aprender.

As habilidades socioemocionais também são conhecidas como “soft skills” no mundo corporativo: são todas as habilidades que não se encontram dentro de uma amplitude simplesmente técnica, mas estão relacionadas à maneira com que nos comunicamos, nos expressamos e colaboramos com o outro. Um estudo realizado pela Deloitte Access Economics prevê que um terço das empresas vão ter soft skills como prioridade até 2030.

Exemplos de competências consideradas híbridas são a criatividade e pensamento crítico pois envolvem habilidades socioemocionais e cognitivas. De acordo com o site do Instituto Ayrton Senna, é possível classificar as competências socioemocionais em 5 grandes grupos: autogestão, engajamento com os outros, amabilidade, resiliência emocional e abertura para o novo.

Dessas 5 macrocompetências, derivam 17 competências socioemocionais. São elas: determinação, organização, foco, persistência, responsabilidade, iniciativa social, assertividade, entusiasmo, empatia, respeito, confiança, tolerância ao estresse, autoconfiança, tolerância à frustração, curiosidade para aprender, imaginação criativa e interesse artístico.

Como as competências socioemocionais ajudam em momentos de crise?

A BNCC estabelece dez competências gerais que devem ser promovidas por meio da educação. Essas competências incluem aspectos cognitivos, culturais, éticos, entre outros, incluindo socioemocionais. Vale lembrar quais são elas de forma resumida:

  1. Conhecimento;
  2. Pensamento científico, crítico e criativo;
  3. Repertório cultural;
  4. Comunicação;
  5. Cultura digital;
  6. Trabalho e projeto de vida;
  7. Argumentação;
  8. Autoconhecimento e autocuidado;
  9. Empatia e cooperação;
  10. Responsabilidade e cidadania.

Inclusive, o blog do IsCool App vem desenvolvendo outros artigos sobre a Base, entre eles, BNCC: Desafios para 2021. Também preparamos um especial sobre a BNCC que você pode conferir abaixo:

Leia mais sobre a BNCC:

Especial BNCC: A presença da tecnologia e a importância da ética

Especial BNCC: As mudanças do Ensino Médio e a reta final para adequações

“O desenvolvimento de competências socioemocionais pode ser um forte aliado e impulsionador da implementação da BNCC nas escolas. Ao lado de outras estratégias, o trabalho com o socioemocional contribui tanto para a aprendizagem quanto para o desenvolvimento pleno defendido pela Base”, diz o e-book intitulado “As dez competências gerais da BNCC e as competências socioemocionais”.

Muito além da obrigatoriedade, a necessidade de se “abraçar” essas competências consiste nas grandes oportunidades de desenvolvimento que elas trazem tanto para os alunos, quanto para os professores.

Agora, mais do que nunca, é fundamental conhecer a fundo cada uma dessas competências, não somente para enxergar novas oportunidades de aprendizagem cognitiva durante o ensino remoto, mas também pela necessidade de se trabalhar com as competências socioemocionais e garantir o desenvolvimento pleno dos estudantes.

Como as escolas podem promover a educação socioemocional?

Em tempo de Coronavírus e isolamento social, crianças e jovens deixaram suas escolas e estão dentro de suas casas, tendo de lidar com uma rotina nunca vivenciada. Segundo pesquisa da Unicef, com a pandemia da Covid-19, o Brasil corre o risco de regredir duas décadas no acesso à educação.

Isso porque em novembro de 2020, mais de 5 milhões de alunos não tiveram acesso à educação – número semelhante ao que o País tinha no início dos anos 2000. Esse dado preocupante é do estudo “Cenário da Exclusão Escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Educação”.

Diante disso, como famílias e educadores podem encarar esse novo paradigma que nos tirou da zona de conforto? Como praticar uma mudança de mentalidade, sem estresse e desconforto? Entender mais sobre as competências socioemocionais e como é possível para qualquer pessoa as desenvolver é o caminho.

Os gestores devem se preocupar em como fazer funcionar suas redes de ensino e escolas nesse novo contexto e dar o melhor suporte aos professores e alunos, seja com a infraestrutura necessária para atender aos protocolos sanitários bem como no acolhimento, principalmente no que diz respeito às suas emoções e experiências vividas no período.

“Espera-se que o caminho desse novo contexto curricular esteja presente em cada prática, em cada interação, em cada situação de aprendizagem, com atitude acolhedora, interdisciplinar e pedagogicamente diferenciada, seja na escola ou em casa, em meio digital ou físico”, cita o autor George Ricardo Stein, no texto “Novos contextos e caminhos para o currículo escolar na educação com covid-19” que integra a coletânea De Wuhan a Perdizes: Trajetos Educativos.

Será que a sua escola está desenvolvendo todas essas competências durante as aulas a distância ou presenciais?

Caso sua escola necessite de apoio referente à inclusão da educação socioemocional no currículo, sugerimos o site do Instituto Ayrton Senna. Nele, é possível encontrar uma série de materiais para gestores e professores utilizarem como apoio pedagógico nas suas intruções, a fim de desenvolver as habilidades e competências preconizadas pela BNCC.

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