Como fica a arquitetura escolar no novo normal

A adaptação dos espaços escolares ao ensino híbrido e aos protocolos sanitários deve permanecer mesmo após a pandemia? Quais novos conceitos e hábitos deverão permanecer?

Com a chegada da pandemia, muita coisa mudou e não foi só em relação ao comportamento dos professores e alunos, mas também no que se refere ao próprio espaço escolar.

A necessidade de um ambiente de aprendizado seguro e saudável está permitindo mudanças na arquitetura escolar, fazendo com que exista uma maior preocupação com questões como a incidência de luz solar e ventilação cruzada, por exemplo. Além, é claro, de suportes para higienização, como já vimos com bastante frequência desde que a pandemia do covid-19 se instalou.

Ambientes com referência à natureza, espaços ao ar livre, design de cadeiras escolares que incentiva as crianças a se movimentarem e até salas de aula modulares e ventiladas; a arquitetura escolar no novo normal é sobretudo criativa.

Uma matéria recente do blog Dabus Arquitetura cita a importância das aulas ao ar livre entre as tendências para as escolas pós pandemia: “A fim de reforçar a prevenção atrelada à redução do número de alunos nas salas, as aulas ao ar livre deverão ser mais frequentes. Assim, métodos diferentes para a assimilação do conteúdo terão de ser desenvolvidos.”

Arquitetura escolar no ensino híbrido

Duas grandes necessidades se destacam no ensino híbrido pós-pandemia: projetar espaços que não estimulem a propagação de infecções e que permitam mais conexões humanas.

De acordo com matéria da revista Surfaces Reporter, de janeiro de 2021, é possível listar algumas transformações no design escolar durante e após o covid. Entre elas, o texto fala do uso de divisórias vazadas, em vez de paredes, para atrair ventilação para dentro dos prédios.

Também fala de pátios bem sombreados e varandas com bancos para apoiar as interações sociais, assim como pequenos pátios dentro do edifício escolar para a circulação de ar fresco e socialização dos alunos.

Inclusive, matéria sobre arquitetura escolar publicada pelo IsCool App em 2018 já antecipava espaços integrados e híbridos, além da inclusão de elementos da natureza na arquitetura escolar. Ou seja, o que já era tendência, agora tornou-se definitivamente obrigatoriedade.

Ao priorizar o espaço escolar à exposição à natureza, é sabido e provado cientificamente que reduzimos o estresse, aumentamos a imunidade e melhoramos a saúde física e mental de alunos, professores e funcionários.

Sabemos que todos esses são fatores críticos para determinar como nossos corpos lutam contra o covid, que também tem menos probabilidade de ser transmitido ao ar livre.

Adaptação dos espaços escolares

Um dos maiores desafios que o mundo todo enfrenta atualmente é manter os alunos e suas famílias seguros com a reabertura das escolas. Em muitos casos, permitir que as escolas permaneçam fechadas não é uma opção. De acordo com a Unicef, pelo menos um terço das crianças em idade escolar não têm acesso ao ensino a distância.

Não existe uma solução única para prevenir a transmissão de covid, mas a boa notícia é que as escolas podem fazer muito com o que já têm.

O Estúdio Roar, com sede em Dubai, previu várias maneiras de o covid impactar o design de escolas. A curto prazo, o relatório afirma que o desafio para os designers é acelerar a capacidade das escolas, reestruturando as salas de aula existentes para acomodar menos crianças, ou reaproveitando espaços não didáticos, como academias e cantinas.

O Instituto Americano de Arquitetos (American Institute of Architects – AIA), organização profissional que representa os interesses dos arquitetos nos Estados Unidos, recomenda que as cantinas ofereçam refeições em vez de produtos avulsos, como pães de queijo ou bolinhos, que costumam ser vendidos e consumidos com as mãos.

Também é importante que as escolas organizem os fluxos de entrada, saída e circulação, já que os alunos costumam se aglomerar nas portas. Isso tudo acontecerá nos pátios.

Novos conceitos e hábitos

Uma das principais mudanças em relação à arquitetura escolar é que a pandemia trouxe menos foco na aparência estética do exterior e mais foco na funcionalidade dos espaços internos.

Os interiores também deverão ser projetados com mais flexibilidade, utilizando elementos como paredes dobráveis para oferecer espaços polivalentes, além de móveis e divisórias portáteis que dobram como estantes de livros, por exemplo.

Tal como já acontece com muitos outros projetos de construção, banheiros sem contato e acesso sem contato a todas as salas também poderão ser empregados no espaço escolar.

Como muitos alunos tiveram que se adaptar ao ensino a distância, o relatório do Roar prevê que as escolas manterão isso, incorporando métodos de ensino híbrido, ou seja, parcialmente digital e parcialmente físico.

Abaixo, citamos algumas ideias e estratégias para adaptação da arquitetura escolar:

  • Pontos adicionais de lavagem de mãos;
  • Remover as fileiras de carteiras escolares, adotando o padrão diagonal;
  • Mapear o chão para indicar os limites de espaço de cada aluno;
  • Aprendizagem ao ar livre, utilizando-se tendas para as salas de aula;
  • Uso de recursos visuais para indicar fluxos de tráfego de pessoas;
  • Livrar-se do ar estagnado, mantendo janelas sempre abertas;
  • Utilizar ginásios e auditórios como sala de aula para maior distanciamento social;
  • Trocar filtros do ar-condicionado com frequência para evitar acúmulo de patógenos.

Como vimos, a arquitetura escolar já tem mudado bastante desde o início da pandemia para seguir todos os protocolos de saúde e higiene contra a disseminação do vírus. Mas, será que vai continuar assim? Para o Instituto Americano de Arquitetos, a mudança provavelmente levará ao menos cinco anos para se manifestar de maneira mensurável.

De qualquer forma, as escolas aumentarão o monitoramento da saúde de cada aluno com verificações diárias de temperatura corporal e demais sintomas, ao mesmo tempo que deverão promover a higiene na rotina escolar, com o incremento de estações de lavagem das mãos para alunos, professores e funcionários.

As escolas do futuro terão que ser projetadas sob um novo ponto de vista: em vez de apenas considerar os critérios de sustentabilidade, elas terão que abraçar a capacidade de sustentar a nova condição em que a pandemia colocou toda a sociedade.

E no seu colégio, como tem sido essa adaptação? Quais foram as mudanças no espaço escolar e quais deverão ser os projetos futuros nesse sentido? Comente!

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