Ensino Híbrido na prática

Um pequeno guia para sanar algumas dúvidas básicas sobre esse modelo de ensino que veio para ficar

Um dos maiores avanços no setor educacional é o ensino híbrido, que tem a capacidade de melhorar a relação ensino-aprendizagem e fazer do aluno o autor de sua história acadêmica, dando-lhe autonomia e garantia de uma boa relação interpessoal.

No Brasil, este modelo de aprendizagem ganhou força no momento em que as escolas aprenderam a ensinar de forma on-line. Porém, ainda é necessário vencer algumas barreiras regulatórias para inseri-las de fato no século 21.

Para a vice-presidente da Federação Nacional de Escolas Particulares (FENEP) e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), professora Amábile Pacios, será preciso rever a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para que a educação brasileira considere o ensino híbrido. “Esse modo de ensinar intermediado por uma mídia, tendo o aluno numa sala virtual, é um caminho sem volta, tanto no ensino superior, quando na educação básica”.

Ela foi uma das palestrantes do evento on-line Hibrida Experience, realizado entre os dias 24 e 27 de novembro de 2020, com organização da Humus Consultoria. “OCNE está de fato buscando a regulamentação para que as escolas não fiquem perdidas pós-pandemia”, ressalta.

Enquanto essa base legal aguarda homologação do Governo, preparamos um guia com algumas questões básicas sobre o ensino híbrido. Confira a seguir:

O que é o ensino híbrido?

O ensino híbrido é um modelo de educação que integra educação on-line e ensino offline (ou presencial). Mas, acima de tudo, esse modelo deve ser visto como um processo contínuo de ensino e não duas formas separadas, distintas e totalmente diferentes.

Com essa inter-relação, o que há de melhor em cada um dos ambientes é explorado, melhorando a experiência educacional do aluno e tornando-a mais significativa e eficiente.

Em resumo, trata-se da educação de uma geração que nasce conectada à internet e quer ter essa tecnologia em mãos, mas não o pode fazer sem a relação interpessoal com seus colegas e professores, o que é essencial para desenvolver a noção de comunidade, promover a maturidade emocional da criança e aumentar sua criatividade na vida.

Para a professora Thuinie Daros, já havia um consenso de que o ensino híbrido estava avançando antes mesmo da pandemia. “E se intensifica depois num cenário pandêmico, deixando de ser uma tendência e passando a ser uma solução”. A professora, que também é co-fundadora, consultora e palestrante na Téssera Educação, palestrou durante o Hibrida Experience.

De acordo com pesquisa recente “A nova realidade da educação”, com jovens brasileiros de até 16 anos, feita pelo Instituto Toluna para a Rede Globo, 73% acreditam que o ensino mudará para o formato híbrido, 58% passaram a ver de forma mais positiva o ensino on-line e 92% acreditam que o trabalho a distância (home office) será mais comum.

Quais são as vantagens dessa metodologia?

A principal e mais notória vantagem do ensino híbrido não é apenas permitir que o aluno tenha flexibilidade de ambiente e horário para estudar, mas também ter o contato social com seus colegas e professores.

Quando em sala de aula (ensino presencial), o aluno deve atender às estratégias educacionais propostas por seus professores. Ou seja, ele experimentará disciplina e relacionamento interpessoal.

Quando o estudante estiver em seu ambiente virtual (especialmente criado para ele desenvolver as atividades e pesquisas propostas), ele terá controle sobre os elementos que compõem a rotina convencional de estudo, como tempo, lugar e ritmo.

A grande vantagem do ambiente virtual é dar ao aluno a responsabilidade de cumprir tarefas com autonomia para escolher e tomar suas próprias decisões sobre alguns componentes dos estudos.

Às vezes, o aluno pode optar por estudar no laboratório de informática, em seu quarto, em sua sala de estar, ou mesmo na biblioteca da escola, usando instrumentos como celular, tablet ou computador. Com isso, o estudante adquire uma maior capacidade de coordenar as tarefas do cotidiano e melhorar sua disciplina.

Nos momentos de estudo presencial, realizados dentro da escola, o aluno interagirá socialmente com os professores, assim como com seus colegas de classe. Os estudos podem ser desenvolvidos em grupo ou individualmente.

O importante no ensino híbrido é entender que os dois momentos, on-line e offline, se complementam.

Qual é o papel do professor e do aluno nesse método?

Como a tecnologia é um elemento essencial nessa modalidade de ensino, educadores e alunos devem ter excelentes habilidades para lidar com isso, o que é extremamente comum nos dias atuais, afinal, todos eles têm celulares, tablets e computadores, e passam grande parte do tempo interagindo com essas equipes.

Os educadores precisam pensar na organização correta da sala de aula. O simples uso da organização tradicional não é recomendado ou mesmo eficaz. Além disso, devem desenvolver um plano pedagógico voltado para o ensino híbrido, essencial para garantir o pleno uso de todos os recursos possíveis.

Repensando as estratégias

O tempo na sala de aula e na própria escola precisa ser repensado e redimensionado

Existem várias estratégias que os professores aplicam, desde o início da aula, onde os alunos recebem conteúdos, mesmo antes do tempo em sala de aula, desde o processo de aprendizagem em casa, passando por estudos e os desafios estratégicos propostos pelo professor.

Em sala de aula, o professor cria dinâmicas de grupo e promove o debate entre os alunos, aprofundando os conteúdos.

Nesse processo, eles recebem os conteúdos das disciplinas e trabalham esses dados, enquanto os professores atuam refinando, fortalecendo e completando os desafios propostos. Com isso, os alunos desenvolvem novas habilidades.

O uso da gamificação para incentivar a aprendizagem também pode ser uma das estratégias propostas.

E qual é a influência do ensino híbrido no grau de aprendizagem?

Podemos dizer que a influência é enorme, pois tem a capacidade de se adaptar à velocidade de aprendizagem dos alunos, além de recorrer a recursos que as aulas tradicionais (apenas presenciais) não têm, ou que exploram pouco.

Podemos citar como exemplo, jogos interativos, vídeos que podem ser vistos várias vezes até que o conteúdo seja entendido, e momentos presenciais nos quais o aluno pode tirar suas dúvidas com os professores.

Quais são os modelos mais utilizados de ensino híbrido e como é possível utilizá-los?

O ensino híbrido pode ser explorado de várias formas, em diversos modelos. Em seguida, vamos listar e falar um pouco sobre os mais usuais e eficazes:

Sala de aula invertida

Na sala de aula invertida, a teoria de uma disciplina é estudada em casa, no ambiente virtual. O ambiente físico da escola é utilizado para realizar atividades, discussões e dinâmicas de grupo.

Como o aluno já teve contato com o tema em casa, ele terá um desempenho muito maior na sala, quando os professores usarão o tempo disponível para aprofundar e esclarecer conceitos e promover debates.

Após a aula, os alunos ainda podem ser convidados a estudar melhor os conteúdos estudados, pesquisando em livros, na web ou em outros meios de comunicação.

Laboratório rotacional

Neste modelo, a classe é dividida em dois grupos. Uma parte dos alunos permanecerá, por um período, responsável pela realização de tarefas no ambiente virtual (portanto, o laboratório de informática será amplamente utilizado).

Enquanto isso, o outro grupo fará suas atividades no ambiente offline (sala de aula, laboratório de ciências ou instalação de educação física). Depois, os grupos trocam suas posições.

Rotação por estações

Nesse caso, a sala de aula é dividida em estações, e, pelo menos, uma delas deve ter atividades on-line, com as ferramentas conectadas à Internet.

Após um tempo pré-estipulado, os alunos devem alternar entre as estações, que precisam ter atividades independentes umas das outras.

Rotação individual

Nesse modelo, o professor estabelece um itinerário específico para cada aluno, para que o mesmo passe pelas estações mais relevantes aos seus interesses ou supere suas dificuldades.

Como você pode ver, o ensino híbrido utiliza diversos recursos para melhorar a experiência educacional do aluno, tornando-o o protagonista de seu sucesso acadêmico. Além disso, é um formato que favorece o desenvolvimento da autonomia e a capacidade de tomar decisões.

Modelos de Ensino Híbrido

Para o professor Janes Fidelis Tomelin, diretor de qualidade na EAD da Associação Brasileira de Educação a Distancia (ABED) e pró-reitor de ensino EAD da Unicesumar, podemos atualmente dividir o ensino híbrido em 5 modelos:

  1. Modelo Híbrido presencial – 60% do tempo presencial e 40% virtual. Uma das vantagens é o maior acompanhamento do corpo docente.
  2. Modelo Híbrido semipresencial convencional – 20% do tempo presencial e 80% virtual. Entre as vantagens, está o vínculo com o tutor presencial.
  3. Modelo Híbrido com matriz curricular adaptada – 30% do tempo presencial e 70% virtual. Uma das principais vantagens é a maximização de recursos.
  4. Modelo Híbrido invertido ativo – 30% do tempo presencial e 70% virtual. A aprendizagem ativa por si é uma grande vantagem.
  5. Modelo Híbrido personalizado dinâmico – flexibilidade entre o tempo presencial e virtual. Ensino personalizado e aprendizagem colaborativa estão entre as vantagens.

“Particularmente, gosto bastante do modelo invertido ativo. Ele tem a previsão de encontros presenciais, além das experiências de laboratórios físicos e virtuais (simulados)”, explica Tomelin que apresentou palestra intitulada “Os diferentes modelos de ensino híbrido”, durante o evento Hibrida Experience.

E a sua escola, já utiliza o ensino híbrido? Comente abaixo! Queremos saber a sua opinião!

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