GUIA DA EDUCAÇÃO 5.0: novas tecnologias e metodologias

Confira o que é e quais os benefícios do ensino que prepara para além do mercado de trabalho, ressaltando as habilidades socioemocionais e a valorização do bem-estar

Cada vez mais, os conhecimentos digitais se tornam imprescindíveis, mas eles devem ir além.  Esse é o fator-chave para os benefícios trazidos pela chamada Educação 5.0, assunto do momento no meio. Baseada em soft skills, ou seja, conjunto de habilidades e competências relacionadas ao comportamento humano, essa nova educação deve capacitar o indivíduo para utilizar a tecnologia de forma saudável e produtiva.

O objetivo é criar soluções relevantes para a comunidade e transformar realidades. Ela também busca entender o impacto da tecnologia no cérebro humano e como aprendemos nos dias de hoje.

Segundo o professor e pesquisador, José Motta Filho, as instituições de ensino deverão preparar os seus alunos para esse mundo incrivelmente diferente. “Isso só será possível quando a educação ‘virar a chave’ a fim de atender às demandas do século 21 e, então, aproveitar o melhor dos dois mundos para uma educação de vanguarda: seres humanos ativos e inspiradores e tecnologias educacionais emergentes”.

Afinal, o que é Educação 5.0?

A Educação 5.0 é uma nova proposta educacional que tem como principal objetivo, unir, não somente a aplicabilidade das tecnologias na sala de aula como preparação para o mercado de trabalho, mas também valorizar o bem-estar do indivíduo, ressaltando suas habilidades cognitivas e contribuindo para sua consciência socioambiental.

Para Motta, a revolução tecnológica, que mudou a forma de comunicação e relação entre os seres humanos, criou um ambiente que é bastante natural e favorável às crianças e adolescentes de hoje.

“Essa revolução não trouxe apenas novos equipamentos para as salas de aula físicas ou virtuais, ela trouxe também um enorme acesso à abundância de informações que estão disponíveis nas mais variadas mídias e canais, favorecendo a curiosidade, despertando a exploração e a pesquisa, bem como, a autonomia digital dessas gerações”.

Segundo ele, na Educação 5.0 a tecnologia ganha espaço com “a inteligência artificial, a linguagem computacional, a realidade virtual e aumentada, o big data analytics para a criação de ensino personalizado, a criação de makerspaces como laboratórios de experimentação, as soluções de ensino inovadoras que privilegiem as metodologias ativas de aprendizagem e o processo de learning by doing – o aprender fazendo”.

O professor, que também é co-fundador da MoonShot Educação, conta que “tudo isso é totalmente convergente ao pensamento dos screenagers, termo usado para descrever o ato de preferir ler, interagir com pessoas e com o mundo, utilizando-se de muitos aparatos tecnológicos, o qual é completamente diferente de paradigmas de gerações anteriores”.

Quais são os pilares da Educação 5.0?

Baseado na descrição do executivo de relações governamentais da IBM América Latina, Fábio Rua, existem alguns pontos essenciais para a funcionalidade da Educação 5.0, tornando-a moderna, inclusiva, humana e digital. Aqui, vamos dividir em pilares, tais como:

  • Metodologias ativas;
  • Ensino híbrido;
  • Educação individualizada;
  • Intercâmbio educacional.

“A gente não pode deixar de incentivar o intercâmbio de professores e alunos do mundo todo. A multiculturalidade é a melhor maneira de formar cidadãos abertos, tolerantes, criativos, bem resolvidos e, sim, geniais, extremamente inteligentes e prontos para competir nesse mundo desigual e injusto que a gente vive hoje”, diz ele em seu canal no Youtube. Ainda podemos acrescentar a esses pilares, as competências socioemocionais, ou soft skills, que falamos anteriormente e que são necessárias para ser relevante no século 21.

De acordo com o professor José Motta, sabe-se que essas competências não são novidades. “Elas fazem parte de características já valorizadas em muitas décadas anteriores ao terceiro milênio. A grande questão reside no fato de que, atualmente, a habilidade de se pensar antes de agir, de considerar diversas perspectivas ao analisar novos problemas, e até de relacionar-se de maneira adequada e eficaz com os outros, são bem mais que especificidades de pessoas acima da média, são competências e atitudes necessárias para todos os seres humanos. Disso depende o nosso sucesso, a nossa felicidade e futuro da nossa sociedade”.

A origem do termo

Antes de falarmos sobre a Educação 5.0, precisamos entender a Sociedade 5.0, também chamada de Super Smart Society ou Sociedade Criativa, a qual substituirá a Sociedade 4,0 ou Sociedade da Informação.

José Motta explica que a Sociedade 5.0 propõe um sistema socioeconômico sustentável e altamente inclusivo, movido por tecnologias digitais disruptivas, tais como: Inteligência Artificial, Big Data Analytics, IoT (Internet das Coisas) e Robótica Aplicada. “Essa ‘nova sociedade’, defendida como já existente desde 2010 por especialistas do Tokyo University Lab, procura integrar o melhor de dois mundos: o humano e o digital”.

O professor e pesquisador prevê que a transição da Sociedade 4.0 para a 5.0 será uma transformação completa em nosso estilo de vida. “Nesse novo paradigma, incontáveis produtos e serviços serão disponibilizados às pessoas de maneira adaptada e personalizada às suas preferências e necessidades. Veículos autônomos e drones entregarão bens e serviços para populações que vivem em áreas remotas”.

“As pessoas poderão facilmente escolher a cor, o tamanho, o tipo de tecido das suas roupas, calçados e acessórios, talvez fabricadas em impressoras 3D, com entregas saindo direto do local de fabricação para a casa do consumidor final, utilizando-se de um sistema de logística amplamente automatizada e transporte ágil”, exemplifica.

E completa: “Médicos de várias especialidades poderão atender aos seus pacientes, a partir de qualquer lugar por meio dos seus tablets ou smartphones, enquanto um pequeno robô limpa o piso ou aspira o pó do chão da casa ou do consultório, no instante em que a geladeira envia os dados sobre o ‘estoque de alimentos’ em seu interior. Nas fazendas afastadas dos grandes centros, os tratores autônomos trabalharão nos campos enquanto os fazendeiros participam de uma videoconferência com outros profissionais de uma equipe multidisciplinar de especialistas no mesmo tipo de plantio para que possam aprender e fazer mais”.

O Brasil está acompanhando essa evolução?

Como vimos, na Sociedade 5.0 teremos serviços médicos remotos, tradução automática que remove barreiras linguísticas, Inteligência Artificial e robôs de apoio a idosos ou pessoas com deficiência. A tecnologia de condução autônoma que auxilia motoristas idosos e acesso em tempo real às informações necessárias devem eliminar problemas decorrentes de disparidades sociais.

Hoje, nos Estados Unidos, estudantes universitários selecionam livremente matérias que querem estudar em seus anos de calouro e segundo ano. Até o primeiro semestre do primeiro ano, eles decidem sobre seus assuntos de maior e menor interesse, e restringem as matérias para estudo básico em áreas especializadas de acordo com suas futuras aspirações profissionais, aptidão e competência.

A sociedade 5.0 é uma sociedade super inteligente, onde tecnologias como big data, Internet das Coisas, inteligência artificial e robôs se fundem em todas as indústrias e em todos os segmentos sociais. A esperança é que essa revolução da informação seja capaz de resolver problemas atualmente impossíveis, tornando a vida cotidiana mais confortável e sustentável.

Atualmente no Brasil, como em muitos países do mundo, os estudantes que fazem vestibulares são divididos em dois grupos: aqueles que estudam ciências humanas e sociais, e aqueles que estudam ciências e matemática. A escolha é um ou outro. No entanto, em um mundo onde a tecnologia está integrada em quase todas as partes da sociedade, essa abordagem logo não será mais prática.

No futuro, devemos ver um sistema educacional no qual assuntos como matemática, ciência de dados e programação são requisitos básicos, assim como assuntos como filosofia e linguagens.

Quem são os alunos 5.0?

Segundo Motta, é possível encontrar em muitos artigos e outras referências que há dez anos começaram a nascer os indivíduos da Geração Alpha e que fazem parte dessa Super Smart Society.

Os primeiros ‘Geração Alpha’ já estão no 3º Ano do Ensino Fundamental I e possuem um perfil muito diferente e curioso de lidar com as coisas do mundo. Pertencem a um mundo extremamente conectado e tecnológico desde os primeiros meses de vida”, cita ele.

De acordo com o professor e pesquisador, diante desse cenário e com um olhar atento para o mundo escolar, é preciso entender o que nos traz a Educação 5.0. “O termo pode parecer estranho, mas o fato é que ele apresenta uma realidade que, a cada dia, será cada vez mais comum em sala de aula”, ressalta.

“Eles são multitarefas, gostam de experiências personalizadas, leituras não lineares e preferem imagens sobre palavras. Memória é coisa para disco rígido de um computador. Se precisam de informações, vão ao Google”, afirma.

Na observação de Motta, essa geração digital possui grande afinidade com ambientes repletos de sensores, plataformas e aplicativos que permitam respostas rápidas, elogios e recompensas frequentes. “Frequentemente, usam dispositivos digitais para evitar dissabores ou comprometimentos. Vivem no agora e tudo deve acontecer de maneira instantânea. Seus cérebros estão no modo ‘sempre alerta’ para múltiplos canais de informação, embora a atenção e a compreensão possam ser consideradas superficiais”, diz.

O professor cita que eles também querem velocidade e esperam que as coisas aconteçam rapidamente e, como resultado, quase não têm paciência. “Falar dessa geração é reforçar as características de pessoas que nasceram e estão crescendo em uma cultura de internet, em um ambiente orientado para a multimídia e suas infinitas possibilidades”.

“Além disso, essa nova sociedade criativa que busca transformar informação em conhecimento, conectada 24 horas por dia, dá voz e permite a qualquer indivíduo com um smartphone na mão, opinar e manifestar suas ideias sobre os mais variados assuntos e conteúdos”, conclui.

Conhece algum aluno assim na sua escola? Falando nela, sua instituição está preparada para a Educação 5.0?

Leia também:

Guia da Educação 4.0: O que é e o que esperar dela?

Guia da Educação 4.0: Quem são os alunos 4.0?

Deixe uma resposta