Coronavírus: É seguro que os alunos voltem à escola?

Que precauções a escola deve tomar para prevenir a propagação do vírus Covid-19 no retorno às aulas presenciais?

Aos poucos, estamos vendo um número crescente de crianças retornando à sala de aula. No mundo todo, mais de 1 bilhão de alunos ainda estão fora da escola, mas mais de 70 países anunciaram planos para reabrir escolas e centenas de milhões de alunos voltaram nas últimas semanas, de acordo com os dados da Unicef.

No Brasil, o estado do Amazonas foi o primeiro a reabrir as escolas. Lá, os alunos do ensino médio já completaram um mês com aulas presenciais e os alunos do ensino fundamental aguardam voltar à escola no final de agosto. No Distrito Federal, as aulas retornaram no início de agosto, mas logo foram suspensas por embate judicial e a volta é incerta. Os demais estados estão em diferentes estágios em relação a como e quando planejam reabrir as escolas.

Voltar para a escola provavelmente será um pouco diferente do que pais e alunos estavam acostumados. É possível que as escolas reabram por um período de tempo e, em seguida, uma decisão pode ser tomada para fechá-las temporariamente, dependendo do contexto local.

Mesmo que sua escola ainda não tenha decidido reabrir, é crucial que comece um planejamento detalhado agora, para ajudar a garantir que alunos, professores e funcionários estejam seguros quando retornarem e as famílias estejam confiantes em mandar seus alunos de volta à escola.

O blog do IsCoolApp conversou com especialistas que falam sobre os benefícios e riscos para a educação no retorno às aulas a seguir:

“Modo escolar”

Dada a possibilidade de que muitas escolas não abram em tempo integral ou para todas as séries, as escolas podem implementar modelos de “aprendizagem combinada”, uma mistura de instrução em sala de aula e educação remota (aprendizagem online).

Muitas escolas terão que planejar aulas de atualização para ajudar a trazer os alunos de volta ao ritmo, a voltar ao “modo escolar”. De qualquer forma, para o cirurgião plástico e médico do hospital de campanha do Ibirapuera, em São Paulo, Dr. José Antonio Casari Davantel, é altamente recomendável que as crianças retornem às aulas presenciais o quanto antes possível.

“A minha opinião é baseada na Unesco e nos artigos científicos mais recentes, além da Academia Americana de Pediatria. As crianças são anteparos biológicos, a maioria não ficará doente. Obviamente existem exceções. Por exemplo, crianças que moram com avós devem evitar o retorno às aulas. Mas, estamos falando de uma situação específica”, explica.

De acordo com Davantel, o pico da pandemia aconteceu no final de maio. “Essa informação está no portal de transparência dos cartórios. Os casos são mais baixos hoje. Espero que os pais tenham coragem e que o pânico não impere, até porque estão deixando as crianças sem imunidade, sem escola, com depressão. Uma criança sem imunidade, possivelmente terá doenças auto-imunes na fase adulta”, alerta.

Atividades ao ar livre são essenciais no plano de volta às aulas. Afinal não só diminuem as chances de transmissão do vírus, como contribuem para a promoção da saúde e o aumento da imunidade de crianças e adolescentes.

Pensando nisso, o programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, em parceria com outras instituições, lançou um documento com sugestões pautadas em referências históricas e experiências internacionais, que destacam a aprendizagem em contato com a natureza para a retomada das aulas presenciais. 

Acesse o documento: Planejando a reabertura das escolas

Muitas crianças precisarão de apoio extra para atualizar seu aprendizado quando as escolas forem reabertas. Isso pode incluir começar o ano com programas após as aulas ou tarefas complementares a serem feitas em casa.

O IsCool App, por exemplo, oferece o módulo Lição de Casa que facilita o envio de tarefas para os alunos. Além disso, a escola pode manter uma comunicação mais eficiente com os pais e responsáveis, enviando recomendações, tais como apoiar o filho em casa, criando uma rotina em torno da escola e dos trabalhos escolares.

Isso pode ajudar se os alunos estiverem se sentindo inquietos e com problemas de concentração. A escola poderá abrir o canal de atendimento para que os pais possam entrar em contato com o professor ou a escola, fazer perguntas e se manter informado.

Uma dica é perguntar aos pais se o aluno está enfrentando desafios específicos, como tristeza pela perda de familiar ou ansiedade elevada devido à pandemia. Esse tipo de conhecimento pode fornecer dados para que a escola tome decisões mais assertivas no retorno às aulas.

Leia também:

Lição de casa pelo app: o grande diferencial para seu colégio

Ansiedade e depressão

Durante um período tão preocupante e perturbador, é natural que ansiedade e depressão tenham crescido entre todos, principalmente crianças e adolescentes.

Inclusive, já fizemos uma live e matéria sobre isso aqui no blog do IsCool App. Leia também:

Live Educacional: Escolas e famílias no enfrentamento à pandemia

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No retorno às aulas, como a escola irá apoiar a saúde mental dos alunos e combater qualquer estigma contra as pessoas que estiveram doentes?

A psicóloga Giovina Fosco Turco, mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela Unicamp, acredita que o retorno escolar será um desafio. “Como tudo nessa pandemia está sendo complicado, a volta presencial não será diferente”, alerta.

Segundo ela, de qualquer forma, as escolas devem estar preparadas. “Primeiramente, a escola deve se informar sobre a situação da pandemia em sua cidade e, daí sim, decidir sobre o retorno, seguindo todas as medidas de precaução”.

Para a psicóloga, o retorno escolar pode gerar uma ansiedade muito grande nas crianças, assim como nos pais. “Acredito que a escola deveria ter uma postura de conversa. Primeiramente com os pais, dizer a eles como estará se preparando. Claro que preocupação com os filhos, todos têm, mas se os pais estiverem inseguros, essa insegurança vai passar para as crianças”, adverte.

“Mesmo sabendo que a doença acomete em número menor as crianças, nós temos que protegê-las. Elas têm que se sentir seguras”, afirma Giovina, sugerindo que a escola abra espaço para a criança falar sobre seus medos, dúvidas e ansiedades.

Para ela, família e escola terão que se juntar de maneira transparente. “Deverá ser uma volta complicada, insegura, mas quanto mais se falar sobre isso, todos vão estar mais seguros”, finaliza.

2 comentários sobre “Coronavírus: É seguro que os alunos voltem à escola?

  1. Não. Infelizmente as autoridades responsáveis não tem ainda um recurso para a segurança da nossa população, está que deve ser a vacina. O vírus atinge o sistema imunológico e ao meu ver sem chances para retorno, o risco é muito grande. Minha filha por exemplo, pertence ao grupo de risco.
    Desde já agradeço a atenção.

    1. Realmente, são muitas variáveis para se analisar, não é mesmo? Mas acreditamos que os colégios e pais farão de tudo para tomar as melhores decisões 😉 Obrigado pelo comentário, Patrícia!

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