Coronavírus: 4 passos para exercer o autocuidado e preservar a saúde emocional dos filhos durante o isolamento

Especialista lembra sobre a necessidade de mães, pais e professores cultivarem o bem-estar multidimensional para auxiliar crianças e jovens durante períodos de ansiedade como o que estamos vivenciando

Nesse cenário de isolamento social, todos nós vivemos algum momento de ansiedade e incerteza. Imersos no ambiente familiar, os pais agora precisam trabalhar de casa, ajudar os filhos nas tarefas escolares e enfrentar diversos medos frente à pandemia do novo coronavírus, o Covid-19.

A pandemia mudou nossas vidas de maneira que nunca teríamos imaginado. Discussões sobre o vírus dominam as notícias. Eventos esportivos, shows e exibições de cinemas foram cancelados. Portanto, não surpreende que muitos de nós estejam mais estressados ​​e ansiosos hoje em dia.

Afastados da escola, professores agora são desafiados a ensinar à distância, tendo que preservar a saúde mental e emocional dos seus alunos e de si mesmos. Definitivamente, não está sendo fácil a nova rotina para os responsáveis pelas crianças e jovens por todo o país. Sejam pais, sejam professores.

As crianças e os jovens também podem estar se sentindo preocupados. Felizmente, existem coisas que podemos fazer para ajudar nossos filhos/alunos a lidarem melhor com tudo isso. Mas, primeiro, os pais e professores devem aliviar suas próprias preocupações.

É o que sugere o médico, terapeuta e educador Feizi Milani, ao falar da necessidade do autocuidado, que é o compromisso e responsabilidade da pessoa em atender suas necessidades essenciais. “Cuidar de si mesmo, para cuidar dos outros”, lembra.

Ouça abaixo, na íntegra, as recomendações de Feizi Milani sobre o autocuidado:

As crianças seguem as dicas dos adultos que cuidam deles. Se você está ansioso, é muito difícil acalmar seus filhos ou alunos. Se você está mais relaxado, é mais fácil acalmar os medos deles. Portanto, aqui estão alguns passos que você pode seguir para aliviar a ansiedade do Covid-19 em você e, consequentemente, nas crianças e adolescentes.

Passo 1: Manter a saúde física

Para manter o autocuidado, é importante cultivar o bem-estar das diversas dimensões do ser humano: física, mental, emocional e espiritual. “Você deve se perguntar: o que vou fazer hoje para cultivar o meu bem-estar de tal forma que eu possa contribuir para o bem-estar da criança e adolescente que sou responsável?”, sugere Milani.

Por exemplo, o sono é essencial para a saúde física mental, mas muito subestimado no mundo em que nós vivemos. “O corpo humano não é uma máquina que pode funcionar bem sem repouso. Ainda no plano físico, mantenha uma atividade física que seja satisfatória e que possa ser realizada diariamente dentro de casa”, diz.

Passo 2: Manter a saúde mental

Não permita que o vírus se torne o centro da sua vida. Isso implica em selecionar cuidadosamente tudo o que se lê, ouve e assiste. “Existe um excesso de informações sobre a pandemia. Obviamente, não é que você tenha que ser alienado, mas que seja seletivo”, recomenda o terapeuta. Como a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já recomendou, o ideal é acessar as notícias sobre a pandemia apenas uma vez ao dia.

Passo 3: Manter a saúde emocional

“O autocuidado da dimensão emocional começa com a compaixão pelos outros, pelos filhos, pela escola, pelo povo e pela humanidade. É olhar com amor e aceitação, com paciência e compreensão e deixar de lado o julgamento e a cobrança. A compaixão por si mesmo”, cita Milani.

E completa: “Todos nós estamos nos adaptando a uma situação inesperada, que não é fácil, mas que é possível. Mas, precisamos ter compaixão conosco, com nossa família e dar espaço para esse processo de adaptação”.

De acordo com ele, uma forma prática de gerar o bem-estar emocional são as diversas práticas de respiração que ajudam a apaziguar nossas emoções.

Passo 4: Manter a saúde espiritual

Finalmente, na dimensão espiritual, o terapeuta fala sobre cultivar a transcendência. “É muito importante, num período como esse, olhar para o futuro e para frente”, alerta. Oração é uma prática importante, assim como manter a fé. “O que move o ser humano é a fé, independente da religião ou crença”, lembra.

Como auxiliar as crianças e adolescentes

Segundo Feizi Milani, devemos evitar duas situações extremas: subestimar ou superestimar nossos filhos ou alunos. “Não devemos subestimar a capacidade das crianças quando, por exemplo, sentimos pena delas, tentando a todo custo minimizar qualquer sentimento de desconforto”, lembra.

Para o terapeuta, é claro que todos nós queremos que elas se sintam bem, “mas elas têm que desenvolver novas competências dentro dessa situação. A criatividade delas é muito maior do que a dos adultos. Podemos ajudá-las nesse caso, mas sem subestimá-las, porque elas vão conseguir superar isso”, afirma.

Já no outro extremo, superestimar é achar que os adolescentes têm uma maturidade muito desenvolvida e que eles estão prontos para entender o grau de incerteza que essa situação envolve. Quando, na verdade, não é bem assim. “Temos que transmitir a eles esperança e dizer que tudo isso vai passar, porque a espécie humana é especialmente resiliente”, comenta.

Necessidade de rotina

Feizi Milani lembra ainda sobre a necessidade de se manter uma rotina em casa e para os estudos a distância. “Ela é estruturante para crianças e adolescentes, desde que inclua estudos, lazer e atividades que não sejam diante de telas”, reforça.

O terapeuta lembra que a tendência é que crianças e adolescentes exagerem o tempo diante das telas. “Precisa ter esse tempo, mas precisa ser monitorado e controlado. O ideal é buscar outras atividades de lazer e distração”, diz.

Que tal um momento bacana para se praticar atividades artísticas? Também pode ser interessante para a família toda fazer atividades físicas juntos, cada um dentro das suas possibilidades. Outra dica é reservar um momento para a família se reunir e conversar como cada um está se sentindo.

Atenção concentrada

“Nunca é demais falar da importância da atenção concentrada”, diz Milani. É quando o pai e a mãe dedicam um tempo mínimo, ao menos 20 minutos por dia, durante os quais o responsável deixa de lado qualquer outra distração e se dedica a estar presente com os filhos.

“É quando o pai e a mãe se conectam com a criança interior para estar junto com os filhos, mas não como uma obrigação, e sim como um momento de prazer. Nesse momento todo o foco está direcionado à criança”, explica. Em relação aos filhos adolescentes, Feizi Milani sugere atividades de lazer que possam fazer juntos.

Por fim, o terapeuta diz que o melhor a se fazer é ter humildade, “reconhecer que a realidade é muito maior do que a gente e que extrapola os nossos desejos e as nossas vontades. Aceitar e lidar com isso”, reflete. Outra questão importante é sobre a nossa capacidade de nos adaptar: “Devemos ser flexíveis em relação ao problema e sermos criativos, sendo a criatividade um elemento muito importante”, finaliza.

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