Transformação digital e a formação nexialista

Prof. Dr. José Carlos de Souza Jr. – Reitor do Centro Universitário do Instituto Mauá

Com os avanços tecnológicos, os profissionais do futuro deverão ser nexialistas, um meio termo entre especialistas e generalistas.

Na era da transformação digital, formar os futuros profissionais não é mais o mesmo. Antigamente, quando o aluno chegava à faculdade, poderia escolher entre ser um especialista ou generalista. Hoje, essa dicotomia não cabe mais. Ao menos é isso que acredita o prof. Dr. José Carlos de Souza Junior, Reitor do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia.

Em sua palestra “Transformação Digital das Instituições de Ensino e a Formação Nexialista”, o prof. Dr. José Carlos explicou o termo “nexialista”, sujeito que faz a ponte entre especialistas e generalistas.

Para ele, as instituições de ensino devem se adequar para que os alunos tenham esse traço nexialista na sua formação.

“Ser especialista ou generalista é importante, mas mais importante que isso é trabalhar em equipe, de forma colaborativa”, afirma.

José Carlos, que também é Mestre e Doutor em Engenharia Elétrica, falou para cerca de 600 educadores durante a Reunião Anual das Escolas Associadas da Rede PEA/Unesco, Regional de Sâo Paulo, que ocorreu no dia 15/02, na capital paulista.

Inclusive, o blog do IsCool App produziu artigo sobre o evento. Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

Para ele, nesse estágio que vivemos às portas da Indústria 4.0, é importante que os profissionais do futuro tenham flexibilidade e possam realizar conexões entre especialidades e generalidades, sendo, portanto, um meio-termo entre as duas maneiras de agir e pensar.

O que é Nexialismo

Essa palavra pouco conhecida surge em 1950, no livro de um canadense nascido em 1911 chamado Van Vogt. De acordo com o José Carlos, ele foi um escritor de ficção científica e contemporâneo de Isaac Asimov – considerado um dos mestres desse gênero literário.

“Seu livro de 1950, chamado The Voyage of Space Beagle, quando o homem nem havia chegado a pisar na Lua, fala sobre uma expedição interplanetária na qual a tripulação é composta por pessoas que são generalistas e especialistas”, conta.

A cada capítulo, a tripulação tem que superar um desafio. O protagonista do livro recebe então, pela primeira vez, a denominação de nexialista.

Nexialista vem de nexus (do latim) que significa conexão. Esse protagonista do livro tinha a habilidade de reconhecer na tripulação quais eram as generalidades e especialidades de cada um para resolver determinado problema. Ele montava as equipes e elas funcionavam muito bem sob a orientação desse nexialista.  

Segundo o reitor da universidade, essa dicotomia ainda é perceptível na formação dos profissionais de ensino superior atualmente.

“A conclusão é que os dois são importantes. Mas, antes do sujeito ser especialista ou generalista, ele deve ser um nexialista”, afirma.

Teoria evolucionista

A característica nexialista pode ainda ser observada no campo da biologia evolucionista, de acordo com o prof. Dr. José Carlos. Ele destaca dois pontos: o primeiro é sobre o elemento químico carbono, que é a base de toda a vida, do modo como nós conhecemos.

“Mas, o intrigante é que não é o elemento mais abundante no universo. O carbono é o elemento que faz melhor conexões. Ligações duplas e triplas: ninguém faz como o carbono. O carbono se permite ligar com outros elementos que deram origem a vida”, ressalta.

Para ele, o aluno deve trazer esse traço do carbono.

“Se não é o carbono propriamente dito, que tenha a consciência de se conectar ao carbono”, completa.

Por exemplo, o diamante basicamente é carbono. Ele é translúcido, um dos elementos mais duros e é isolante elétrico. Agora o mesmo carbono pode se combinar e se transformar em grafite, que é um elemento mole, opaco e altamente condutor de eletricidade. Então, o sujeito nexialista traz essa flexibilidade.

O segundo ponto a destacar é sobre o meio líquido.

“Toda teoria evolucionista levada a sério acontece no meio líquido, a exemplo da sopa primordial”, lembra. No meio sólido, dificilmente surgem novas conexões. Então a inovação não aparece e é o que chamamos de ordem. No gasoso, é o caos. As ligações são muito tênues. Não existe a perenidade necessária para que as ligações ganhem complexidade.

Fazendo uma analogia com o mundo corporativo, na ordem, às vezes tem-se regras tão rígidas que não permitem que a inovação surja. No caos, as empresas podem ser tão inovadoras que chegam a soluções pouco concretas. O meio líquido é justamente o meio termo, o equilíbrio.

Para o prof. Dr. José Carlos, as instituições de ensino devem ser meio líquido para que os alunos desenvolvam o traço nexialista e se tornem os profissionais do futuro.

E a transformação digital?

As instituições de ensino têm utilizado cada vez mais a tecnologia como suporte para a tomada de soluções. Apesar dos avanços tecnológicos trazerem ganhos de escala e produtividade para a produção industrial, as demandas da sociedade têm sido cada vez mais por soluções personalizadas.

É aí que entra o sujeito nexialista para colaborar no encontro dessas soluções, utilizando suas conexões entre as especialidades e generalidades. No caso do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, os alunos dos cursos de engenharia, administração e design montam equipes multidisciplinares para o desenvolvimento de diversas soluções tecnológicas.

A mais recente delas foi o desenvolvimento de um aplicativo para monitorar os índices de saúde dos componentes da escola de samba paulista Rosas de Ouro. A ideia foi monitorar, durante o desfile, a emoção dos integrantes da escola. Para isso, os integrantes utilizaram uma pulseira para identificar suas reações ao desfilar pelo sambódromo do Anhembi.

Já no aplicativo, o usuário obteve acesso aos seus dados biométricos e a uma análise deles, através de relatórios diários, além de gráficos, com as interações do usuário antes, durante e depois do Carnaval. Assim como a educação e a indústria, o Carnaval também é 4.0!

Se você gostou desse tema e quiser saber mais sobre as tendências para os profissionais do futuro, leia os posts que já produzimos:

Tendências do futuro e o ensino de habilidades de vida

Futuro do Trabalho: o que as escolas precisam saber

Guia da Educação 4.0: o que esperar dela

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