Alimentação saudável nas escolas: uma matéria importante

Mesmo num mundo recheado de alimentos industrializados, cada vez mais os pais e mantenedores escolares se preocupam em oferecer uma alimentação saudável nas escolas; essa questão é, inclusive, tema de pesquisa governamental.

Em 2019, o IBGE realiza a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense 2019) nas escolas de todo o país para avaliar os hábitos alimentares dos alunos. A última edição de 2015 revelou que mais da metade dos alunos que participaram da pesquisa prefere comprar um lanche na cantina da escola do que se alimentar com a merenda que a instituição prepara.

Porém, a oferta de salgados, refrigerantes e demais guloseimas tem colaborado para o aumento do índice de obesidade infantil e outras doenças relacionadas ao sobrepeso. Um dos problemas é que os jovens que estão obesos hoje estão mais propensos a doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial. Além disso, os alunos que entram na adolescência acima do peso tendem a apresentar mais dificuldades em fazer as pazes com a balança na vida adulta.

Mas, afinal, o que é uma alimentação saudável?

Alimentos in natura como frutas, legumes e verduras encabeçam essa categoria, além dos que proporcionam valor energético como carnes, cereais, derivados de leite e tubérculos. Água ainda é a melhor opção para se beber, além de água de coco e sucos naturais de frutas.

“Uma alimentação saudável é aquela que respeita a individualidade de cada criança, seus aspectos culturais, sociais, psicológicos e também suas preferências alimentares. Dessa forma, é possível incluir os vários tipos de alimentos sem restrições desnecessárias”, afirma a nutricionista Jéssica Bonella, especialista em saúde da criança e do adolescente pela Unicamp.

Jéssica Bonella, nutricionista (Foto: Arquivo Pessoal)

De qualquer maneira, os alimentos que integram um lanche saudável devem ser preparados preferencialmente em casa, se possível com a ajuda das crianças. Para isso, os pais podem se planejar fazendo a compra semanal dos ingredientes que serão utilizados para o preparo da lancheira escolar. 

Segundo a nutricionista, “a participação ativa da criança, ou seja, ela fazer suas próprias escolhas e dar sua opinião a partir do que aprendeu – sempre com a supervisão dos pais ou responsáveis, – gera um senso de responsabilidade e autonomia fundamentais para a adesão da criança no processo de mudança de hábitos alimentares”.

Criança fazendo o cardápio da lancheira escolar (Foto: Jéssica Bonella)

Visando esse público preocupado com que os filhos comem na escola, algumas empresas fornecem opções de alimentação saudável. Umas operam no controle de cantinas, que comercializam salgados assados ao invés de fritos, e sucos no lugar de refrigerantes.

Já outras empresas vão além de oferecer um lanche saudável. Chegam a entregar na escola da criança próximo do horário do recreio. Claro que são serviços pagos e os pais devem, antes de mais nada, avaliar se o custo desse tipo de serviço caberá ou não no orçamento familiar.

As escolas também colaboram nesse sentido quando fornecem as refeições para os alunos que permanecem em período integral, por exemplo. Geralmente, o cardápio das refeições é orientado por um profissional nutricionista que define o que deverá ser servido às crianças de forma a oferecer uma dieta balanceada. Os pais podem acompanhar o cardápio semanal através das redes sociais das escolas ou por outros meios de comunicação.

Cardápio no IsCool App

Para as escolas que utilizam o IsCool App como ferramenta de comunicação com os pais, existe a opção de informar se o aluno comeu ou não, a que horas e se repetiu através do módulo Agenda/Diários. Dessa forma, os pais ficam mais tranquilos sabendo que seus filhos estão se alimentando de forma adequada.

A escola poderá também gerar relatórios por aluno e utilizar essa informação com a nutricionista, fornecedores da cantina ou até mesmo na reunião de pais.

Os colégios têm ainda a opção de inserir o cardápio diário. Outro detalhe: na função “Atendimento”, a escola pode colocar o pai em contato direto com a cantina ou com a nutricionista da escola.

Recomendação diária

De acordo com resolução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), as escolas que oferecem período integral devem atender, no mínimo, 70% das necessidades nutricionais dos alunos, divididas em pelo menos três refeições diárias.

Para a recomendação de ingestão diária de alimentos, o PNAE utiliza valores propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) que preconiza: De 6 a 10 anos, 1.500 calorias; de 11 a 15 anos, 2.175 calorias e de 16 a 18 anos, 2.500 calorias.

Além de alimentos saudáveis, o cardápio escolar deve estar alinhado com outros fatores, tais como faixa etária e horários das refeições, além da tradição agrícola local. Isso sem contar com a preocupação em relação ao uso indiscriminado de açúcar, sal e gordura que não trazem benefícios nutricionais e são tidas como calorias vazias.

A alimentação como extensão da aprendizagem

Especialistas são unânimes ao afirmar que o preparo dos alimentos de maneira saudável e equilibrada deve fazer parte da proposta pedagógica das escolas. Entre os benefícios dessa prática, estão:

  • Os alunos aprendem o valor nutricional dos alimentos;
  • Passam a evitar o desperdício;
  • Ganham autonomia na escolha da composição do prato;
  • Aprendem a importância de variar o cardápio.

De acordo com Bonella, a escola tem como papel promover, de fato, a educação nutricional. “A educação nutricional, por exemplo, de forma lúdica sobre alimentos e nutrientes, leitura de rótulos, culinária e, se possível, incluir os pais em palestras sobre esses temas também”, conclui.

Pode participar dessa proposta pedagógica toda a escola, desde professores até merendeiros. Esses, inclusive, têm um poder especial: o de incentivar os alunos na hora de servir as refeições,  oferecendo alimentos que eventualmente sofreriam recusa por parte das crianças e adolescentes. É a partir da influência dos merendeiros que muitas crianças e adolescentes passam a comer determinado alimento.

Para esse público tão importante, existem ainda iniciativas como o Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, do Ministério da Educação, que premia os merendeiros mais criativos em suas receitas. Em 2019, o prazo para as inscrições é até 12 de julho através do site: http://melhoresreceitas.mec.gov.br/. A premiação inclui cursos de melhores práticas na cozinha, até viagem internacional.

Não apenas comer bem, mas compartilhar o momento da refeição é importante para que os alunos possam se confraternizar, tornando a prática pedagógica da alimentação saudável ainda mais prazerosa. Confira abaixo algumas sugestões de atividades lúdicas para fornecer educação alimentar às crianças e adolescentes:

  • Teatro dos alimentos com personagens em E.V.A (para crianças menores);
  • Atividade sensorial com os alimentos: brincadeira às cegas para as crianças em idade pré-escolar para adivinharem qual é o alimento;
  • Plantação de uma horta: essa atividade pode ser realizada com crianças de 6 a 9 anos;
  • Oficinas de alimentação saudável para os adolescentes, pedindo que cada um coloque numa folha em branco o que comeu durante as refeições anteriores e explicar a eles a importância de uma refeição saudável e equilibrada.

Além dessas dicas, há muitas outras para colocar em prática com os alunos. Nada que a imaginação e os ingredientes certos não possam ajudar. Porque afinal de contas, a alimentação deve ser saudável, mas também muito gostosa!

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