Sala de aula invertida na prática: o que é e como implantar

Criado há pouco mais de dez anos, o modelo de organização de sala de aula é mais uma das opções destacadas pelas metodologias ativas; escolas têm adaptado a tendência a seus próprios métodos na busca por resultados ainda mais eficazes

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Cadeiras enfileiradas, cadernos e livros como principal ferramenta de uso do aluno, salas de aula fechadas e totalmente emparedadas, protagonismo do professor… o modelo de ensino do século passado ainda é o mais utilizado em escolas do mundo todo porque também prova ser eficaz em muitos pontos. Entretanto, essa imagem de organização tem, aos poucos, se dissolvido mediante tantas transformações pelas quais a sociedade transcende.

Novas ferramentas, principalmente baseadas em tecnologias educacionais, dão espaço ao que chamamos de ensino híbrido, cuja intenção é oferecer diversas opções de aprendizado ao aluno. Uma das metodologias ativas inseridas nesse cenário, e que cada vez mais ganha a atenção de gestores escolares, é a Sala de Aula Invertida, que, de maneira resumida, traz o aluno como explorador do conteúdo e o professor com o papel (não menos importante) de mediador do aprendizado.

Unida a outras técnicas e metodologias, a Sala de Aula Invertida tem sido aproveitada com êxito por gestores educacionais Brasil afora. Mas nada de mudanças radicais ou de puro modismo, o segredo de quem aplica o conceito está na capacidade uni-lo às práticas já consagradas pela instituição, de maneira orgânica.

 

Mais que uma tendência, uma necessidade

A Sala da Aula Invertida surgiu nos Estados Unidos, entre os anos de 2006 e 2007, em grandes universidades americanas. Um dos precursores do chamado flipped classroom é o professor de química da Universidade do Colorado, Jonathan Bergmann, que, com base em pesquisas, defende o método de flipped learning como sendo o mais eficaz no aprendizado em qualquer idade.

Mais eficaz ou não, na prática, a verdade é que o método tem características diferenciadas. “A chamada sala de aula invertida é, dentro outros, um dos modelos de organização do ensino híbrido, que pressupõe que haja várias maneiras de aprender, em vários lugares e que alterna momentos em que o aluno estuda sozinho – normalmente em ambientes digitais – e em grupo – quando está em sala de aula com o professor e com os colegas”, explica Márcia Rosiello Zenker, educadora, psicóloga clínica e educacional e consultora associada da Humus Consultoria Educacional.

A Sala de Aula Invertida envolve as TDICs – Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação, por isso ganha a atenção da comunidade escolar. “É uma tendência e uma necessidade as escolas usarem, cada vez mais, metodologias ativas. A sala de aula invertida é apenas um modelo que serve a essa metodologia. Hoje, com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), em que se propõe o desenvolvimento do protagonismo do estudante e a inserção das TDICs, mais do que nunca são importantes e bem-vindas todas as formas de organização do conhecimento. E a sala de aula invertida é uma delas”, afirma Márcia.

 

O exemplo do Colégio Emilie de Villeneuve

No Colégio Emilie de Villeneuve, que utiliza o IsCool App como plataforma de gestão de comunicação, o conceito da Sala de Aula Invertida faz parte da estratégia de ensino de forma orgânica, pois está inserido em todos os espaços de aprendizagem da instituição. “Todos os espaços de aula, como laboratórios de ciências, informática, línguas, cozinha experimental , entre outros, são utilizados de forma a permitir ao aluno a construção ativa de seu conhecimento e não apenas reproduzir sequências didáticas”, conta Marizilda Escudeiro de Oliveira, Coordenadora Pedagógico-Educacional do Ensino Médio e da EJA – Educação de Jovens e Adultos do colégio localizado na capital paulista.

Comprometido com o aprendizado hibrido e com a difusão do que há de mais atual em tecnologias educacionais, o Colégio Emilie de Villeneuve se pauta nos bons resultados obtidos com a unificação de metologias no espaço maker, uma sala de aula para aprendizagem criativa, que contou com investimento em mobiliário próprio para se adaptar de acordo com a necessidade de cada grupo. “Esta sala vai além da aula invertida. Os alunos desenvolvem projetos no plano digital e os tornam reais com a ajuda de sensores, impressora 3D, cortadora a lazer. Desta forma constroem conceitos, desenvolvem habilidades transitando entre uma ideia, um projeto e a sua execução. Os ganhos com a utilização desta sala estão relacionados à aplicação direta nas questões do cotidiano”, ressalta a coordenadora.

 

Uma questão de adaptação

O fato é que as escolas têm adaptado as metodologias ativas à sua realidade e aos seus fundamentos. Em matéria recente, citamos o exemplo do Colégio Teresiano, do Rio de Janeiro, que utiliza diversas ferramentas, entre elas o blog, para promover o empoderamento digital. O próprio colégio, que também aposta no IsCool App para comunicar e integrar as famílias sobre as atividades desenvolvidas em classe, cita que reservou um andar inteiro para a criação de salas de aulas interativas, em que o aluno pode mesclar o uso de computador, tablet, celular, impressoras 3D e livros simultaneamente.

Espaços híbridos, aliás, também já foram tema para um dos textos mais lidos deste blog, a matéria sobre arquitetura escolar. Com especialistas no assunto, o texto fala da importância da quebra de paradigmas no design das salas de aula contemporâneas e cita exemplos de como essas adaptações podem ser aplicadas em cada colégio, alinhando demandas e orçamento.

 

As vantagens da sala de aula invertida na prática

Especialista em história da educação brasileira, Márcia Rosiello Zenker elenca os principais ganhos refletidos pela sala de aula invertida, de acordo com declarações colhidas por ela de professores e alunos. Confira:

  • Maior interatividade, tanto entre os alunos como entre alunos e professor;
    Aumento no nível de colaboração entre os alunos e estímulo ao compartilhamento do conhecimento por parte deles;
  • Crescimento da motivação e interesse dos alunos em aprender;
  • Ampliação do interesse pelo conhecimento para além dos muros da escola, chegando, muitas vezes, aos familiares;
  • Apropriação, pelos alunos, da construção do conhecimento;
  • Facilitação de identificação das dificuldades dos alunos pelo professor, possibilitando que ele redirecione o estudante para novas atividades.

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