Cinema em sala de aula: quando as câmeras substituem a caneta

Já pensou em trabalhar o cinema além da simples exibição de filmes em classe? Saiba como o cinema tem sido trabalhado em pesquisas pedagógicas e nas escolas e veja exemplos de como utilizar essa arte para projetos de sucesso

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Cinemas batem recorde de bilheteria e canais de streaming arrebatam gerações interessadas em séries dos mais variados temas… Enquanto isso, na sala de aula, jovens se afundam em apostilas, fórmulas decoradas e na velha configuração de carteiras enfileiradas com a figura do líder professor.

Ok, os tempos estão mudando e a educação também. Cenários escolares como o citado acima já estão sendo desconstruídos. E se depender de pedagogos e professores entusiastas da sétima arte, parte dessa mudança se dará pelo cinema, partindo da simples premissa de que matemática, geografia e história também podem conquistar alta bilheteria.

Como já diria Arlindo Machado, professor doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que baseia seus estudos em mediações tecnológicas, quando as câmeras substituírem as canetas, o filme será o novo modo de o homem dar forma ao pensamento.

 

Mais do que exibir um filme em sala de aula

O cinema pode ilustrar de maneira eficaz um tema discutido em sala de aula, facilitando a absorção do conteúdo. Essa é uma atividade importante, mas é possível ir além e buscar resultados ainda mais efetivos.

O cinema traz diversas portas de entrada para a educação, como ser um meio de expressão, uma ferramenta para que o aluno seja um agente ativo na construção do conhecimento. Mas acredito que as escolas ainda estão engatinhando neste sentido, justamente por ser o cinema uma arte nova e ainda existirem poucas universidades que ofereçam Licenciatura em Cinema”, explica Claudia Seneme do Canto, Doutoranda em Educação pela Unesp Rio Claro com a pesquisa “A Imagem-Pensamento: o potencial educativo do filme-ensaio”.

 

Filme-ensaio, ferramenta eficaz em sala de aula

Conceito que vem da literatura, o filme-ensaio se mostra como uma das principais estratégias didáticas no meio da educação. “A partir disso, temos um leque de possibilidades para várias disciplinas. Você pode pedir para o aluno fazer um vídeo, filme-ensaio, sobre qualquer tema. Ele não precisa saber dos fundamentos da fotografia para isso, ele pode utilizar a câmera como meio de expressão. Pois o filme-ensaio não tem a obrigação de ser uma obra concluída é um rascunho em audiovisual“, explica Cláudia.

Atualmente professora de técnicas de cinema na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Claudia é uma das fundadoras do grupo Kino Olho de Cinema, da cidade de Rio Claro, e já foi premiada no Festival de Cannes como produtora de dois curtas-metragens: “Command Action“, de 2015, e “A Moça que Dançou com o Diabo“, de 2016. Hoje, ela trabalha estratégias pedagógicas para uma educação sob olhar estético e defende o filme-ensaio em sala de aula.

 

Cinema e geografia

Que tal ir além dos estudos sobre impactos e transformações na paisagem visual? Paisagens sonoras é o estudo do som e sua influência no estado emocional das novas gerações. Em sala de aula, ele pode ser trabalhado por meio da história do cinema, desde sua concepção, passando pelo cinema mudo, até o que se tornou hoje, com detalhes de como é possível unir a imagem e o som.

E que tal compreender mais sobre determinadas culturas estudando o visagismo e o trabalho da direção de arte? É esse profissional, afinal, responsável por estudar, pesquisar e montar cenários de qualquer época em qualquer lugar do mundo.

 

Cinema com matemática e física

Quando as ciências exatas e a arte se unem, o resultado é uma sucessão de coisas incríveis. Utilizando técnicas de filmes de animação, por exemplo, é possível não apenas desenvolver temas habituais da cultura maker, como construção de cenários, uso de massa de modelar em personagens ou fotografia de movimentos em diferentes quadros, como também princípios de estudo das formas geométricas. Em sala de aula, retas, curvas e ferramentas matemáticas, como a interpolação, por exemplo, se transformam em personagens na tela do computador.

E quando o assunto é física, há casos em que professores trazem grandes produções cinematográficas para que os alunos analisem erros cometidos em temas como gravidade, aceleração, matéria, velocidade da luz, entre outros.

 

Tem idade certa para ensinar cinema?

Falar de ensinar cinema é a mesma coisa de falar em ensinar arte. Partindo desse pressuposto, então a pré-escola já um bom público para esse tipo abordagem. Se na Itália já existe um festival de cinema voltado para bebês e no Brasil já temos festival de teatro só para um público de até dois anos de idade, então por que não apostar no tema para os pequenos?

O professor da Unesp-Rio Claro, César Donizetti Pereira Leite, por exemplo, desenvolve uma pesquisa chamada “Ação Câmera Luz” em que estuda o desenvolvimento infantil na primeira infância e uma das metodologias é distribuir câmeras para a pré-escola e ensino fundamental I. Aqui, os caminhos são inúmeros.

“Já operei ilha de edição em projetos de pesquisas no ensino fundamental I e os alunos ficavam muito entusiasmados com a descoberta da nova ferramenta de expressão, como se tivessem ganhado uma nova caixa de lápis de cor“, exemplifica Claudia.

Com tantas ideias e exemplos, que tal trabalhar você também as disciplinas sob a ótica da sétima arte?

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