A urgência pela educação socioemocional e a ansiedade por seus resultados concretos

Tido como a evolução da educação, o desenvolvimento de habilidades, competências e virtudes em sala de aula já é uma realidade; o desafio, agora, é tratar o tema de maneira orgânica dentro de toda a grade curricular e, ainda, colher um retorno efetivo e rápido dessas ações

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As escolas já concluíram que tão ou mais importante que ensinar fórmulas matemáticas é formar adultos com valores bem construídos e uma nota alta no quesito inteligência emocional. Mas à medida que a sociedade evolui e se transforma, aumentam ainda mais as expectativas em torno dos resultados que a educação socioemocional traz a cidadãos do futuro.

Assunto altamente valorizado no cenário educacional, e também fator decisivo para escolha dos pais hoje, o ensino de virtudes é tema desta quarta matéria da série sobre tendências da educação 2018.

Confira o que estudos recentes e especialistas na formação de caráter humano trazem para o ensino socioemocional e quais as tendências a que colégios e pais devem estar atentos para que o resultado desse importante esforço seja efetivo em um futuro próximo.

 

Mas, afinal, no que consiste o ensino que prepara para a vida?

A educação socioemocional pode ser considerada a chave para uma sociedade mais equilibrada, pois acredita-se que, por meio dela, seja possível ensinar virtudes antes só tratadas em desenhos animados, como a coragem, a justiça, a generosidade e a amizade, por exemplo.

Uma vez levadas para a sala de aula, as virtudes deverão ser praticadas pelos alunos em atividades dentro e fora da escola. E, se praticadas, se tornarão recorrentes.
Dessa maneira, alunos passam entender e saber como controlar emoções, respeitar o próximo e sentir empatia por ele, além de tomar decisões mais responsáveis.

Direto para seus lares, os alunos criam uma corrente de virtudes, impactando toda uma sociedade. Daí a importância da pauta e, indiscutivelmente, da colheita desses resultados em um ritmo que acompanhe a evolução da sociedade e as transformações diárias que vivemos.

 

2018, O ano da educação socioemocional

Se o seu colégio ainda não se preparou 100% para a inclusão do ensino de habilidades e competências socioemocionais, é hora de correr. Especialistas apontam que este será um ano importante para o tema, principalmente porque ele já vem sendo trabalhado pela nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que norteia e estabelece objetivos de aprendizagem no ensino básico brasileiro.

Entre suas dez principais competências, a BNCC define como imprescindíveis termos como: conhecer-se, apreciar-se, cuidar da saúde física e emocional, reconhecendo as próprias emoções e as dos outros.

Não bastará mais as escolas dizerem que são fundadas em cima de valores, elas terão que mostrar que o são por meio de ações concretas. Cada vez mais, a partir da ampliação do conhecimento de pais e professores sobre o tema, as escolas definitivamente irão aderir a projetos consistentes de educação socioemocional”, reforça Alessandro Ayudarte, diretor pedagógico do Nuvem9Brasil e representante oficial do Cloud9World.

Criado por um grupo de educadores nos Estados Unidos, o Cloud9World é um programa de educação de competências socioemocionais que trabalha autogerenciamento, consciência social, habilidades de relacionamento, decisões responsáveis e autoconsciência. Por meio de materiais didáticos bilíngues e treinamento de professores, sua metodologia se inspira no reino animal para tratar temas como tolerância, generosidade e criatividade e já atende mais de 500 mil alunos.

 

Matéria deve ser inserida de maneira orgânica na grade curricular

A educação socioemocional não deve ser tratada como matéria à parte. Segundo Ayudarte, que também é filósofo e músico com experiência de 15 anos na educação privada e do terceiro setor, com as ferramentas adequadas, professores podem conectar temas como gentileza, cooperação, honestidade ou perseverança à matemática, ciências ou línguas.

As competências socioemocionais podem ser ensinadas e desenvolvidas dentro dos currículos, sem alterá-los, de forma a não atrapalhar os planejamentos pedagógicos das escolas e ainda contribuir positivamente com o aprendizado e a melhoria dos resultados acadêmicos”, explica Ayudarte, citando estudos realizados pelo Summer Institute for Educators, da Barkley University.

Aqui no Brasil, um documento produzido pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) em parceria com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca as competências que combinam as dimensões cognitivas e socioemocionais para a educação do século 21. A proposta enfatiza que o desenvolvimento dessas habilidades tem sido importante no processo de aprendizagem dos alunos, impactando diretamente e de maneira positiva os resultados em matérias como Português e Matemática.

 

Para ficar atento em 2018: Neurociência e meditação em busca de um ensino pleno

A neurociência comprova, em estudos recentes, que a educação socioemocional altera profundamente o cérebro “Ele (o cérebro) muda em decorrência de estímulos, o que chamamos de neuroplastia. Este fenômeno ocorre no córtex pré-frontal, uma área do cérebro de convergência das emoções e da razão (cognitivo). A ciência moderna aponta que estes dois aspectos se relacionam em uma mesma área do cérebro e não em áreas separadas”, ilustra Ayudarte, que ainda cita estudo da Universidade de Winsonsin sobre alterações significativas da educação socioemocional nos processos de educação.

Uma dessas ações que podem transformar o processo de aprendizagem e auxiliar na formação do aluno-cidadão é a meditação, prática milenar que já tem sido aplicada nas escolas mundo afora e que chega com força ao Brasil. Sob a ótica científica, a meditação ajuda na diminuição da ansiedade e aumenta a capacidade de atenção e concentração. “Por si só, estes dois fatores já contribuiriam em muito para o cotidiano escolar de muitas crianças e jovens que vivem seus processos educativos sob grande pressão – vide o stress gigantesco do Enem”, finaliza Ayudarte.

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