Gestão participativa e o desafio da formação de excelentes pedagogos

A primeira matéria da série sobre as tendências na área da educação fala diretamente com o gestor e líder, que tem nas mãos a missão de engajar os colaboradores e transformar a educação dentro do seu próprio espaço

Gestão Escolar Participativa_ tendências educação 2018

Fazer acontecer, é essa a descrição principal do papel protagonizado pelo gestor de uma instituição de ensino. Com um olhar macro, ele identifica onde cada engrenagem deve estar para que a máquina funcione de maneira eficaz. Uma tarefa que nunca foi fácil, mas que tem se tornado cada vez mais desafiadora pela avalanche de novas demandas nas mais diferentes frentes.

A primeira matéria da série sobre as tendências na área da educação em 2018 aborda justamente alguns conceitos estratégicos da área administrativa, ajudando a resolver dilemas comuns da rotina do gestor, como: afinal, como obter crescimento de maneira sustentável? Como priorizar os investimentos? Como manter a qualidade do ensino mediante escassez de mão de obra qualificada? Como atrair mais alunos?

O gestor escolar contemporâneo sabe que sozinho não consegue obter resposta para essas perguntas e que o caminho para equilibrar todos os pontos questionados se concentra em uma gestão participativa, termo que vem ganhando forças e deve se consolidar no cenário educacional dos próximos anos. Casos de sucesso trazem equipes multidisciplinares criando e executando projetos para as mais variadas demandas educacionais, ou seja, pedagógico, marketing, financeiro e administrativo andam todos juntos em prol do sucesso do colégio.

A escola não deixa de ser uma empresa. Os bastidores, como os setores financeiro, compras, contas a pagar e RH, precisam estar bem organizados. Os colaboradores precisam ter reciprocidade com orçamento e planejamento para uma saúde orçamentária”, analisa o professor e Dr. João Carlos Martins, diretor da HUMUS Consultoria Educacional e consultor nas áreas pedagógica e de gestão.

 

Mas o que é gestão colaborativa na prática?

Como o próprio nome já diz, a gestão escolar colaborativa promove a interdisciplinaridade dentro da instituição. O gestor educacional coordena as ações com sua visão macro, mas as decisões não são tomadas de cima para baixo, e, sim, em conjunto, dando voz a toda uma equipe. A ideia é de que, tornando os colaboradores parte do processo, eles também saibam do seu grau de responsabilidade e importância. “A parte pedagógica acompanha o administrativo, todos têm que saber fazer orçamento e planejamento. As pessoas precisam ser envolvidas para se tornarem corresponsáveis”, exemplifica Martins, que também é diretor do Colégio Renascença, de São Paulo/SP.

Criar diferentes frentes e comissões entre os colaboradores é outra dica imprescindível para a gestão escolar em 2018. A partir daí será possível, também, estender essa coparticipação entre os principais interessados nos resultados a serem obtidos: os alunos e pais, que se sentirão mais seguros e satisfeitos em serem ouvidos.

 

Segredo está na comunicação transparente

A prática da gestão colaborativa está baseada, ainda, no oferecimento de ferramentas adequadas para participação efetiva dos colaboradores. Uma delas é o estímulo quanto ao conteúdo de aprendizado. Por exemplo, quais as oficinas e treinamentos voltados para a gestão administrativa já estão no calendário de cursos dos seus colaboradores deste ano? A quais eventos de atualização eles irão participar?

Outro ponto fundamental é o oferecimento de uma política de comunicação clara e efetiva. Para estimular a participação dos colaboradores, o gestor precisa se atentar a organizar com maestria todas ideias e opiniões e dar voz às pessoas. Reuniões, eventos internos e uma gestão humanizada são ferramentas que devem ser utilizadas em demasia pelos líderes, já que a intenção é criar sintonia e evitar ruídos para o alcance de um único objetivo.

 

Modelo de gestão segue tendência pedagógica

A gestão colaborativa parte de um ambiente onde também a educação é colaborativa, uma tendência pedagógica que vem se firmando nos últimos anos e chega em 2018 com força total. Bastante difundida pela cultura maker, a didática colaborativa vem transformando a sala de aula em um ambiente de aprendizado prático: aqui, os alunos também ensinam uns aos outros e o professor é um importante mediador.

Quando a criança já chega praticamente alfabetizada e com um alto conhecimento em tecnologias atuais, as escolas precisam se tornar espaços agregadores, propícios para a troca de ideias, os trabalhos em grupo e construção de aprendizado além dos livros didáticos. O papel do professor é instigar os alunos e criar neles o olhar crítico voltado à resolução de problemas das mais diferentes origens.

“O grande desafio é formar professores com essa competência. O professor, hoje, vem com conteúdo, mas não consegue fazer essa conexão. Ele precisa sair do papel de só dar aula, para ser investigador. A sala de aula sai totalmente do seu desenho”, explica Martins sobre a importância da transformação do papel do professor.

 

O desafio da capacitação dos professores

Todos os anos, milhares de novos educadores entram para mercado de trabalho, porém, o diploma universitário nem sempre capacita esses professores a um trabalho eficiente em sala de aula. O novo papel do professor encontra resistência, inclusive, para toda uma geração de profissionais com anos de experiência no mercado. O resultado é a escassez de mão de obra preparada.

Entretanto, ao invés de lamentar, os gestores precisam saber que é papel da escola, também, o de capacitar seus professores para uma didática de excelência dentro das classes, como reforça Martins: “A escola tem que ter competência para formar o professor e fazer com que ele saiba dar uma aula de qualidade. É preciso contar com tecnologia, livro didático e apostilas, mas esses suportes são somente o meio e não o fim. A escola tem que ter excelentes pedagogos”.

Para o professor-investigador em formação, aprofundamento é a palavra-chave. O apoio dos colégios para formação extra em áreas como a matemática, para estimular o raciocínio lógico, e literatura, que desperta a opinião crítica, são pontos de partida para um redesenho do corpo pedagógico e busca pela qualidade. Aqui, não se pode perder o foco em congressos, publicações e o estímulo à constante formação.

 

Ambiente colaborativo: qual seu plano?

Da gestão à sala de aula, o termo que rege o cenário da educação em 2018 é “ambiente colaborativo”. Papel e caneta nas mãos, é hora de listar o que seu colégio já tem feito para criar uma atmosfera colaborativa e o que poderá ser posto em prática nesse sentido para o novo ano letivo.

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