GUIA DA EDUCAÇÃO 5.0: novas tecnologias e metodologias

Confira o que é e quais os benefícios do ensino que prepara para além do mercado de trabalho, ressaltando as habilidades socioemocionais e a valorização do bem-estar

Cada vez mais, os conhecimentos digitais se tornam imprescindíveis, mas eles devem ir além.  Esse é o fator-chave para os benefícios trazidos pela chamada Educação 5.0, assunto do momento no meio. Baseada em soft skills, ou seja, conjunto de habilidades e competências relacionadas ao comportamento humano, essa nova educação deve capacitar o indivíduo para utilizar a tecnologia de forma saudável e produtiva.

O objetivo é criar soluções relevantes para a comunidade e transformar realidades. Ela também busca entender o impacto da tecnologia no cérebro humano e como aprendemos nos dias de hoje.

Segundo o professor e pesquisador, José Motta Filho, as instituições de ensino deverão preparar os seus alunos para esse mundo incrivelmente diferente. “Isso só será possível quando a educação ‘virar a chave’ a fim de atender às demandas do século 21 e, então, aproveitar o melhor dos dois mundos para uma educação de vanguarda: seres humanos ativos e inspiradores e tecnologias educacionais emergentes”.

Afinal, o que é Educação 5.0?

A Educação 5.0 é uma nova proposta educacional que tem como principal objetivo, unir, não somente a aplicabilidade das tecnologias na sala de aula como preparação para o mercado de trabalho, mas também valorizar o bem-estar do indivíduo, ressaltando suas habilidades cognitivas e contribuindo para sua consciência socioambiental.

Para Motta, a revolução tecnológica, que mudou a forma de comunicação e relação entre os seres humanos, criou um ambiente que é bastante natural e favorável às crianças e adolescentes de hoje.

“Essa revolução não trouxe apenas novos equipamentos para as salas de aula físicas ou virtuais, ela trouxe também um enorme acesso à abundância de informações que estão disponíveis nas mais variadas mídias e canais, favorecendo a curiosidade, despertando a exploração e a pesquisa, bem como, a autonomia digital dessas gerações”.

Segundo ele, na Educação 5.0 a tecnologia ganha espaço com “a inteligência artificial, a linguagem computacional, a realidade virtual e aumentada, o big data analytics para a criação de ensino personalizado, a criação de makerspaces como laboratórios de experimentação, as soluções de ensino inovadoras que privilegiem as metodologias ativas de aprendizagem e o processo de learning by doing – o aprender fazendo”.

O professor, que também é co-fundador da MoonShot Educação, conta que “tudo isso é totalmente convergente ao pensamento dos screenagers, termo usado para descrever o ato de preferir ler, interagir com pessoas e com o mundo, utilizando-se de muitos aparatos tecnológicos, o qual é completamente diferente de paradigmas de gerações anteriores”.

Quais são os pilares da Educação 5.0?

Baseado na descrição do executivo de relações governamentais da IBM América Latina, Fábio Rua, existem alguns pontos essenciais para a funcionalidade da Educação 5.0, tornando-a moderna, inclusiva, humana e digital. Aqui, vamos dividir em pilares, tais como:

  • Metodologias ativas;
  • Ensino híbrido;
  • Educação individualizada;
  • Intercâmbio educacional.

“A gente não pode deixar de incentivar o intercâmbio de professores e alunos do mundo todo. A multiculturalidade é a melhor maneira de formar cidadãos abertos, tolerantes, criativos, bem resolvidos e, sim, geniais, extremamente inteligentes e prontos para competir nesse mundo desigual e injusto que a gente vive hoje”, diz ele em seu canal no Youtube. Ainda podemos acrescentar a esses pilares, as competências socioemocionais, ou soft skills, que falamos anteriormente e que são necessárias para ser relevante no século 21.

De acordo com o professor José Motta, sabe-se que essas competências não são novidades. “Elas fazem parte de características já valorizadas em muitas décadas anteriores ao terceiro milênio. A grande questão reside no fato de que, atualmente, a habilidade de se pensar antes de agir, de considerar diversas perspectivas ao analisar novos problemas, e até de relacionar-se de maneira adequada e eficaz com os outros, são bem mais que especificidades de pessoas acima da média, são competências e atitudes necessárias para todos os seres humanos. Disso depende o nosso sucesso, a nossa felicidade e futuro da nossa sociedade”.

A origem do termo

Antes de falarmos sobre a Educação 5.0, precisamos entender a Sociedade 5.0, também chamada de Super Smart Society ou Sociedade Criativa, a qual substituirá a Sociedade 4,0 ou Sociedade da Informação.

José Motta explica que a Sociedade 5.0 propõe um sistema socioeconômico sustentável e altamente inclusivo, movido por tecnologias digitais disruptivas, tais como: Inteligência Artificial, Big Data Analytics, IoT (Internet das Coisas) e Robótica Aplicada. “Essa ‘nova sociedade’, defendida como já existente desde 2010 por especialistas do Tokyo University Lab, procura integrar o melhor de dois mundos: o humano e o digital”.

O professor e pesquisador prevê que a transição da Sociedade 4.0 para a 5.0 será uma transformação completa em nosso estilo de vida. “Nesse novo paradigma, incontáveis produtos e serviços serão disponibilizados às pessoas de maneira adaptada e personalizada às suas preferências e necessidades. Veículos autônomos e drones entregarão bens e serviços para populações que vivem em áreas remotas”.

“As pessoas poderão facilmente escolher a cor, o tamanho, o tipo de tecido das suas roupas, calçados e acessórios, talvez fabricadas em impressoras 3D, com entregas saindo direto do local de fabricação para a casa do consumidor final, utilizando-se de um sistema de logística amplamente automatizada e transporte ágil”, exemplifica.

E completa: “Médicos de várias especialidades poderão atender aos seus pacientes, a partir de qualquer lugar por meio dos seus tablets ou smartphones, enquanto um pequeno robô limpa o piso ou aspira o pó do chão da casa ou do consultório, no instante em que a geladeira envia os dados sobre o ‘estoque de alimentos’ em seu interior. Nas fazendas afastadas dos grandes centros, os tratores autônomos trabalharão nos campos enquanto os fazendeiros participam de uma videoconferência com outros profissionais de uma equipe multidisciplinar de especialistas no mesmo tipo de plantio para que possam aprender e fazer mais”.

O Brasil está acompanhando essa evolução?

Como vimos, na Sociedade 5.0 teremos serviços médicos remotos, tradução automática que remove barreiras linguísticas, Inteligência Artificial e robôs de apoio a idosos ou pessoas com deficiência. A tecnologia de condução autônoma que auxilia motoristas idosos e acesso em tempo real às informações necessárias devem eliminar problemas decorrentes de disparidades sociais.

Hoje, nos Estados Unidos, estudantes universitários selecionam livremente matérias que querem estudar em seus anos de calouro e segundo ano. Até o primeiro semestre do primeiro ano, eles decidem sobre seus assuntos de maior e menor interesse, e restringem as matérias para estudo básico em áreas especializadas de acordo com suas futuras aspirações profissionais, aptidão e competência.

A sociedade 5.0 é uma sociedade super inteligente, onde tecnologias como big data, Internet das Coisas, inteligência artificial e robôs se fundem em todas as indústrias e em todos os segmentos sociais. A esperança é que essa revolução da informação seja capaz de resolver problemas atualmente impossíveis, tornando a vida cotidiana mais confortável e sustentável.

Atualmente no Brasil, como em muitos países do mundo, os estudantes que fazem vestibulares são divididos em dois grupos: aqueles que estudam ciências humanas e sociais, e aqueles que estudam ciências e matemática. A escolha é um ou outro. No entanto, em um mundo onde a tecnologia está integrada em quase todas as partes da sociedade, essa abordagem logo não será mais prática.

No futuro, devemos ver um sistema educacional no qual assuntos como matemática, ciência de dados e programação são requisitos básicos, assim como assuntos como filosofia e linguagens.

Quem são os alunos 5.0?

Segundo Motta, é possível encontrar em muitos artigos e outras referências que há dez anos começaram a nascer os indivíduos da Geração Alpha e que fazem parte dessa Super Smart Society.

Os primeiros ‘Geração Alpha’ já estão no 3º Ano do Ensino Fundamental I e possuem um perfil muito diferente e curioso de lidar com as coisas do mundo. Pertencem a um mundo extremamente conectado e tecnológico desde os primeiros meses de vida”, cita ele.

De acordo com o professor e pesquisador, diante desse cenário e com um olhar atento para o mundo escolar, é preciso entender o que nos traz a Educação 5.0. “O termo pode parecer estranho, mas o fato é que ele apresenta uma realidade que, a cada dia, será cada vez mais comum em sala de aula”, ressalta.

“Eles são multitarefas, gostam de experiências personalizadas, leituras não lineares e preferem imagens sobre palavras. Memória é coisa para disco rígido de um computador. Se precisam de informações, vão ao Google”, afirma.

Na observação de Motta, essa geração digital possui grande afinidade com ambientes repletos de sensores, plataformas e aplicativos que permitam respostas rápidas, elogios e recompensas frequentes. “Frequentemente, usam dispositivos digitais para evitar dissabores ou comprometimentos. Vivem no agora e tudo deve acontecer de maneira instantânea. Seus cérebros estão no modo ‘sempre alerta’ para múltiplos canais de informação, embora a atenção e a compreensão possam ser consideradas superficiais”, diz.

O professor cita que eles também querem velocidade e esperam que as coisas aconteçam rapidamente e, como resultado, quase não têm paciência. “Falar dessa geração é reforçar as características de pessoas que nasceram e estão crescendo em uma cultura de internet, em um ambiente orientado para a multimídia e suas infinitas possibilidades”.

“Além disso, essa nova sociedade criativa que busca transformar informação em conhecimento, conectada 24 horas por dia, dá voz e permite a qualquer indivíduo com um smartphone na mão, opinar e manifestar suas ideias sobre os mais variados assuntos e conteúdos”, conclui.

Conhece algum aluno assim na sua escola? Falando nela, sua instituição está preparada para a Educação 5.0?

Leia também:

Guia da Educação 4.0: O que é e o que esperar dela?

Guia da Educação 4.0: Quem são os alunos 4.0?

Planejando a recuperação financeira escolar

Retomar o ritmo financeiro saudável no novo normal envolve muito mais que reabrir os portões e fazer a matrícula de alunos; confira dicas

A pandemia do novo coronavírus tem impactado a educação no mundo todo, principalmente no Brasil que se encontra no grupo de países com mais tempo de escolas fechadas desde o início da pandemia, segundo relatório da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Muitos pais acabaram tirando seus filhos das escolas assim que o ensino remoto foi implantado. Ao mesmo tempo, muitas famílias tornaram-se inadimplentes desde o início do isolamento social. O embate das mensalidades é, sem dúvida, um grande desafio das escolas particulares atualmente. Planejar a recuperação financeira escolar é desafiador.

De acordo com Mauro Antonio Cunico, gerente comercial da Edusoft Tecnologia, que fornece soluções para instituições de ensino de todo o Brasil, “a partir do momento em que os pais permaneceram em casa, e as escolas permaneceram fechadas, muitos optaram por cancelar as matrículas de seus filhos, gerando grande impacto financeiro nas instituições de ensino”.

Vale lembrar que nossa legislação obriga a matrícula de crianças a partir de quatro anos de idade, o que afetou ainda mais fortemente o setor da educação infantil. “Menores de quatro anos em sua maioria estão nas escolas por conta das atividades profissionais dos pais”, analisa Mauro.

Cancelamento de matrículas

À medida que muitos pais perderam seus empregos, consequentemente não conseguiram cumprir com suas obrigações financeiras junto à escola e não tiveram outra opção senão cancelar a matrícula de seus filhos, independentemente do nível de ensino.

“O impacto financeiro nas instituições de ensino foi muito significativo, culminando inclusive com o encerramento da atividade de muitas”, observa o representante da Edusoft.

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, 12 mil alunos trocaram a escola particular pela pública, entre janeiro e agosto de 2020, no estado. Entre as principais causas estão a incerteza econômica provocada pela quarentena, além do aumento do desemprego. Dessa forma, o contexto econômico das escolas particulares é muito incerto.

4 dicas para vencer os desafios financeiros causados pela pandemia

Não perder os alunos atuais e captar novos alunos é o grande desafio do momento. “O foco deve estar no crescimento. Como a tendência é que a renda familiar diminua, as escolas precisam estar preparadas para um cenário financeiro mais acirrado.”

São vários os pontos a se considerar para que o futuro da instituição não seja comprometido, inclusive a guerra de preços com concorrentes. Traçar um plano estratégico para aplicação direta com os clientes é fundamental. Por isso, separamos 4 dicas que podem ser um norte ao gestor escolar nesta tratativa direta com os pais:

1 – Embate das mensalidades: busque acordo

Desde que a educação a distância começou a ser ofertada pelas escolas particulares, os pais passaram a questionar a cobrança da mensalidade integral. O raciocínio das famílias parte do princípio que os cursos típicos de EAD possuem custos inferiores aos cursos presenciais que exigem a manutenção de toda uma infraestrutura para serem oferecidos.

Uma vez que as escolas estão fechadas, os pais deduzem que houve uma redução dos gastos da instituição de ensino, como contas de água, luz e telefone. Por outro lado, as escolas precisaram manter os salários dos professores e funcionários, assim como outras despesas fixas, como aluguel. Isso sem contar os gastos com novos equipamentos e softwares de ensino remoto.

Daí o embate em relação à cobrança das mensalidades. Visando solucionar essa questão, uma nota técnica da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, ressalta que as instituições de ensino não foram responsáveis por seu fechamento, pedindo bom senso para a negociação de descontos ou reduções nas mensalidades.

Para os pais com dificuldade em honrar as mensalidades do ano letivo de 2020 cabe um bom processo de negociação”, diz Mauro. Segundo ele, isso permitirá manter os filhos matriculados para o ano letivo de 2021 e garantirá o recebimento das mensalidades de forma mais rápida (a judicialização da cobrança sempre é morosa e “pega mal”, especialmente diante do atual cenário).

Vale lembrar que o acordo entre escola e pais é sempre a melhor saída para os embates de mensalidade. O momento requer mais do que nunca que as relações de consumo sejam negociadas e pautadas nos pilares da boa-fé, da transparência e do bom senso, pois, ambos os lados estão sendo afetados diante desta situação inusitada.

2 – Ações para evitar a inadimplência

Diante de um cenário de incertezas, inclusive sobre a retomada das aulas presenciais, é importante que a escola demonstre o seu valor para que as famílias priorizem ou até mesmo antecipem os pagamentos das mensalidades escolares.

De acordo com o gerente comercial da Edusoft, um bom processo comercial de captação de alunos também ajudará. “Promoções conjuntas com empresas próximas a sua escola, descontos para pagamentos com pontualidade ou para planos de recorrência podem ajudar a captar novos alunos aumentando assim a receita de 2021”.

Uma estratégia interessante é oferecer descontos e vantagens para quem pagar de forma antecipada, o também chamado “desconto fidelidade”. Isso pode incentivar as famílias a antecipar os pagamentos, evitando assim a inadimplência. Outra forma de convencer os pais é oferecer o cashback, tão em voga atualmente.

A palavra cashback (originária do inglês, que significa “dinheiro de volta”), prevê devolver parte do dinheiro ao consumidor em compras de produtos. No caso da escola, o dinheiro retornado aos pais pode ser utilizado na compra de uniforme ou material escolar, por exemplo.

3 – Fortaleça a comunicação com pais e alunos

A comunicação mais efetiva com as famílias gera um impacto positivo em toda comunidade, permitindo que a escola saia deste evento mais forte e competitiva.

Vale ressaltar que a concorrência com outras instituições pela aquisição de alunos deverá ser ainda mais acirrada para 2021. Muitas escolas poderão optar em baixar as mensalidades para garantir que não haja evasão escolar e que novos alunos se matriculem para o próximo ano letivo.

Brigar por preço num período em que as finanças já se encontram comprometidas é desafiador, porém, a escola poderá optar em valorizar ainda mais os seus diferenciais e assim convencer os pais de que é a melhor opção, sendo o melhor custo-benefício para os alunos. Uma das maneiras de se fazer isso é mantendo uma comunicação estreita e transparente com pais e alunos.

4 – Redução de custos para evitar aumento das mensalidades

Com um ano tão complicado como 2020, manter a saúde financeira da instituição é um grande desafio. Para Mauro, o momento exige austeridade financeira. “Infelizmente repassar essa despesa para os pais não parece ser a melhor forma, ao menos nesse momento”, ressalta ele.

Para o gerente comercial, um olhar cuidadoso para “dentro de casa” pode oferecer boas alternativas para buscar esse equilíbrio, reduzindo custos e garantindo a manutenção de receita, mantendo-se competitivo no mercado.

“Assim como a pandemia nos empurrou para a realização de aulas on-line, os demais processos da instituição devem ser revistos”, sinaliza.

Entre as medidas, ele cita alguns exemplos do que pode ser feito pela escola:

  • Automatização de processos de secretaria e financeiro, reduzindo processos manuais, de operação e infraestrutura;
  • Matrícula e rematrícula com assinatura digital de contrato, evitando custos com impressão e correios;
  • Melhores negociações de taxas bancárias, reduzindo os custos mensais com boletos;
  • Renegociação de valores com fornecedores;
  • Oferta de pagamento de mensalidades de forma recorrente no cartão de crédito, reduzindo a inadimplência;
  • Automatização de cobrança de inadimplência após 90 dias do vencimento, reduzindo o impacto de caixa com altos índices de inadimplência;
  • Aumento da captação de alunos, mantendo um comercial proativo na instituição;
  • Comunicação mais efetiva e transparente com as famílias, de fácil acesso e gerenciável através de aplicativo isso garante a satisfação dos pais aumentando a credibilidade da escola. Gera valor automaticamente e aumenta o vínculo com a escola;
  • Disponibilizar o máximo de informações e serviços aos pais através de um portal ou aplicativo, permitindo que ele tenha acesso às consultas, documentos e possa fazer solicitações à escola a qualquer momento. Desta forma reduz atividades internas e deixa o atendimento mais ágil.

Saiba mais

A Edusoft é uma empresa de soluções para instituições de ensino que atende desde a educação infantil à universidade e conta com mais de 35 anos de mercado. Entre seus produtos está o sistema de gestão escolar totalmente integrado ao aplicativo IsCool App, tornando mais segura, prática e efetiva o input de informações do dia a dia da instituição escolar. Conheça mais sobre a empresa e seus produtos clicando aqui.

4 funcionalidades essenciais do app escolar para o Ensino Híbrido

A comunicação sem ruídos continua sendo essencial na retomada gradual das aulas presenciais; conheça as ferramentas do aplicativo escolar que os colégios podem lançar mão para garantir uma dinâmica eficaz no contato com alunos e famílias

Se durante o período de aulas remotas a comunicação foi essencial para organização e fluidez da nova realidade, nesta retomada gradual das aulas presenciais a atenção para este item deve ser redobrada.

O ensino híbrido – modelo adotado pela maioria dos colégios e que mescla atividades presenciais e on-line – exige alinhamentos e combinados ainda mais pontuais com alunos e famílias para garantir uma aprendizagem eficaz. 

Já falamos aqui no Blog do IsCool App sobre o ensino Híbrido e como ele vai além de uma questão simplista envolvendo o cenário (presencial ou on-line). Como ele exige uma mudança de mindset de colégios e um tempo maior de absorção por parte do público por conta da quebra de paradigmas, nesse momento, é preciso afinar o discurso e promover uma comunicação assertiva.

Entretanto, não podemos esquecer que, além das peculiaridades exigidas pelo Ensino Híbrido, ainda estamos em meio a uma pandemia e a necessidade do cumprimento de protocolos de segurança.

Os colégios que já possuem app de comunicação escolar e um estilo próprio de engajar o público por meios digitais estão um passo a frente na direção do sucesso dessa nova realidade. Mas para tornar a comunicação ainda mais certeira diante da dupla “Ensino Híbrido + protocolos de segurança”, apresentamos algumas funcionalidades essenciais que seu app escolar deve oferecer. Confira:

1 – Canal de atendimento segmentado

Para agilizar e organizar a troca de informações, a segmentação é fundamental para os atendimentos via app escolar. Disponíveis a alguns cliques do usuário podem estar canais diretos com a secretaria, o setor financeiro e a coordenação. É possível, por exemplo, criar um canal especialmente para que os pais tirem dúvida quanto às novas regras do ensino híbrido no colégio.

E para tornar esse fluxo ainda mais fluido, o colégio pode lançar mão de configurações importantes, como envio de resposta automática e delimitação de horário para recebimento de mensagens por parte da equipe – sem limitar o pai no envio de textos.

No IsCool App, por exemplo, o pai que tenta contatar um setor fora do horário pré-estabelecido pelo colégio consegue enviar a mensagem normalmente e até recebe uma resposta automática com texto configurado pela escola, dessa forma, o responsável fica tranquilo e a equipe pode dar andamento à solicitação no horário em que o canal estiver habilitado para uso. “É uma inovação importante que oferecemos aos nossos clientes para atender às necessidades do home office”, explica Tálita Barão, gerente de produto e relacionamento do aplicativo.

2 – Módulo Chegando

Com as aglomerações totalmente proibidas, é preciso cuidar para que as distâncias mínimas de segurança sejam mantidas. Momentos como o da saída de alunos exigem uma coordenação, por isso a função de geolocalização dos aplicativos escolares tem papel importante.

Mesmo que com número reduzido de alunos, a opção de ter um sistema que avisa quando o pai está chegando para buscar o filho faz a diferença. Garantia de segurança, menos trânsito, redução no tempo de espera e agilidade para pais e colaboradores.

3 – Lição de casa

Nem todos os alunos voltam para as aulas presenciais, o que mantém o fluxo de atividades remotas ainda alto. O módulo exclusivo de lição de casa separa o que é atividade do que é comunicado, tornando a visualização das informações mais fácil de assimilar.

Para o professor há ainda a possibilidade de enviar diferentes atividades para diferentes alunos, de maneira personalizada de acordo com a dinâmica da aula. Ou, se preferir, também pode enviar as lições de uma vez para a classe toda. Os alunos, por sua vez, podem receber e entregar as tarefas e atividades pelo próprio app ou pela web, enviando arquivos, imagens das tarefas realizadas, além da conveniência de visualizá-las por ordem cronológica.

O colégio ainda pode monitorar e auditar data e horário de envio das atividades, garantindo o acesso a todos os alunos.

4 – Assinatura de documentos pelo celular

Por fim, e não menos importante, está o módulo de matrícula com assinatura digital, que agiliza o processo de renovação de contrato de maneira totalmente segura e prática.

Além de facilitar para os pais, que levam poucos minutos e alguns cliques para finalizar a ação, a funcionalidade se torna essencial para a equipe do colégio, atualmente mais enxuta e com carga de trabalho bastante puxada por conta da pandemia.

No IsCool App, por exemplo, isso acontece porque a geração dos contratos fica a cargo da equipe do aplicativo. “Esse serviço é um diferencial no mercado e está presente desde que lançamos o módulo, há mais de 3 anos. Mesmo antes do contexto atual, oferecer a funcionalidade associada a um serviço sempre foi nosso ponto forte”, resume Tálita.

Aqui no Blog do IsCool App já explicamos o módulo e suas vantagens. Inclusive, já explicamos como ele é diferente de um simples aceite, garantindo segurança jurídica ao processo.

Indispensável

O aplicativo de comunicação escolar continua sendo indispensável para transpor outra barreira, a do distanciamento físico e das consequências psicológicas de todos os envolvidos. Com parte dos alunos ainda em casa por uma decisão dos pais – e sem previsão de retornar à sala de aula -, é preciso que professores mantenham o engajamento e o cuidado para que se sintam acolhidos da mesma forma que os alunos que estão retornando fisicamente.

Pelo aplicativo, é possível manter a sinergia criada durante o período de suspensão total das aulas, envolvendo os alunos e, principalmente, os pais. Boletins, circulares, notas, fotos, entre outros itens de divulgação são essenciais para que ambas famílias se sintam seguras com suas decisões (de enviar ou não o filho para a escola novamente). É preciso haver uma constância para que todos tenham o acolhimento devido.

Outras funcionalidades também são de grande valia para se lançar mão neste momento, como as enquetes, que podem ser utilizadas para buscar a opinião dos pais quanto ao planejamento pedagógico de 2021, o calendário, que mantém os compromissos da turma – mesmo que on-line – atualizados na agenda dos pais, e o módulo de compromissos, com agendamento direto das famílias com os professores e coordenadores a fim de orientações específicas e feedback do rendimento do aluno.

A reta final do ano letivo pede, ainda, novas ações e uma dose extra de criatividade, ainda mais em um ano tão conturbado e que merece, mais do que nunca, celebrações de encerramento. A dica é, portanto, tornar mais leve essa fase de transição propondo interação entre todas as partes, como os próprios eventos on-line, que devem ser mantidos na nova modalidade de ensino híbrido.

Assim, com tantas possibilidades de ferramentas, é possível reforçar ainda mais a relação de confiança entre o colégio, os alunos e suas famílias, como uma verdadeira comunidade escolar deve ser.

2020: um ano para valorizar os professores

Em meio a uma pandemia global, os professores se tornaram ainda mais vitais; em homenagem a este profissional que tanto amamos, buscamos o depoimento emocionante de alguns docentes queridos para saber como tirar o melhor proveito de uma situação difícil como a qual estamos todos lidando

Neste dia 15 de outubro de 2020, as comemorações do dia dos professores terão um significado ainda mais especial. Afinal, os docentes têm trabalhado ao máximo para ajudar os alunos a se ajustarem ao ensino a distância desde que a quarentena do Covid-19 começou, em março desse ano.

De lá para cá, são eles que sentem a pressão diária, trabalhando horas para criar lições do zero e redesenhar os conteúdos para um ambiente on-line. Muitos, ao mesmo tempo em que, como pais, se descobriram tentando conciliar o trabalho em casa com a ajuda às crianças no aprendizado à distância.

Não é à toa que memes rapidamente começaram a circular na internet com os pais destacando como os educadores deveriam receber mais.

Como parte desse coro em prol aos mestres de norte a sul do país, nós do Blog do IsCool App decidimos prestar uma pequena homenagem pedindo que 4 deles (todos usuários IsCool App) contassem um pouco mais sobre suas missões e, claro, sobre como têm se destacado nessa nova realidade do professor: youtuber, editor de vídeos, influencer… 

E apesar das dificuldades relacionadas ao trabalho neste ano, todos eles parecem mais preocupados com seus alunos do que com eles próprios. Será o segredo? Confira:

Lacuna de conquistas

“Infelizmente, por mais que a gente tenha realizado nosso trabalho, alguns alunos vão apresentar lacunas em relação à aprendizagem”, disse Renata Castilho de Almeida Reis, 44 anos, professora no Colégio Anglo Morumbi, em São Paulo-SP. “Mas, vamos correr atrás assim que terminar essa pandemia e atender às necessidades de todos”.

Renata, que começou a trabalhar aos 17 anos como auxiliar de sala numa escola infantil, disse que um dos pontos positivos da pandemia é que agora o professor foi valorizado. A gratidão das famílias, disse ela, é fundamental.

Para ela, ser professor é uma profissão que exige muito esforço, muito preparo e comprometimento. “Nós não paramos, nós temos medo de errar, mas nada que paralise. Somos como os médicos, também não paramos de estudar. A educação sempre se renova. Eu até hoje estudo, termino uma pós, faço outra. O processo de aquisição da leitura e da escrita já mudou tanto! É um trabalho muito extenso e muito gratificante também”.

A alfabetizadora conta que todos os anos recebe famílias ansiosas com o processo de alfabetização dos alunos. “Imagine com a pandemia? Logo no início, as famílias já me cobravam uma resposta de como seria. Além de todos os diálogos, a minha maior preocupação foi acolher as famílias também. Comecei a propor a participação das mães nas aulas para tranquilizá-las”, conta.

Eu trouxe essas famílias para perto e deu certo. Criamos um vínculo muito forte! Até hoje elas participam de minhas aulas”. Segundo Renata, ainda assim não é a mesma coisa que uma aula presencial. “Tem momentos que a gente sai frustrada da aula on-line, daí eu corro para o aplicativo, envio um link, mudo a estratégia e faço acontecer”.

Rompendo a monotonia

O professor de biologia Jodir Pereira da Silva, de 51 anos, ecoou essa preocupação em relação às aulas on-line, observando que mais recentemente, está sendo difícil motivar os alunos a abrirem suas câmeras, a interagirem.

“Isso é muito difícil para nós. Sempre digo que, em muitos momentos das aulas, não estou bem certo de quem está ensinando e de quem está aprendendo. Essa troca é fundamental, e a distância não permite que seja igual ao presencial. Não conseguir perceber as reações dos alunos (positivas e negativas) que nos ajudam a balizar as atividades de aula, é uma perda muito importante”, lamenta.

Mesmo assim, os professores estão encontrando maneiras de romper a monotonia das salas de aula virtuais. Com 29 anos de profissão, Jodir, que leciona no Colégio Progresso, em Campinas-SP, acredita que momentos de descontração são importantes diante dessa situação.

Às vezes, o professor utiliza recursos de microscopia (mostrando estruturas de folhas que pega no seu jardim, ou lâminas de coleções que possui). “Uso fotos que faço (inclusive em casa, durante a pandemia), mas sempre procuro manter o bom humor com os alunos”, ressalta.

Quando teve ameaça de nevar em São Paulo, em agosto desse ano, Jodir deixou a câmera fechada nas saudações de bom dia e, quando abriu, estava vestido com óculos espelhados, touca de lã e cachecol. “Os alunos morreram de rir. Eu disse que estava preparado para a chegada da neve e que minhas câmeras estavam preparadas, caso algum pinguim surgisse na porta de casa”, conta.

A pandemia, como ilustrei aqui trouxe muitas outras possibilidades. Houve perdas irreparáveis, é verdade. Mas do ponto de vista educacional, estamos aprendendo muito”, disse o professor.

Na sua opinião, é fundamental dominar as novas tecnologias educacionais. “Arrisco dizer que quem não se reinventar, terá dificuldades no mercado profissional”, finaliza.

Evoluir e inovar sempre

Denise Maria Possobom, 50 anos e professora de inglês no Colégio Moraes, em Americana-SP, disse que obter a atenção dos alunos e desenvolver uma aula prazerosa, é ainda a maior dificuldade nesses tempos de pandemia.

“A pandemia nos trouxe os desafios da tecnologia e da inovação e, apesar de as dificuldades encontradas para assimilar as plataformas e a tecnologia em si, foi um ganho maravilhoso”, disse Denise, que leciona há 29 anos.

“Deu a nós professores a possibilidade de mostrar o quanto somos capazes de evoluir e inovar sempre. Conhecimento para o resto da vida”, disse Denise que é conhecida como “teacher” pelos alunos.

O que mais me move é a paixão por ensinar e os desafios que a profissão traz. A possibilidade de trabalhar com faixas etárias diferentes, me traz novos desafios a cada dia e aprendizado também. Nunca uma aula é igual à outra, mesmo sendo em turmas do mesmo nível”, comenta.

Segundo ela, o papel do professor é o daquele que aprende sempre e estuda sempre também. “É o motivador, o mediador e o condutor do conhecimento. Porém, tudo deve estar centrado no aprendizado do aluno”.

Ela espera que depois disso tudo que vivemos, o professor seja mais valorizado e que no futuro, mais pessoas possam ser tocadas pelo desejo de se tornarem professores. “Espero que entendam que sem professor não conseguimos ter conhecimento em área alguma e que a valorização do professor venha pela importância que ele tem, em todos os segmentos”.

Novo vírus, problemas antigos

Mesmo antes dos desafios deste ano, a maioria das pessoas tinha apenas uma vaga ideia dos problemas que os educadores enfrentam. Com a maior exposição dos professores nas casas das famílias, foi possível perceber como a rotina de um professor pode ser desafiadora.

“Acredito que a educação on-line era uma realidade que se aproximava, já que nossos alunos são nativos digitais. No entanto, precisamos aprender como fazê-la na correria. Improvisando, experimentando. Um pouco, às cegas. Foi uma reinvenção forçada, mas inevitável”, disse Gabriele Sanches, que ensina Português e Redação no Colégio Progresso, em Campinas-SP.

Ela disse que talvez a educação precisasse desse susto para se refazer. “Agora, acho que vivemos um momento contraditório, pois ainda tentamos ‘encaixar’ o tradicional no virtual. Precisamos, mesmo, de um olhar novo sobre o currículo e os sistemas didáticos e assim tornar o modelo de ensino on-line mais adequado às novas gerações”.

Gabriele disse ao blog do IsCool App que ela nunca tinha falado antes para as câmeras. Ela disse que seu trabalho, até então coletivo, colaborativo, barulhento, tornou-se muito silencioso e solitário.

Digo que precisei reaprender a fazer o que já sabia. Atualizei minhas aulas e passei a usar outra linguagem, outras ferramentas, para manter a qualidade do meu trabalho”, disse Gabriele que leciona desde 2011.

Para ela, o professor é o mediador da relação entre o conhecimento e a mente em formação. Ele tem a obrigação de identificar as melhores estratégias para atingir cada um de seus alunos com conhecimentos e referências de mundo.

“O professor, muitas vezes, complementa a educação que vem de casa. O professor acolhe, mas, sobretudo, o professor dá ferramentas objetivas e subjetivas para seus alunos serem aquilo que desejarem ser. Tanto no âmbito acadêmico, quanto nas vivências gerais”, ressalta.

Segundo a professora, o futuro do professor é ser um mediador hibrido. “Ele falará com seus alunos on-line, mas não deixará de estar na escola, com as mãos sujas de giz. Ele deverá se adaptar e conversar com as tecnologias, enquanto se mantém especialista em uma boa aula tradicional”, disse.

O bom professor, de acordo com Gabriele, está disposto oferecer a melhor aula, em qualquer contexto. “No futuro, o bom professor terá conteúdo, propriedade e muita atualização”.

Acredito que um dos maiores desafios é a construção de um relacionamento produtivo entre a escola e a família, na qual, pais e professores sejam coautores dos processos de aprendizagem”, conclui ela.

Coronavírus: O que é o modelo híbrido de aprendizagem e como ele pode ajudar no retorno às aulas presenciais?

O Ensino Híbrido tem sido visto como solução durante o período de pandemia, mas envolve uma verdadeira mudança de mindset; confira a opinião do especialista sobre assunto e veja o exemplo de sucesso da Escola Evangélica Betel, de Manaus, que já abriu as portas para seus alunos

Mesmo quem não sabe o significado exato do Ensino Híbrido, imagina que é o que acontecerá no retorno às aulas presenciais durante a pandemia do Covid-19: uma mistura de ensino presencial com ensino remoto.

Se levarmos em conta a experiência da Escola Evangélica Betel, de Manaus/AM, isso se torna possível de acontecer nos demais estados do Brasil a partir do momento em que abrirem novamente as salas de aula para seus professores e alunos.

De acordo com a diretora pedagógica do colégio, Helen Aguiar, a pandemia acelerou o processo de implementação do ensino híbrido. “Nós percebemos que houve a melhora do rendimento escolar dos alunos a partir do retorno do ensino presencial”, conta a gestora.

Preparação para a retomada

A escola, que utiliza o IsCool App há 3 anos, retornou com o ensino presencial na primeira semana de julho de 2020, quando o estado do Amazonas autorizou a reabertura.

Segundo ela, atualmente a escola corre para nivelar o conhecimento dos alunos e cumprir o ano letivo com sucesso. “Monitoramos semanalmente a saúde de todos e, qualquer caso suspeito, devemos informar às autoridades. Até hoje, não houve contaminação e estamos reafirmando todos os processos para que isso não venha ocorrer”, esclarece.

Helen conta que a escola hoje tem 1.070 alunos. “Iniciamos o ano de 2020 com 1.200 alunos. Tivemos essas perdas durante o período da pandemia, mais fortemente na educação infantil, por conta de motivos financeiros ou porque as famílias acharam que não estava atendendo ao contrato”, diz.

Saldo positivo

O início do retorno, de acordo com a diretora, foi bem temeroso por parte das famílias. “Ainda estavam inseguros, mesmo a escola sendo rigorosa em protocolos de saúde. Então optamos pelo retorno com rodízio de 50% semanal. Hoje eles se sentem mais seguros, tanto que o número de presentes na primeira semana era de 20% e hoje é de 50%, o máximo permitido”, detalha.

As aulas na capital do Amazonas foram suspensas em 17 de março de 2020, com o decreto do governo pedindo o distanciamento social. O colégio Betel passou então a utilizar o Ensino a Distância (EAD), através de plataformas de ensino já utilizada por eles.

“Nós usamos aulas síncronas e assíncronas, encontros semanais pelo Google Meeting e aulas enviadas pelo Google Classroom, além do envio de atividades impressas e pela plataforma”, explica. Apesar de a escola estar preparada para o ensino remoto, a diretora acredita que as famílias não estavam. “A adaptação foi mais difícil para a família, mas hoje estão um pouco mais adaptados”, diz.

Também houve bastante queda na participação e rendimento dos alunos durante o período de isolamento social, segundo ela. “Muitos alunos relataram desmotivação, não queriam participar porque achavam chato, entre outros motivos”.

Comunicação sem ruído

A escola Betel, além de já estar preparada em termos de equipamento e internet, também diz ter obtido a eficácia necessária na comunicação com o uso do aplicativo de comunicação IsCoolApp antes mesmo da pandemia. “Como já utilizamos o IsCoolApp, não tivemos ruído de comunicação com os pais, pois eles estavam acostumados”.

Essa comunicação foi, inclusive, fundamental para o plano de ação de retorno às aulas presenciais. “Fizemos um plano de ação, com consultorias externas na área de educação e saúde para alinhar as práticas, principalmente em relação aos protocolos de segurança”, explica Helen.

De acordo com ela, a escola fez uma pesquisa em relação aos pais sobre o desejo de retornar ou não às aulas presenciais. “74% ficou a favor do retorno, mas ainda assim havia aqueles se sentindo inseguros. Diante disso, a escola optou por voltar a aula presencial, porém mantendo o ensino remoto para aqueles que preferiram ficar em casa”, ressalta.

Para a diretora, o aprendizado dessa experiência toda é que pessoas precisam de pessoas. “A educação é a base da nossa sociedade, é muito mais importante estarmos juntos, do que passar apenas conteúdo para eles. Esperamos que em 2021, não estejamos mais sofrendo pela questão do Covid”, finaliza.

O que é Ensino Híbrido?

Alguns especialistas falam apenas de uma mistura entre o ensino presencial e on-line. O fato é que existem muitas definições para o Ensino Híbrido, segundo Leandro Holanda, coautor do livro “Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação“.

“Defendo muito o ensino híbrido que fala de uma integração, como eu integro em sala de aula as atividades que são feitas presencialmente com as atividades on-line, como vou ajudar na personalização do processo, para que o estudante possa controlar de alguma forma o tempo e o ritmo no qual ele aprende”, diz Leandro, antecipando que essa definição é apoiada pelo pesquisador norte-americano Clayton Christensen, que inspirou sua obra.

Essa definição nasce de práticas das escolas inovadoras, pela observação, “Visitando escolas é que se chegou a essa definição e aos modelos de ensino híbrido, como sala de aula invertida, a rotação por estações ou mesmo a rotação individual”, acrescenta.

Para ele, a pandemia trouxe o assunto mais à tona, mas de maneira equivocada. “As pessoas estão relacionando educação remota com o ensino híbrido, mas poucas escolas estão fazendo ensino híbrido de verdade”, alerta.

De acordo com o especialista, muitas escolas estão preocupadas em sobrepor os momentos em que parte dos alunos estará em casa, enquanto outra parte estará na escola.

“Algumas escolas comentam que vão gravar as aulas, ou seja, as mesmas aulas que serão assistidas pelos alunos presenciais, serão vistas por quem ficou em casa. Perde-se aí muito essa possibilidade de integrar”.

E completa: “O grupo que poderia ter explorado algo on-line, poderia estar fazendo algo em casa e vice-versa. Algumas escolas estão avançando, mas há muito que avançar. No começo da pandemia não teve a oportunidade, mas agora terá tempo para se fazer essa análise, olhando e se inspirando no ensino híbrido”.

Risco de superficialização

O principal risco, segundo Leandro Holanda, é a superficializaçãodos processos do Ensino Híbrido, principalmente aqueles movidos a muita tecnologia, que não aprofundam no conhecimento.

Algumas escolas acham que a sala de aula invertida e rotação por estações é uma gincana, quando na verdade não é. Acho que tem uma janela de oportunidade imensa, mas ao mesmo tempo, a gente tem um problema nos próprios conceitos. Conceitos equivocados que não têm nada a ver com o conceito de ensino híbrido”, diz.

Segundo Holanda, que também é sócio da Tríade Educacional, o ensino híbrido é uma oportunidade para que os professores consigam integrar a transformação digital na sala de aula.

“Pensar no que faz sentido e no que se integra com as melhores práticas que faz o aluno aprender. Não apenas focar na tecnologia que fica de maneira superficial, não integrada ao processo de aprendizagem do estudante. É uma oportunidade que vai subsidiar a transformação das pessoas, é o que vai fazer com que a transformação digital faça sentido”, afirma.

O especialista acredita que o Ensino Híbrido pode dar certo se houver primeiro uma conscientização da importância da formação dos professores. “Formação de professores que faça com que o docente faça, reflita, não seja apenas teórica, sem planejar, sem compartilhar com outros professores. Essa formação pensada em homologia de processos, que ele vivencie o ensino híbrido como aluno”, explica.

Leandro lembra que o professor dá aula como ele aprendeu. “É preciso garantir esses momentos que também vão ser baseados em metodologias ativas, que eles vivenciem e possam levar para sua prática docente”. 

Educação híbrida tem futuro?

Para o especialista, já existem no momento presente alguns modelos de ensino híbrido que são mais inovadores. “Esses dependem de uma estrutura de organização de horários e espaço físico, mas alguns dependem mais do mindset, da forma de pensar do gestor e professor escolar”, ressalta.

O papel do gestor é muito importante, segundo Holanda, pois ajuda os professores nessa visão e na formação, garantindo momentos na dinâmica deles para reflexão de suas práticas. “Os professores devem passar por uma formação mais ativa, não apenas passando aquele monte de conceitos em slides, que hoje não faz mais sentido na formação de professores”, diz.

Projeto inicial

A experiência com o ensino híbrido de Leandro Holanda veio da sala de aula. “Em 2014, participei de um grupo de experimentação de ensino híbrido que foi um projeto da Fundação Lemann e do Instituto Península. Outros educadores também participaram”, conta.

Segundo ele, ficaram um ano planejando juntos, aplicando as práticas, refletindo sobre as aplicações, entendendo um pouco desses modelos e, no final, escreveram um livro contando um pouco sobre essa experiência. “Passando um pouco dessas experiências, mas também dando uma passada pela literatura e referências que ajudava a gente a desenvolver sobre o ensino híbrido e sobre a importância da integração”.

Em 2016, Leandro e seu sócio fundaram a Tríade Educacional, uma consultoria pensando em inovação, metodologias ativas e ensino híbrido. “Temos um trabalho focado na formação de professores, com inovação, tanto em tecnologia, quanto em processos e desenvolvimento do docente para pensar em estratégias que vão colocar o aluno no centro do processo”, conclui.

Matrícula 2021: 4 vantagens da campanha pelo app

Depois de levar a sala de aula para dentro das casas, agora é hora de levar também sua campanha de matrícula para o celular dos pais; aqui reforçamos alguns dos benefícios dessa ação especificamente pelo aplicativo escolar

Podemos dizer que 2020 tem sido um ano de muito aprendizado, com inúmeros testes sendo realizados. Alguns muito bem sucedidos, outros, nem tanto.

Após quase seis meses de aulas remotas, as escolas já acertaram a mão no ensino on-line: escolheram as melhores ferramentas, organizaram a equipe e revisaram suas estratégias. E, apesar de ainda não termos atingidos os mais altos patamares de performance, podemos dizer que, no geral, deu certo.

E nessa corrida rumo à transformação digital, um item em plena mudança é o processo de matrícula, que precisa acontecer em meio aos protocolos exigidos por uma pandemia, mas também com a premissa de uma ação muito mais rápida, segura e inovadora.

Além do mais, se a matrícula sempre foi um momento importante para o colégio, imagine agora, em meio a uma situação econômica vulnerável? A essa altura, a margem de erros deve ser nula, por isso a atenção redobrada na construção da sua campanha.

Matrícula pelo celular

Oferecer aos pais (já clientes ou mesmo novos) a facilidade de fechar a matrícula com apenas alguns cliques é mais que uma tendência nesta temporada; é uma necessidade. Melhor ainda quando esse processo acontece dentro do ambiente do aplicativo de comunicação escolar já utilizado no dia a dia da instituição.

Sim, a matrícula pelo aplicativo escolar agrega diferenças importantes em relação a uma simples matrícula on-line. Esta, muitas vezes, lança mão da burocracia de um e-mail. Afinal, em tempos de aulas remotas e comunicação exclusivamente pelo app escolar, ter que administrar o contato com o colégio por outra mídia não é nada prático.

Sem contar um outro detalhe importante e muito comum atualmente: na sede de implantar uma mecânica de matrícula on-line, o colégio opta pelo sistema de simples aceite em vez de uma assinatura digital de documento, abrindo mão de um processo legalmente mais seguro e garantido.

Entenda a diferença entre a matrícula por aceite e matrícula com assinatura digital de documento.

Por que optar pelo sistema de matrícula via aplicativo?

Completo, robusto e arrojado, um sistema de matrícula como o do IsCool App, por exemplo, agrega principais diferenciais à sua campanha:

1 – Matrícula segura

Sem filas, aglomeração ou qualquer contato físico, a campanha de matrícula pelo celular é recomendada pela segurança sanitária que garante distanciamento de pessoas. Mas a segurança existe também no que diz respeito a outros dois aspectos: jurídico (no caso da assinatura digital e não do simples aceite) e de uso de dados, já que envolve diversos níveis de validação e está totalmente amparada pela LGPD (Lei Geral de Proteção de dados).

2 – Matrícula com integração

Integração é palavra de ordem quando o assunto é uso de dados e informação de sistemas de gestão. Quanto mais automatizado o processo, menor a margem de erros, sem contar a rapidez nas ações e nos resultados. Como qualquer outra integração no app, a troca de dados entre os sistemas é respaldada por procedimentos técnicos superelaborados, à prova de erros.

3 – Matrícula prática

Atrelado aos dois pontos anteriores está um processo de matrícula mais pratico, não só para o pai, mas principalmente para sua equipe, que provavelmente já é enxuta e carrega uma grande demanda de trabalho. Com um sistema on-line e totalmente automatizado, o colégio pode focar no que mais importa: pensar nas estratégias e acompanhar resultados para propor ações precisas de performance e reversão, por exemplo.

4 – Matrícula garantida

Por fim, e não menos importante, está o resultado quantitativo do processo de matrícula pelo celular: uma campanha mais curta, objetiva e com menor chance de evasão. Sabe aquela história de o contrato ficar parado em negociação até dezembro? Nessa modalidade as chances de isso acontecer são bem menores porque pode haver intervenção imediata da escola e, em menos tempo (em relação ao processo tradicional) as previsões de faturamento estarão prontas para que você siga com seu planejamento financeiro do ano seguinte.

Tudo em um mesmo canal

Ainda que no processo de matrícula pelo aplicativo uma das opções de validação de segurança envolva meios externos como SMS ou e-mail, tudo de mais importante acontece no ambiente do app, via botão exclusivo de assinatura de documentos no menu principal.

Mas o que de mais positivo conta para os pais é a possibilidade de já poder contatar o colégio pelo próprio app caso tenha alguma dúvida. No canal de atendimento do IsCool App, por exemplo, é possível criar um contato temporário responsável apenas por sanar questões relacionadas ao assunto, organizando as informações e agilizando as respostas.

Há, ainda, uma vantagem adicional para os colégios que atrelam a matrícula à compra de produtos em suas lojas on-line, como uniforme ou material escolar. Por meio de uma integração especial com o sistema de gestão da instituição, o próprio app pode exibir, no menu auxiliar, cada uma dessas etapas para que a família já faça suas aquisições ali, no mesmo processo de assinatura digital do contrato.

Rápida implantação

A boa notícia é que o processo de campanha de matrícula pelo app é ágil até mesmo em sua implantação e aplicação. Bastam alguns passos para o colégio poder desfrutar de todos os benefícios dessa nova mecânica, mesmo que isso envolva a implantação do próprio app como ferramenta de comunicação oficial da instituição.

Ou seja, em uma um ano como este, em que os pais clamam por soluções mais práticas e cuja adesão de usuários em apps de comunicação escolar bate recordes, a implantação de um sistema de matrícula digital seguro leva poucas semanas.

Isso tudo, claro, a uma demanda muito menor aos colaboradores e com outra importante questão a ser ressaltada: a possibilidade de geração de relatórios de acompanhamentos de maneira rápida.

E o resultado qualitativo tão esperado também acontece: a matrícula pelo app e todos os seus benefícios práticos tendem a conquistar os clientes, mudando até a opinião daqueles mais céticos e apegados aos modelos tradicionais. O que conta positivamente para ações futuras e, principalmente, para suas próximas campanhas de matrícula.

Como ter sucesso na jornada de captação de alunos

Especialista fala como atrair e reter alunos, mesmo em tempos de crise como esse que estamos vivendo

Todos os anos, as escolas privadas travam uma batalha para atrair e reter alunos, seja pelo aumento constante do número de concorrentes, seja pelas novas opções de ensino disponíveis. Mas, em 2020, a luta será ainda maior por conta da crise gerada pelo coronavírus.

“Se trabalharmos com o conceito de que as escolas devem estar preparadas para receber matrículas durante o ano todo, podemos considerar que já são cinco meses de captação comprometidos”, afirma o diretor e consultor de marketing educacional, Gilberto de Camargo Barros.

Segundo ele, as escolas precisam direcionar o seu período principal de matrículas, pelo aspecto legal e por conta do seu processo de rematrícula. “Entretanto, nesse momento as escolas têm o desafio de lançar as matrículas e rematrículas, no meio da pandemia e em um cenário de evasão e de negociação das mensalidades do ano vigente”, explica Barros. 

O consultor, que auxilia escolas de ensino regular e faculdades a desenvolverem o seu plano de marketing e comunicação, ressalta que o momento demanda um grande esforço das instituições e das famílias. “Para que haja um senso comum, onde o respeito, a franqueza, a gratidão e a valorização mútuos devam ser princípios para o acordo”, completa.   

Para o consultor, especialmente nesse período, existe a demanda de fortalecer a comunicação com pais, alunos e comunidade demonstrando os investimentos e cuidados que a escola está tendo em relação à pandemia.

Concentrar-se no aumento das matrículas requer um esforço totalmente coordenado e, muitas vezes, as escolas precisam adotar novas abordagens aos programas oferecidos. Gestores e professores precisam trabalhar juntos nas melhores estratégias.

Atração – Quem é a sua persona?

“A conquista das famílias e dos alunos é um processo que envolve muitas etapas. Entendo que o melhor caminho seja definir a “persona”, ou seja, qual o perfil de família e de aluno que melhor se adequem à instituição que pretende conquistá-los”, afirma Barros.

Segundo Barros, a partir daí é conhecer o universo desse público e trabalhar a comunicação relevante e dirigida, nas fases do relacionamento com os interessados. Para ele, que desenvolveu uma metodologia própria ao longo de dez anos de vivência no mercado educacional, é preciso um trabalho de investigação, realizando uma série de entrevistas com membros da escola e os pais dos alunos.

“Com essa metodologia, é possível reunir um conteúdo consistente para construir as estratégias, os planos de marketing, de comunicação e os argumentos de vendas”, explica.

O consultor afirma que, entre outros benefícios, esse trabalho contribui com um melhor alinhamento entre as áreas administrativa, pedagógica e de marketing. “E para que os conteúdos e materiais criados de atendimento, campanhas, redes sociais, canais de comunicação interna tenham consistência e reflitam o potencial e os diferenciais da instituição”, conclui.

Deixando sua marca

Cada escola é única. Cada escola tem um personagem, uma história, uma cultura. É importante definir a sua marca e expressá-la para sua comunidade. O fator único da sua escola pode ser as equipes esportivas, programas especiais, instrução baseada na fé ou uma abordagem única para o aprendizado em sala de aula. Esta é a “marca” da sua escola e a razão pela qual os pais podem reconhecê-la como um lugar para enviar seus filhos.

A marca pode não ser o que você assume automaticamente. Comece perguntando aos funcionários, alunos e pais o que eles gostam na escola. Perguntar aos pais lhe dará uma boa ideia sobre por que eles mandaram seus filhos para a escola em primeiro lugar.

Talvez você esteja pensando em se destacar um pouco mais na multidão e tentar algo novo em sua escola. Há muitos programas e opções de diferenciação a serem considerados que atrairão os olhos dos futuros pais. Cada um requer o ajuste do currículo, o treinamento de funcionários (ou a contratação de novos funcionários) e a obtenção dos recursos necessários para a escola.

Alguns programas populares de ímã que atraem alunos (e pais!):

  • Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM);
  • Aprendizagem baseada em projetos;
  • Bacharelado Internacional;
  • Programas esportivos;
  • Programas de música e performance;
  • Linguagens adicionais (programas de imersão ou outros).

Barros ressalta que é preciso cuidado e critério para não ser uma escola “Frankenstein”, aquela que deseja ter todos os alunos possíveis e que busca reunir todas as novidades tecnológicas, estruturais ou condições de negociação que a concorrência faz.

“Digo Frankenstein porque isso compromete a sua identidade, o seu planejamento e alinhamento interno. Também dificultará a percepção de diferenciais, por parte dos pais e alunos levando ao aumento da barganha sobre valores das mensalidades, na sala de matrículas”, diz.

Qualquer que seja sua escolha, busque um programa que o diferencie de outras escolas em sua região e comunidade. Pode ser que sua escola seja o único currículo baseado na fé com foco no aprendizado baseado em projetos. Ou sua escola tem um programa de imersão em inglês e envia os alunos em uma viagem educacional a outro país para desenvolver habilidades globais.

Destaque-se por ser diferente, pois isso fará de sua escola a única opção para alunos que desejam a educação diferenciada que você oferece. Com isso, os pais terão maior clareza sobre a proposta da escola, seja no período que antecede a matrícula ou como família matriculada.

Como promover sua escola

O plano está estabelecido, todos estão a bordo e você está animado para implementá-lo no próximo ano letivo. É hora de divulgar e começar a atrair alunos. Você precisará se envolver em algumas atividades de marketing para comunicar os benefícios educacionais de frequentar sua escola. Você também precisará do apoio de sua equipe, alunos e pais. Estas são algumas atividades que você pode tentar para começar:

Boca a boca

Não se engane, o boca a boca será a maneira mais eficaz de informar a todos sobre seus novos programas. Aproveite a comunidade diretamente conectada à escola: funcionários, alunos e pais. Anunciar informações aos alunos pode deixá-los entusiasmados para o próximo ano, mas a verdadeira vantagem da rede será através de seus pais.

Use, por exemplo, as funcionalidades de comunicação do aplicativo IsCool App para se comunicar com os pais e anunciar os detalhes dos novos programas com links para mais informações em seu site. E não seja tímido ao pedir referências! Peça que compartilhem essas informações com seus amigos e familiares.

Site da escola

Os pais irão pesquisar todas as escolas na internet antes de pensarem em enviar seus filhos para elas – especialmente para uma escola particular. Melhore a navegação e o apelo visual do seu site e inclua informações que os pais gostariam de saber. Ter um site limpo, moderno e fácil de navegar pode ser o fator decisivo para os pais na hora de escolher uma escola. O site da sua escola deve comunicar os benefícios educacionais de frequentar a escola. Use a documentação do seu currículo recém-organizado para indicar quais programas a escola oferece. Mostre o conteúdo que é abordado e como sua abordagem única prepara os alunos para os próximos estágios de seu aprendizado e vida.

Redes Sociais

Se você ainda não está fazendo isso, está atrasado. Obtenha uma conta no Intagram, Facebook, Linkedin e Twitter e comece a postar eventos emocionantes, realizações de alunos, anúncios e qualquer outra coisa para construir a marca de sua escola. As redes sociais envolvem alunos e funcionários para se conectar e compartilhar seu entusiasmo pela escola. Também divulga as grandes coisas que estão acontecendo ao longo do ano letivo.

Por exemplo, você pode compartilhar este artigo e anexar suas ideias sobre ele abaixo.

Participe de competições

Apareça no noticiário local participando de competições relacionadas aos programas​​de sua escola. Quer se trate de uma competição de robótica, de matemática, jogo esportivo, performance musical ou outro, ter alunos competindo sempre é um bom motivo para ser divulgado pela imprensa.

Esta é uma ótima maneira de divulgar a sua escola para muitos pais. Lembre-se de que essa é uma estratégia de longo prazo, pois primeiro você precisará ter os programas em funcionamento.

Começar qualquer nova iniciativa exige algum trabalho. Os gestores e professores precisam se alinhar com seus objetivos e criar um plano viável que funcione para eles. À medida que mais alunos começarem a assistir às aulas, eles espalharão a notícia para suas próprias famílias e redes de amigos, tornando seu trabalho muito mais fácil.

Construir a marca de sua escola exige muito tempo e esforço, mas é uma abordagem eficaz para aumentar as matrículas em escolas particulares e obter reconhecimento público.

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Coronavírus: É seguro que os alunos voltem à escola?

Que precauções a escola deve tomar para prevenir a propagação do vírus Covid-19 no retorno às aulas presenciais?

Aos poucos, estamos vendo um número crescente de crianças retornando à sala de aula. No mundo todo, mais de 1 bilhão de alunos ainda estão fora da escola, mas mais de 70 países anunciaram planos para reabrir escolas e centenas de milhões de alunos voltaram nas últimas semanas, de acordo com os dados da Unicef.

No Brasil, o estado do Amazonas foi o primeiro a reabrir as escolas. Lá, os alunos do ensino médio já completaram um mês com aulas presenciais e os alunos do ensino fundamental aguardam voltar à escola no final de agosto. No Distrito Federal, as aulas retornaram no início de agosto, mas logo foram suspensas por embate judicial e a volta é incerta. Os demais estados estão em diferentes estágios em relação a como e quando planejam reabrir as escolas.

Voltar para a escola provavelmente será um pouco diferente do que pais e alunos estavam acostumados. É possível que as escolas reabram por um período de tempo e, em seguida, uma decisão pode ser tomada para fechá-las temporariamente, dependendo do contexto local.

Mesmo que sua escola ainda não tenha decidido reabrir, é crucial que comece um planejamento detalhado agora, para ajudar a garantir que alunos, professores e funcionários estejam seguros quando retornarem e as famílias estejam confiantes em mandar seus alunos de volta à escola.

O blog do IsCoolApp conversou com especialistas que falam sobre os benefícios e riscos para a educação no retorno às aulas a seguir:

“Modo escolar”

Dada a possibilidade de que muitas escolas não abram em tempo integral ou para todas as séries, as escolas podem implementar modelos de “aprendizagem combinada”, uma mistura de instrução em sala de aula e educação remota (aprendizagem online).

Muitas escolas terão que planejar aulas de atualização para ajudar a trazer os alunos de volta ao ritmo, a voltar ao “modo escolar”. De qualquer forma, para o cirurgião plástico e médico do hospital de campanha do Ibirapuera, em São Paulo, Dr. José Antonio Casari Davantel, é altamente recomendável que as crianças retornem às aulas presenciais o quanto antes possível.

“A minha opinião é baseada na Unesco e nos artigos científicos mais recentes, além da Academia Americana de Pediatria. As crianças são anteparos biológicos, a maioria não ficará doente. Obviamente existem exceções. Por exemplo, crianças que moram com avós devem evitar o retorno às aulas. Mas, estamos falando de uma situação específica”, explica.

De acordo com Davantel, o pico da pandemia aconteceu no final de maio. “Essa informação está no portal de transparência dos cartórios. Os casos são mais baixos hoje. Espero que os pais tenham coragem e que o pânico não impere, até porque estão deixando as crianças sem imunidade, sem escola, com depressão. Uma criança sem imunidade, possivelmente terá doenças auto-imunes na fase adulta”, alerta.

Atividades ao ar livre são essenciais no plano de volta às aulas. Afinal não só diminuem as chances de transmissão do vírus, como contribuem para a promoção da saúde e o aumento da imunidade de crianças e adolescentes.

Pensando nisso, o programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, em parceria com outras instituições, lançou um documento com sugestões pautadas em referências históricas e experiências internacionais, que destacam a aprendizagem em contato com a natureza para a retomada das aulas presenciais. 

Acesse o documento: Planejando a reabertura das escolas

Muitas crianças precisarão de apoio extra para atualizar seu aprendizado quando as escolas forem reabertas. Isso pode incluir começar o ano com programas após as aulas ou tarefas complementares a serem feitas em casa.

O IsCool App, por exemplo, oferece o módulo Lição de Casa que facilita o envio de tarefas para os alunos. Além disso, a escola pode manter uma comunicação mais eficiente com os pais e responsáveis, enviando recomendações, tais como apoiar o filho em casa, criando uma rotina em torno da escola e dos trabalhos escolares.

Isso pode ajudar se os alunos estiverem se sentindo inquietos e com problemas de concentração. A escola poderá abrir o canal de atendimento para que os pais possam entrar em contato com o professor ou a escola, fazer perguntas e se manter informado.

Uma dica é perguntar aos pais se o aluno está enfrentando desafios específicos, como tristeza pela perda de familiar ou ansiedade elevada devido à pandemia. Esse tipo de conhecimento pode fornecer dados para que a escola tome decisões mais assertivas no retorno às aulas.

Leia também:

Lição de casa pelo app: o grande diferencial para seu colégio

Ansiedade e depressão

Durante um período tão preocupante e perturbador, é natural que ansiedade e depressão tenham crescido entre todos, principalmente crianças e adolescentes.

Inclusive, já fizemos uma live e matéria sobre isso aqui no blog do IsCool App. Leia também:

Live Educacional: Escolas e famílias no enfrentamento à pandemia

Coronavírus: 4 passos para exercer o autocuidado e preservar a saúde emocional dos filhos durante o isolamento

No retorno às aulas, como a escola irá apoiar a saúde mental dos alunos e combater qualquer estigma contra as pessoas que estiveram doentes?

A psicóloga Giovina Fosco Turco, mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela Unicamp, acredita que o retorno escolar será um desafio. “Como tudo nessa pandemia está sendo complicado, a volta presencial não será diferente”, alerta.

Segundo ela, de qualquer forma, as escolas devem estar preparadas. “Primeiramente, a escola deve se informar sobre a situação da pandemia em sua cidade e, daí sim, decidir sobre o retorno, seguindo todas as medidas de precaução”.

Para a psicóloga, o retorno escolar pode gerar uma ansiedade muito grande nas crianças, assim como nos pais. “Acredito que a escola deveria ter uma postura de conversa. Primeiramente com os pais, dizer a eles como estará se preparando. Claro que preocupação com os filhos, todos têm, mas se os pais estiverem inseguros, essa insegurança vai passar para as crianças”, adverte.

“Mesmo sabendo que a doença acomete em número menor as crianças, nós temos que protegê-las. Elas têm que se sentir seguras”, afirma Giovina, sugerindo que a escola abra espaço para a criança falar sobre seus medos, dúvidas e ansiedades.

Para ela, família e escola terão que se juntar de maneira transparente. “Deverá ser uma volta complicada, insegura, mas quanto mais se falar sobre isso, todos vão estar mais seguros”, finaliza.

5 maneiras de melhorar a retenção e a lealdade dos alunos

Como a sua escola pode desenvolver a fidelização dos alunos, utilizando redes sociais e aplicativos de comunicação

Você provavelmente já sabe que a chave para o crescimento da sua escola é reter os alunos existentes e dar a eles uma ótima experiência de aprendizado. Isso é especialmente relevante para os gestores escolares nesse momento em que as escolas estão fechadas e o ensino está acontecendo a distância.

A questão do aumento de instituições privadas de ensino nos últimos anos, aliada à crise gerada pela pandemia, aumentou significativamente a concorrência escolar. Esta mudança tem mostrado tendências de rotatividade nas matrículas, uma vez que os pais têm mais opções de escolha. Por isso, é muito importante que as escolas encontrem maneiras de aumentar a lealdade dos alunos.

Pensar diferente

De acordo com o gestor de marketing e relacionamento da PUC-Campinas, Alcino Ricoy Júnior, é imprescindível para o gestor escolar pensar “Didi”. “Didi significa pensar diferente, pensar digital”, explica Ricoy, lembrando que não se trata do personagem de Renato Aragão no programa humorístico “Os Trapalhões”, caso você tenha pensando nisso.

Ricoy, que apresentou palestra virtual durante o Geduc 2020, citou a importância dos aplicativos digitais. “Mesmo que de forma remota, é importante resgatar a afetividade, gerar empatia com os pais e motivar os alunos”, disse ele. A escola pode utilizar de redes sociais a aplicativos de comunicação escolar, como é o caso do IsCool App, que permitem a publicação de posts diários, entre outras utilidades.

O gestor de marketing e relacionamento orienta a escola a publicar posts do dia a dia, compartilhar momentos felizes, dicas de professores para superar crises e assim por diante. “Temos exemplo de escola que montou um portfólio dos pequenos negócios dos pais. Outro colégio pediu fotos para os alunos mostrarem o dia a dia. Outra dica é a escola curtir as fotos dos alunos e dos pais”.

O que você poderia fazer ainda este ano para construir relacionamentos mais amplos e significativos com seus professores? O que você deve saber sobre seus alunos e suas famílias? Que estratégias de comunicação você pode usar para promover um envolvimento mais ativo e de confiança?

Criamos uma lista de 5 ideias para ajudá-lo a melhorar a fidelidade e retenção de seus alunos:

  1. Marketing boca a boca

O marketing boca a boca é o seu maior ativo de marketing e um comentário positivo entre as mães é o melhor caminho para o sucesso. O líder sábio compreende o valor e os comportamentos das redes humanas em toda a organização. As pessoas têm uma necessidade inata de histórias, motivos de orgulho, experiências, sucessos e fracassos. Quando você sabe como alavancar a sequência, a frequência e o fluxo de comunicação, você tem as ferramentas para fazer crescer a reputação da sua escola e maximizar a confiança e a lealdade.

É importante avaliar os níveis de influência e as práticas comuns dos principais líderes em sua rede. Vale lembrar que o grau de influência de uma pessoa no boca a boca não é necessariamente indicado por sua posição. Um membro da diretoria, por exemplo, pode realmente ter menos impacto do que um professor.

O desenvolvimento de um método estratégico e consistente de comunicação e construção de relacionamento é uma vantagem sustentável – aquela que tem mais probabilidade de produzir o nível desejado de crescimento de matrículas e rematrículas.

  1. Cultura escolar

Qual é a cultura escolar ideal para o máximo crescimento do corpo docente e dos alunos? É aquela em que as qualidades individuais são altamente valorizadas. Confiança e colaboração são naturais e comuns. O corpo docente e a equipe se aperfeiçoam, contribuindo de forma apaixonada com a missão da escola – o significado motivador que a escola claramente representa.

Organizações com pessoal altamente engajado superam seus concorrentes – em mais de 50% na retenção de funcionários, em quase 90% na satisfação do cliente e têm quatro vezes mais probabilidade de crescer. Defender a cultura da escola é função dos gestores, mas também de todos. Lute e proteja a cultura da sua escola para criar as melhores condições de motivação e desempenho.

  1. Alta qualidade

Construir uma equipe de alta qualidade em todos os domínios: governança, operações, administração e aprendizagem – é a única maneira de alcançar uma escola de alta qualidade de forma sustentável. Contratar bem significa construir um processo eficaz para atrair, recrutar, selecionar e integrar pessoas que irão atender ou superar suas fortes expectativas de desempenho. A “guerra pelo talento” é aquela que você deve vencer para dar aos seus alunos a melhor chance de realizar seus sonhos.

Para ser o melhor, utilize um processo disciplinado para treinar e desenvolver cada funcionário. Dar a eles expectativas claras, talvez com uma avaliação de desempenho, aumentará o foco e a clareza. Com uma linguagem comum e metas estabelecidas, você tem uma estrutura na qual pode ampliar os pontos fortes de seu pessoal e suas contribuições individuais e coletivas para seus planos de crescimento. Isso também lhe dá a capacidade de substituir as pessoas de baixo desempenho em tempo hábil – uma capacidade crítica de liderança.

  1. Encantar a todos

Como você saberá quando sua escola alcançou a excelência? Quando você tem pessoas, entre seus funcionários e famílias, que ficam emocionadas com sua experiência. É absolutamente vital que todos em sua escola se comprometam com uma estratégia única: encantá-los todos os dias, de todas as maneiras.

Quando a visão da sua escola estiver alinhada com o que eles precisam e desejam, o próximo passo é oferecer um pouco mais. Surpreenda-os com a forma como sua equipe vai além. Isso não significa comprometer seus padrões e expectativas, mas sim ouvir com mais atenção, antecipar e se preparar para questões e problemas em potencial e procurar oportunidades para criar situações e experiências agradáveis.

  1. Melhorar de forma inovadora

Cada vez mais, os pais esperam que você melhore de maneira mais rápida e eficaz. O planejamento estratégico deliberado de longo prazo é mais útil em tempos de períodos estáticos e previsíveis. Em tempos dinâmicos como este, entretanto, quando tantos fatores no mundo estão mudando tão rapidamente, ciclos mais curtos de planejamento, aprendizagem e ajuste são necessários.

É preciso flexibilidade para se adaptar mais rapidamente às necessidades reais e emergentes de seus alunos e pais. Usar ciclos mais curtos (por exemplo, 90 dias) de planejamento e medição fornece um retorno sobre o investimento mais claro e protege contra o excesso de investimento em projetos que não agregam valor.

Se você deseja manter a atenção dos pais em um período de mudanças rápidas, o planejamento e a execução da inovação são essenciais.

Desenvolva um sistema preciso para coletar informações que o ajudem a realmente conhecer seus clientes em um nível mais profundo, e use esses dados para envolvê-los em uma conversa significativa, para reconhecer eventos e marcos especiais e para expressar um cuidado genuíno.

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Por que as questões raciais e a luta das minorias devem ser pautas prioritárias em seu colégio?

Para tratar um assunto de tamanha importância e que vem ganhando os holofotes mundo afora, o Blog do IsCool App entrevistou Gabriel Marques, palestrante e autor de livros sobre o racismo; confira esse edificante bate-papo sob a ótica da educação e do princípio da igualdade

De Mineápolis para o mundo, a morte de George Floyd, negro e humilde, fez despertar o debate sobre o preconceito racial, o abuso de poder e a luta por respeito e direitos pelas camadas mais sensíveis da sociedade.

Da internet para as ruas, das ruas para dentro de casa, de dentro de casa para a sala de aula (agora virtual). Tratar sobre o assunto não só se tornou urgente, como também obrigatório mediante a velocidade com a qual a informação percorre esse ciclo.

Uma ótima oportunidade para trabalhar com mais intensidade e riqueza os projetos pedagógicos ligados à cidadania, ética e vida em sociedade. E uma excelente hora para entender se os esforços enquanto escola e importante instrumento de formação social estão sendo efetivos.

Para despertar essa análise, o Blog do IsCool App bateu um papo com Gabriel Marques, um estudioso incessante acerca do tema, que leva todo seu conhecimento a escolas do Brasil por meio do programa de formação de professores chamado “Educando crianças livres de preconceito”.

Marques, que também é publicitário e bacharel em direito, é ainda autor de vários livros, dois dos deles na área racial: “Da Senzala à Unidade Racial”(1996) e “Acendedores de Velas” (2001). Confira esse rico pingpong:

Blog do IsCool App: Como você define o papel da escola na construção da sociedade?

Gabriel Marques: As escolas, por excelência, devem estar na vanguarda da construção do pensamento e não ser apenas entes reprodutores de mensagens ou de fatos históricos. Os alunos não são caixas vazias onde pretensamente o conhecimento será depositado; antes, os alunos são minas de pedras preciosas em estado bruto, ali participando de um processo de lapidação para que possam revelar seu próprio potencial. Os professores cumprem, portanto, a função de um artífice que traz à luz potencialidades antes ocultas nos alunos, como seres pensantes e participantes ativos na construção e transformação de uma civilização em constante progresso. Este conceito naturalmente não contradiz a necessidade de compartilhamento de informações, estudo de fatos e experimentação.

Blog do IsCool App: E como as escolas têm lidado com esse compromisso hoje?

Gabriel Marques: Algumas escolas se definem como locais para o ensino de conteúdos e habilidades necessárias à participação do indivíduo na sociedade; outras adicionalmente são definidas como local para se compreender a cidadania como instrumento de participação social e política, preparação para o exercício de direitos e deveres civis e sociais, além da adoção de atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. Outras escolas adicionam componentes ou ambiências capazes de estimular seus alunos a pensar o mundo, suas contradições, analisar contextos e buscar novas soluções para o avanço social coletivo, percebendo não apenas o movimento constante da Terra, mas o avanço e direção dos processos internos da civilização.

Blog do IsCool App: Quais têm sido os maiores desafios da escola no cumprimento desse papel?

Gabriel Marques: As duas últimas décadas têm revelado alguns desafios ameaçadores, com sinais de retrocesso nos avanços coletivos alcançados no século recém-concluído. O globo terrestre tido como redondo desde o século 16 é agora novamente apresentado como plano; a ciência é questionada e posta de lado por lideranças governamentais em muitos países, enquanto ela própria se apresenta agora, não como a todo-poderosa, mas apenas como um punhado de teorias em busca de confirmação; conquistas de toda a humanidade com a assinatura de tratados internacionais, como os acordos ambientais – tal como o da redução de emissão de carbono na atmosfera e outros – estão sendo relegados ao limbo; os sistemas econômicos, quer do Leste ou do Oeste, apresentam fissuras que parecem irremediáveis, enquanto enfermidades sociais como o racismo e a pobreza extrema ganham terreno em todas as partes. Certos princípios éticos, antes compartilhados por pessoas de todas as nações e que pareciam em ascensão, estão agora erodidos, ameaçando o consenso predominante sobre certo e errado, que em muitas instâncias havia conseguido manter abafadas as tendências mais vis da humanidade. Visíveis são as forças de desintegração, enquanto há urgente necessidade de agrupamento das forças integradoras da sociedade, para o que as escolas são instrumentais.

Blog do IsCool App: Em relação especificamente à questão do racismo, como você enxerga que ele pode ser trabalhado na escola de maneira mais eficiente hoje?

Gabriel Marques: No contexto do racismo podemos recordar Nelson Mandela (1918-2013) quando disse: “Ninguém nasce odiando o outro pela cor da sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam apreender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Neste sentido, os temas transversais em cada currículo precisariam reforçar certos princípios, incluindo materiais e debates no campo da ética e da pluralidade cultural, por exemplo. A história até agora registrou principalmente nossa experiência coletiva como de tribo, culturas, classes e nações. Com a unificação física do planeta e o reconhecimento da interdependência de todos os que nele vivem, uma nova história está agora começando: a de uma humanidade comum. Esta visão da Terra como uma pátria comum e de uma única família humana global precisa se sobrepor à tendência de “nós” e “eles”, assim como da divisão artificial dos povos em “desenvolvidos” e “subdesenvolvidos”, o que busca definir identidades de grupos em constante disputa entre si. Esta fragmentação ou busca de primazia de um grupo ou povo sobre os demais e virtualmente sobre a própria humanidade – sejam teorias raciais ou as econômicas – tem aumentado as tensões e colocado o mundo à beira de uma nova guerra, o que naturalmente precisa ser evitado. Aqui tanto escolas, quanto demais instituições, incluindo os governos tem um papel sumamente importante a cumprir.

Blog do IsCool App: Você acredita que essa pauta faz parte da educação integral tão buscada hoje pelos colégios?

Gabriel Marques: Em primeiro lugar uma educação que se diz “integral” deveria reconhecer a unicidade da humanidade como princípio direcionador. Nesta perspectiva, a diversidade que caracteriza a família humana, longe de contradizer sua unicidade, confere ao todo uma maior riqueza. Estas duas perspectivas apontam tanto para as soluções quanto para um destino coletivo comum. Após deixar para trás os estágios de infância, adolescência e de uma juventude turbulenta, o mundo está agora, então, se encaminhando para adentrar sua maturidade coletiva, vindo a adotar novos padrões tanto em suas relações interpessoais quanto econômicas. Ao preparar seus alunos por meio do ensino de diferentes idiomas, uso das tecnologias de comunicação, etc., as escolas têm visado preparar seus alunos basicamente para o mercado de trabalho. O mercado de trabalho, entretanto, está atualmente intimamente atrelado aos dogmas e modelos decorrentes do materialismo, seja de fundo capitalista ou socialista. Os ideais encarnados nestes dogmas têm fracassado em satisfazer as necessidades comuns da humanidade como um todo e, por outro lado, estes mesmos dogmas agora apresentam graves rachaduras em suas bases, enquanto busca se remediar e reerguer. Dentre seus resultados mais aparentes, após décadas de prática irrestrita, estão a extrema concentração de renda por alguns poucos (os dados de 2019 indicam apenas 26 indivíduos como possuindo metade da riqueza mundial), enquanto avançam as disparidades sociais juntamente com o ressurgimento das forças do racismo, nacionalismo e partidarismo.

Blog do IsCool App: Um aluno com futuro brilhante inclui uma educação de crianças livres de preconceito?

Gabriel Marques: Alunos considerados brilhantes são, sobretudo, pessoas cujos princípios educacionais e espirituais estão refletidos tanto em suas palavras quanto em suas ações, como estando verdadeiramente livre de preconceitos, isto é, alguém que atua considerando todas as pessoas – independentemente de sua origem étnica, condição social ou religião – como membros da mesma família humana. Adicionalmente, com o reconhecimento de que a vasta maioria da população brasileira afirma ter alguma crença religiosa, poderíamos dizer, então que o aluno brilhante é alguém que concilia seus conhecimentos técnicos e científicos com uma verdade e prática espiritual, comum a todas as crenças, a de que “todos os que habitam na terra são membros de uma só família e filhos de um Criador único” e que “devemos agir com o outro da mesma forma que gostaríamos que conosco agisse”. Quantas e quantas vezes na história – seja passado ou presente – encontramos, entretanto, profissionais e lideranças em todos os níveis, com a mais brilhante carreira profissional, mas cujos pensamentos e ações em relação ao próximo permanecem discriminatórias, assim como de modo insistente e consciente perpetua práticas sociais e econômicas que reconhecidamente são injustas!

Blog do IsCool App: Na sua opinião, o que pode acontecer com escolas que não implementarem práticas efetivas e constantes no ensino acerca do racismo?

Gabriel Marques: Uma época como a nossa na qual as pessoas têm acesso crescente a todos os tipos de informação e uma diversidade de ideias, o conceito de justiça se afirma como o princípio governante de qualquer organização social bem-sucedida. Neste caso, qualquer escola cujos alunos não reflitam em suas posturas individuais uma consciência crescente sobre importantes temas sociais como é o caso do racismo, poderão ver a si mesmos em situações vexatórias, alienados dos grandes problemas sociais de nosso tempo; seus professores e escolas vistos como instrumentos reprodutores da mesma enfermidade para qual dizem buscar a panaceia. A existência do racismo estrutural e institucional também incorpora a dimensão da própria cegueira ou da dificuldade na identificação do problema em sua própria estrutura enquanto instituição. Num país onde mais da metade da população é reconhecida como de “pretos” e “pardos” ou negros ou afrodescendentes – segundo as diferentes terminologias – as escolas e seus dirigentes precisam não apenas se perguntar, mas encontrar justificativas consistentes – se é que estas existam – para explicar o baixíssimo número de professores e gestores negros em seus quadros. Professores igualmente podem desejar revisar interiormente se na sua relação com alunos negros existe algum preconceito embutido.

Blog do IsCool App: O assunto discriminação vai além do racismo contra o negro. Quais outras causas englobam o ensino integral do futuro cidadão e como elas todas estão correlacionadas?

Gabriel Marques: Para além da arraigada discriminação com base na cor da pele, outros preconceitos são igualmente devastadores da unidade humana, tais como aqueles baseados na etnia, gênero, nação, casta, religião, classe social e outros. No caso da discriminação de gênero, cabe destacar que a emancipação da mulher e a plena igualdade com os homens é um dos requisitos mais importantes para o estabelecimento da paz. Tal como citado por destacada instituição global – a Casa Universal de Justiça – “a negação dessa igualdade comete injustiça contra metade da população do mundo e promove entre os homens atitudes e hábitos nocivos que são transportados do ambiente familiar para o local de trabalho, para a vida política e, em última análise, para a esfera das relações internacionais”. O nacionalismo exacerbado, distinto de um patriotismo são e legítimo, também precisará ceder lugar a uma lealdade mais ampla – ao amor à humanidade como um todo. Atividades que nutrem afeição mútua e sentimentos de solidariedade entre os povos precisam ser substancialmente incrementadas. A enorme disparidade entre ricos e pobres e a urgência de se eliminar tais extremos é outro tema que requer nova abordagem do problema, em ambiente isento de polêmicas econômicas e ideológicas. Mesmo o espírito de competição que domina uma grande parte da vida moderna, onde o conflito é aceito como mola-mestra da interação humana, precisará ser revisto no sentido de uma reorganização da sociedade, livrando-a de um constante espírito belicoso, o qual precisa ser substituído pela cooperação e reciprocidade.

Blog do IsCool App: E sob qual ótica, em sua opinião, deve-se trabalhar tantos pontos?

Gabriel Marques: O conceito de justiça deverá prevalecer como a bússola indispensável nos processos de tomada de decisão, como instrumento essencial para se alcançar unidade de pensamento e ação, sabendo-se que os interesses individuais e os da sociedade estão inseparavelmente conectados. A experiência prática tem claramente demonstrado que “na medida em que a justiça se tornar uma consideração orientadora das interações humanas, isso irá encorajar um clima de consulta que permita o exame desapaixonado das opções e a escolha adequada dos cursos de ação. Portanto, ao se manter a justiça como princípio orientador, seguramente que se afastará as eternas tendências à manipulação e ao sectarismo que possam defletir o processo de tomada de decisões.

Blog do IsCool App: É importante envolver a família nessa pauta?

Gabriela Marques: A educação tem seu início, poder-se-ia assim dizer, ainda no ventre materno quando o bebê é influenciado pela alimentação da mãe e logo após por todas as influências do ambiente – seja ele um ambiente de harmonia ou violência familiar ou de seu entorno, assim como pelas muitas interações da criança com parentes, vizinhos e pelos lugares onde brinca e se desenvolve. A escola formal somente irá aparecer na vida da criança num momento em que algumas das bases do caráter, da personalidade e percepções de mundo já estão em formação. Naturalmente que tanto a educação não-formal quanto a formal são essenciais para a mudança das atitudes das pessoas. Mas a família, por excelência, é o cadinho onde se moldará a consciência, valores e atitudes em relação ao próximo. Assim, a colaboração entre escola e pais, e vice-versa, é fundamental para o sucesso do processo educacional, num trabalho ombro-a-ombro.

Blog do IsCool App: Como o colégio pode fazer isso de maneira bem-sucedida?

Gabriel Marques:A escola bem pode identificar os temas e oportunidades para uma interação e trabalho mais próximo com os pais, assim como pode oferecer seminários e reuniões especiais, onde reflexões conjuntas sobre temas emergentes na sociedade possam ser debatidos, dentro de um ambiente de conversação informal e participativa, numa oitiva daquilo que é também a percepção dos país. Há que se evitar ambientes e ou palestras formais ou modelos que reproduzam experiências reconhecidamente não tão eficazes, como as que buscam estabelecer uma relação entre “aqueles que sabem” com “aqueles não sabem”, algumas vezes identificadas na relação educador-educando, o que também pode gerar barreiras desnecessárias. Nestes espaços de reflexão conjunta algumas falas ou afirmações recorrentes em diferentes grupos poderiam ser revisadas, tais como aquelas que dizem: ‘Meninas não são boas em matemática’; ‘pessoas analfabetas não são inteligentes’, ‘não devemos confiar em estrangeiros’, entre outras. Igualmente outras questões poderão emergir de modo natural, sem a expectativa de respostas, tais como: quantos amigos negros temos em nossas relações de verdadeira amizade? Ao identificar situações de discriminação racial ou outra, situações de injustiça, qual tem sido a postura adotada: de mero expectadores ou houve alguma tomada de ação? Enfim, existem muitas questões e oportunidades nas quais escola e família podem interagir e trabalhar conjuntamente nos reforços comuns de mudança e construção social.